Publicações que circulam nas redes sociais enganam ao afirmar que Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), anunciou medidas como acabar com o 13º salário, aumentar a idade mínima para se aposentar e encerrar o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Marinho, de fato, falou em entrevista à Folha no início do ano que a campanha prevê revisitar reformas da Previdência e do Trabalho, mas não ofereceu detalhes sobre as medidas previstas.
Em seu plano de governo divulgado posteriormente, Flávio afirma que pretende manter programas sociais já existentes, "reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos" e ampliar a fiscalização contra fraudes no INSS.
Ao UOL Confere, a assessoria de imprensa do senador desmentiu as propostas apresentadas na publicação.
O pedido de checagem foi enviado ao UOL Confere pelo WhatsApp (11) 97684-6049.
O que está circulando
A postagem anuncia que o governo Flávio Bolsonaro vai fazer novas reformas da Previdência e trabalhista e, em seguida, apresenta medidas, como o aumento da idade mínima para se aposentar para 75 anos e 72 anos, para homens e mulheres, respectivamente, fim do BPC e do 13º salário e aumento da carga horária diária para 12h
A legenda ainda afirma: "Futura ministra do Flávio quer implantar essa reforma".
Por que é falso
Campanha de Flávio afirmou que pretende revisitar reformas, mas não anunciou medidas detalhadas na entrevista. Rogério Marinho afirmou à Folha no início do ano que o modelo atual estaria estourado e afirmou que tanto a reforma da Previdência quanto a trabalhista teriam que ser reanalisadas (aqui). Na reportagem, no entanto, nenhuma medida específica é citada pelo coordenador de campanha. "A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo", disse na ocasião.
Plano de governo do candidato do PL não menciona as alterações apresentadas no post. Ao contrário do que a desinformação alega, o plano de Flávio, divulgado depois da entrevista, afirma manter os programas sociais já existentes (aqui, na página 42), ampliar a fiscalização contra fraudes no INSS (aqui, na página 72) e não menciona alterações na idade mínima e tempo de contribuição para se aposentar. Já sobre as leis trabalhistas, a proposta do candidato é a redução gradual do custo do trabalho, sem retirar direitos (aqui, na página 44 e 45).
Segundo reportagem, Flávio considera mudar reajuste da Previdência, do BPC, da saúde e da educação. Em texto publicado nesta quarta-feira (7), o jornal Folha afirmou que a equipe responsável pelo plano econômico do candidato do PL estuda pacote de medidas fiscais focado na contenção de despesas obrigatórias da União para obter até R$ 250 bilhões (aqui).
Flávio negou e disse que fará reajuste acima da inflação para aposentadorias. Nesta quinta-feira (8), presidenciável afirmou que fará o reajuste e, ainda assim, permitirá fazer um ajuste fiscal por volta 2% do Produto Interno Bruto (aqui).
Campanha de Flávio classificou postagem como "fake news". "Flávio Bolsonaro não vai acabar com programas sociais, não vai mudar tempo de aposentaria, fechar farmácias populares, nem extinguir o Bolsa Família", disse a assessoria em nota.
Desinformação sobre questões trabalhistas. O UOL Confere já verificou outro conteúdo que veicula um vídeo alterado com inteligência artificial em que Flávio teria criticado os direitos trabalhistas.
Viralização. A publicação acumula mais de 150 mil visualizações no X e também circula no Threads, Facebook e Instagram.
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