A Paranapanema concluiu um acordo com credores que extinguiu R$ 3,94 bilhões de uma dívida total de R$ 4,27 bilhões.
O que aconteceu
Acordo eliminou 92,3% da dívida apurada em 31 de janeiro de 2026. A companhia desembolsou R$ 100 milhões em recursos novos, obtidos com a 11ª emissão de debêntures conversíveis, e transferiu aos credores valores de contas vinculadas e depósitos judiciais.
Restaram R$ 327,4 milhões a serem pagos em até 36 meses. O valor será quitado exclusivamente com recursos obtidos pela monetização de nove direitos creditórios judiciais da Paranapanema e de sua controlada CDPC, sem uso do caixa operacional.
Ao fim do prazo, o saldo remanescente será extinto mesmo se os créditos não forem recebidos integralmente. A medida prevê a quitação do Acordo Global e de seus instrumentos acessórios.
A Paranapanema S.A. atua na fundição e no refino de cobre primário e na produção de semimanufaturados de cobre e suas ligas. Com três unidades fabris, as atividades da companhia abrangem grande parte da cadeia industrial do material, seguindo até a fabricação e a venda de produtos e coprodutos, como vergalhões, fios trefilados, laminados, barras, tubos, conexões, entre outros.
Dívida desde 2017
O Acordo Global original foi firmado em agosto de 2017 com os principais credores financeiros da empresa. O cronograma previa pagamentos até 2028, mas a companhia deixou de pagar as parcelas semestrais a partir de dezembro de 2022.
A Paranapanema entrou em recuperação judicial em novembro de 2022. Em abril de 2024, a dívida teve vencimento antecipado, e a Cargill entrou com ação de execução das garantias em outubro de 2025.
A empresa negociou em 2026 com 11 credores nacionais e internacionais. Entre eles estavam Cargill, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, BNP Paribas, Bank of China, ING, Scotiabank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Zion e BPS.
Resultado operacional
Os acordos firmados pela companhia em 2026 liquidaram mais de R$ 5,1 bilhões em passivos. Além da transação atual, houve quitações de R$ 849,7 milhões com o Fundo BS, R$ 68,1 milhões com a AXIA Energia e R$ 48 milhões com o Banrisul.
No segundo trimestre, a receita líquida alcançou R$ 169,2 milhões, alta de 18,6% em um ano. O EBIT foi positivo em R$ 47,2 milhões, o primeiro resultado positivo em cinco anos, e incluiu reversão não recorrente de R$ 100,5 milhões em provisão para contingência.
Os efeitos contábeis dos acordos ainda não aparecem nas informações trimestrais de 30 de junho. A Paranapanema afirma que os valores serão reconhecidos nas demonstrações financeiras dos períodos em que as transações se tornarem eficazes.
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