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UOL Economia há 28 d • Sáb, 03 Out 2026 05:30:00 -0300

Lula supera Bolsonaro em investimentos, com ajuda de contratos anteriores

Lula supera Bolsonaro em investimentos, com ajuda de contratos anteriores

Os investimentos privados em infraestrutura no Brasil somaram R$ 618 bilhões nos três primeiros anos do atual mandato do presidente Lula (PT) e superaram em 11% os aportes empresariais no setor nos quatro anos de Jair Bolsonaro (PL) na Presidência (R$ 556,7 bilhões). Se as projeções de investimento para 2026 se confirmarem, essa diferença chegará a 53%.

Somados, os investimentos públicos e privados em infraestrutura saltaram 52,2% no governo petista. Na era Bolsonaro (2019-2022), eles chegaram a R$ 714,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação, contra R$ 1,1 trilhão nos últimos quatro anos, incluindo os R$ 300 bilhões projetados pela Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base) para 2026, último ano do terceiro mandato de Lula.

Quando se considera a participação do segmento privado no total investido, os governos quase empatam. Entre 2019 a 2022, foram R$ 556,7 bilhões, ou 77,9% do total. Entre 2023 e 2026, o número chegou a R$ 854 bilhões (78,6%).

As razões para a diferença no total aportado vão da conjuntura macroeconômica ao amadurecimento regulatório. A pandemia, por exemplo, congelou as obras de infraestrutura no governo Bolsonaro. "Houve uma paralisação da economia a partir do segundo semestre de 2020", lembra o economista e cientista político Fabio Andrade, professor da ESPM.

A quebra nas cadeias de suprimentos inflacionou insumos básicos como aço, cimento e asfalto, inviabilizando contratos de empreiteiras no mandato bolsonarista. Esse cenário foi agravado pelo aperto monetário que elevou rapidamente a taxa básica de juros (Selic) de 2% para 13,75% ao ano, encarecendo o crédito e congelando os investimentos, que só foram retomados nos últimos anos.

Os aportes em infraestrutura não foram menores no governo bolsonarista apenas devido a fatores externos. Instabilidade política, atritos diplomáticos e o aumento do desmatamento geraram alertas de governança socioambiental (ESG) que afastaram investidores estrangeiros e fundos soberanos europeus, de acordo com o professor.

"Havia baixo conhecimento da máquina pública e pouco aproveitamento de quadros técnicos muito bem remunerados, tornando os processos mais lentos", diz ele. "Alinhado a Donald Trump nos Estados Unidos, o governo Bolsonaro se deslocou da agenda ESG, perdendo oportunidades de investimento privado", acrescenta.

A mudança na política externa e ambiental a partir de 2023 trouxe de volta investidores para projetos de transição energética e linhas de transmissão no Brasil. Houve também maturação de reformas regulatórias passadas. Os leilões realizados em 2021 e 2022 sob o novo marco legal do saneamento básico começaram a exigir investimentos pesados em obras físicas a partir do terceiro ano de contrato, concentrando os desembolsos no mandato atual, "provocando um boom de investimentos", diz Andrade.

O advogado especialista em infraestrutura Fernando Vernalha, do escritório Vernalha Pereira, atribui o bom desempenho do governo Lula ao ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB). "Seu perfil pragmático ajudou: ele queria investimento e queria no curto prazo. Montou uma equipe com técnicos que rodaram diversos países divulgando seu programa de infraestrutura. Realizou muitos leilões, um recorde histórico, especialmente em 2025", afirma o advogado.

As concessões e Parcerias Público Privadas vêm se ampliando nos governos de direita e de esquerda devido à restrição fiscal. Há um entendimento geral de que precisamos ampliar os investimentos em infraestrutura, mas não resta alternativa a não ser buscar no setor privado, porque o público está limitado pelo espaço fiscal.Fernando Vernalha, do Vernalha Pereira Advogados

Apesar do aumento constante de investimentos em infraestrutura, as cifras ainda são insuficientes. O setor defende que os investimentos totais devem ser de, no mínimo, R$ 507 bilhões por ano. Os aportes ainda representam aproximadamente 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto) por ano, longe dos 4% a 4,5% do PIB que especialistas consideram necessários por ao menos uma década para reduzir o déficit de infraestrutura no Brasil.

Investimentos por Setor

Os aportes privados em saneamento básico devem atingir R$ 77,2 bilhões com Lula, alta de 418%. Ao isolar os três primeiros anos de cada mandato, os investimentos privados subiram de R$ 9,9 bilhões no período Bolsonaro para R$ 49,6 bilhões no período Lula, alta de 401%.

O investimento privado em energia elétrica somou R$ 339,8 bilhões de 2023 a 2025 com Lula, aumento de 73,3%. O resultado compara os três primeiros anos de cada gestão, período em que os aportes da administração anterior totalizaram R$ 196,1 bilhões (a Abdib ainda calcula a projeção de investimentos para energia em 2026). O acumulado de três anos da gestão atual supera em 21,3% o volume registrado nos quatro anos completos do mandato anterior, que foi de R$ 280,2 bilhões.

Os recursos empresariais em transporte e logística devem chegar a R$ 161,9 bilhões com Lula, alta de 84,4%. A trajetória dos aportes em rodovias, ferrovias e portos foi influenciada pela assinatura de concessões e renegociações de contratos. Nos três primeiros anos de cada gestão, os aportes privados subiram de R$ 62,2 bilhões para R$ 118,6 bilhões, crescimento de 90,7%.

Já os aportes em telecomunicações recuaram 13,8% no governo Lula. A queda de R$ 127,9 bilhões nos três primeiros anos de Bolsonaro para R$ 110,2 bilhões sob Lula ocorreu após a implantação da tecnologia 5G no país. As operadoras concentraram investimentos até 2022 para estruturar as redes de transmissão e ativar o sinal de quinta geração nas capitais. Após essa fase, o segmento entrou em acomodação de gastos. Na comparação acumulada, os R$ 110,2 bilhões aplicados em três anos do atual mandato equivalem a 63,4% do total de R$ 173,8 bilhões registrado nos quatro anos do governo anterior. A Abdib ainda calcula a projeção de investimentos em telecomunicações para 2026.

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Fonte da Notícia: UOL Economia
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