Empresas familiares da China enfrentam uma crise de sucessão, pois parte dos herdeiros não quer ou não se sente preparada para assumir fábricas que ajudaram a impulsionar a economia do país, informa o The Guardian.
O que você precisa saber
Os negócios familiares representam uma parcela relevante do setor privado chinês, que responde por mais da metade da arrecadação tributária e por 60% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que transferências malsucedidas podem reduzir o valor das empresas ou levá-las ao fechamento.
A dificuldade envolve mais do que a passagem de ações e patrimônio entre gerações. Hanqing Fang, professor associado da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri, afirma que relações comerciais, experiência e conhecimento acumulado pelos fundadores são difíceis de transferir.
"As ações podem passar para um filho ou filha da noite para o dia", diz Fang. "Mas o herdeiro é chamado a assumir algo que parece uma empresa no papel, mas, na prática, está mais próximo dos bens pessoais do fundador."
Relações comerciais dificultam a transferência
Ayu cresceu em Wenzhou, onde seus pais fabricavam sapatos de couro à mão no térreo da casa da família. A pequena oficina se transformou, ao longo das décadas, em uma fábrica com 700 funcionários, enquanto ele passou a administrar uma plataforma de comércio eletrônico.
Para Ayu, os herdeiros enfrentam um mercado mais competitivo do que o encontrado pelos pais. "A rede de contatos é muito difícil de herdar. Você precisa construí-la por conta própria", afirma.
Ele diz que sucessores podem receber empresas sem preservar as relações que sustentavam a operação. "Herdamos a riqueza, mas não conseguimos herdar o setor", declara.
Planos de sucessão são minoria
Dois terços dos chineses ricos não têm um plano de sucessão, aponta pesquisa da HSBC Life. Em levantamento liderado pela Universidade de Ningbo, apenas dez de 114 empresas privadas pesquisadas eram administradas pela segunda geração das famílias.
Wu, que trabalha com marketing em Hong Kong, reluta em assumir a fábrica de alimentos e as lojas da família. O grupo mantém uma fábrica em Shanwei e dezenas de estabelecimentos em Shenzhen e Hong Kong.
Ele afirma que precisaria aprender a lidar com relações pessoais, conexões financeiras e obrigações burocráticas. "Um dia, a empresa dos meus pais será minha. Mas ainda não estou pronto, porque não é fácil" diz.
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