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UOL Economia há 19 d • Sex, 09 Out 2026 12:56:35 -0300

MRV dispara 11% e construtoras sobem após prévias do trimestre

MRV dispara 11% e construtoras sobem após prévias do trimestre

As ações de MRV, Cury e Tenda avançam nesta sexta-feira (9) após a divulgação das prévias do resultados operacionais do terceiro trimestre. Os números mostram crescimento das vendas e geração de caixa, mas também os efeitos da greve da Caixa e de critérios mais rígidos para a aprovação de financiamentos.

O que você precisa saber

A MRV lidera a alta entre as três construtoras. Por volta de 12h15, a ação subia 11,20%, a R$ 7,15. Cury avançava 8,26%, a R$ 34,08, e Tenda ganhava 6,71%, a R$ 31,47.

A MRV informou geração de caixa de R$ 456 milhões no trimestre, ante R$ 70 milhões no período anterior. O desempenho contou com vendas de ativos da Resia, operação nos Estados Unidos, e da Luggo. A dívida líquida caiu de R$ 5,9 bilhões para R$ 5,3 bilhões.

As vendas líquidas da MRV Incorporação superaram R$ 3 bilhões pela primeira vez em um trimestre. O total de R$ 3,04 bilhões representou crescimento de 29,6% na comparação com o ano anterior. A companhia atribuiu o desempenho à estratégia de comercialização de estoques, que permitiu acelerar as vendas mesmo com menos lançamentos.

O Itaú BBA vê um trimestre misto para a MRV. No relatório assinado por Elvis Credendio, Mariangela Castro e Juliana Veiga, o banco destaca a contribuição das vendas de ativos para o caixa, mas ressalta que a operação do Minha Casa, Minha Vida ainda consumiu recursos. Também aponta uma mudança no reconhecimento das vendas, que passaram a ser registradas antes do repasse ao banco, limitando a comparação com os períodos anteriores.

O fluxo de caixa das operações brasileiras continua sendo fundamental para reduzir a alavancagem a níveis mais confortáveis. Itaú BBA sobre a MRV

Greve da caixa impacta construtoras

A greve da Caixa atrasou R$ 80 milhões em recebimentos da MRV, segundo os analistas. O BTG Pactual, em relatório assinado por Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, observa que, mesmo descontando esse efeito, a geração de caixa da operação de baixa renda teria ficado abaixo do esperado. A melhora do caixa consolidado, portanto, veio acompanhada de ressalvas sobre o desempenho da atividade principal.

Na Cury, a geração de caixa foi um dos destaques positivos. A empresa gerou R$ 254 milhões, acima dos cerca de R$ 200 milhões esperados pelo BTG. As vendas líquidas chegaram a R$ 2,03 bilhões, alta de 11,4% sobre um ano antes, enquanto a velocidade de vendas ficou próxima de 40%.

Acreditamos que os números reforçam o controle rigoroso das operações e o modelo de negócios enxuto da companhia. BTG Pactual sobre Cury

O Itaú BBA considerou os números da Cury melhores do que o mercado projetava. Os analistas afirmam que suas expectativas eram mais altas alguns meses antes, mas foram reduzidas ao longo do trimestre diante das dificuldades relacionadas à Caixa, incluindo a greve e uma análise mais rigorosa dos compradores.

Os cancelamentos cresceram e reduziram parte do avanço das vendas. Na Cury, chegaram a R$ 358 milhões, alta de cerca de 60% ante um ano antes, e corresponderam a 15% das vendas brutas. Segundo o Itaú BBA, o aumento refletiu compradores que não conseguiram aprovação do financiamento ou desistiram diante da demora nos repasses.

Na Tenda, as vendas cresceram, mas os distratos pesaram no resultado operacional. Na operação convencional, as vendas brutas avançaram 22%, enquanto as líquidas cresceram 10,5%. Os cancelamentos somaram R$ 293 milhões, alta de 115%, e representaram 19,4% das vendas brutas, segundo o Itaú BBA. "Com a greve da Caixa agora encerrada, os cancelamentos devem se normalizar daqui para a frente."

O BTG ainda vê dificuldades para a Tenda no curto prazo. Além dos cancelamentos, o banco destaca a redução dos preços de venda e da parcela do financiamento concedida diretamente pela construtora ao comprador. Esses ajustes ajudam a adequar as vendas às exigências da Caixa, mas podem pressionar a rentabilidade dos novos contratos. "Acreditamos que o cenário deverá continuar mais desafiador no curto prazo."

As recomendações seguem favoráveis para Cury e Tenda nas duas casas. O Itaú BBA recomenda desempenho acima da média do mercado para Cury e Tenda, com preços-alvo de R$ 44 e R$ 58, respectivamente, e mantém avaliação de desempenho em linha com o mercado para MRV, com alvo de R$ 6. O BTG Pactual recomenda compra das três ações, com preços-alvo de R$ 42 para Cury, R$ 45 para Tenda e R$ 8 para MRV.

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