O ex-diretor do Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, Ronen Bar, processou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por difamação ligada ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, segundo a Al Jazeera.
O que aconteceu
Bar pede uma indenização de 3 milhões de shekels (cerca de R$ 5 milhões) a Netanyahu e o acusa de atribuir a ele falhas criminosas no ataque. Em documento de 134 páginas, o ex-chefe do serviço de segurança interna afirma que o premiê "mentiu para se proteger".
O ex-diretor do Shin Bet diz que avisou o secretário militar de Netanyahu assim que surgiram sinais de uma possível ofensiva. Bar afirma que não tinha o número direto do primeiro-ministro para telefonar a ele.
Netanyahu nega ter sido alertado por Bar na manhã do ataque e diz que poderia ter evitado a ofensiva. Em resposta divulgada pelo Likud, o premiê questionou: "Ronen, você está falando sério?"
O primeiro-ministro afirma que Bar tinha seu telefone na linha direta e poderia ter ligado imediatamente. "Quantas vidas poderíamos ter salvado se você tivesse ligado a tempo?", disse Netanyahu.
Disputa ocorre antes da eleição
O processo foi apresentado 13 dias antes da eleição israelense, marcada para 27 de outubro. Pesquisas apontam uma disputa apertada para Netanyahu permanecer no poder, após críticas de ex-integrantes do governo e da oposição.
Bar deixou o comando do Shin Bet em junho de 2025, em meio às acusações sobre o ataque. Ele sustentou que havia informado Netanyahu previamente sobre a ameaça.
Registros de telefonemas entram na disputa
O ex-secretário militar de Netanyahu, Avi Gil, acusou o gabinete do premiê de adulterar registros relacionados ao dia do ataque. Em entrevista ao Channel 12, Gil disse que uma ligação de quatro minutos teve o horário alterado de 6h40 para 6h29.
O The Wall Street Journal informou em setembro que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, alertou Netanyahu sobre o risco de um ataque. Kamel teria telefonado ao premiê poucos dias antes da ofensiva e já havia levado alertas a autoridades israelenses em setembro de 2023.
Ataque e guerra em Gaza
O ataque liderado pelo Hamas matou ao menos 1.221 israelenses e resultou no sequestro de 251 pessoas, conforme dados oficiais de Israel. O grupo rompeu a barreira entre Gaza e Israel em 7 de outubro de 2023.
Israel matou mais de 74.300 pessoas em Gaza nos três anos desde o início da guerra, de acordo com o Ministério da Saúde do território. Mais de 1.400 palestinos morreram em ataques israelenses desde o cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos em 2025.
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