O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, terá hoje uma segunda conversa com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmaram à coluna fontes oficiais.
Bitelli foi chamado para consultas no domingo, após o presidente da Argentina, Javier Milei, ter atacado o presidente Lula em seu discurso na Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), no sábado, em São Paulo.
A primeira conversa entre Bitelli e Vieira aconteceu na tarde de domingo. Nesta segunda conversa, confirmaram as fontes, será analisado o impacto das reações dentro da Argentina após o chamado para consultas do embaixador e, também, da atuação de Milei no Brasil.
No domingo, quando o embaixador foi chamado, num gesto que no manual diplomático significa a expressão de profundo desagrado pela atuação de um governo estrangeiro — neste caso o da Argentina —, os únicos elementos de análise sobre a mesa eram os ataques de Milei.
Hoje, o governo brasileiro avaliará as mostras de solidariedade recebidas, por exemplo, de parlamentares, empresários, mídia e setores da sociedade argentina, entre eles a comunidade judaica. Em termos gerais, a percepção é de que o chamado do embaixador provocou uma forte onda de apoio ao Brasil dentro da Argentina.
Nas últimas horas, representantes do governo argentino fizeram declarações baixando o tom. Um deles foi o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, que descartou uma ruptura de relações. Em declarações ao jornal La Nación, Quirno disse: "Do nosso lado não existe a menor possibilidade de que decidida uma ruptura de relações".
Nesse panorama, o mais provável é que Bitelli retorne à Argentina num prazo talvez menor ao imaginado no início da crise. Ainda não há datas determinadas, mas, sim, a sensação que, se a moderação continuar do lado argentino, o embaixador poderá voltar ao posto e não será necessário escalar a crise.
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