O mercado de câmbio fechou a primeira sessão desta semana com o dólar em alta, cotado R$ 5,220, influenciado pela cotação do petróleo no exterior, que pressiona as Bolsas, e novas projeções do setor financeiro para inflação e juros após a prévia de preços (IPCA-15) mostrar aceleração em setembro. No Brasil, Ibovespa caiu com agentes econômicos ajustando posições após nova pesquisa de intenção de voto para a corrida presidencial.
O que aconteceu
Dólar fechou em alta ante real. Subindo desde a abertura, a moeda americana terminou o pregão cotada no comercial para venda a R$ 5,225, variação de 0,85% ante fechamento de sexta-feira (25).
Moeda americana já havia subido de R$ 5,14 a R$ 5,19 na semana passada. A alta acumulada no período foi puxada por apostas em aumento dos juros nos Estados Unidos em razão da alta do petróleo, que ampliou receios de inflação no mundo.
A moeda brasileira segue sensível à combinação entre o comportamento do petróleo, os rendimentos dos Treasuries e o noticiário político. A proximidade do primeiro turno tende a aumentar a volatilidade, especialmente diante das novas pesquisas e dos debates previstos para a semana. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora
Principal índice de ações da Bolsa brasileira voltou a cair depois de três recuos seguidos. O Ibovespa começou a segunda-feira com variação negativa, recuando 0,77% às 10h20, mas recuperou forças e passou a subir 0,05% às 11h45. Faltando 20 minutos para o fim da sessão, porém, o indicador voltava a cair, agora 0,21%, a 183.089 pontos.
Desempenho mostra menor apetite do capital externo pelas ações brasileiras. Após entradas líquidas de R$ 4 bilhões nas sessões de 18 a 22 de setembro, o saldo das aplicações dos estrangeiros ficou negativo em R$ 600 milhões desde 23 de setembro.
Estrangeiros representam 60% do giro diário da Bolsa nacional. Por isso, a atuação desse grupo tem potencial para determinar o viés no mercado local de ações.
No exterior, preço do barril de petróleo voltou a subir. Os contratos de Brent para dezembro, referência internacional mais negociada para o combustível, com entregas previstas para novembro, subiram 0,4% a US$ 97,83.
Bolsas americanas são pressionadas por petróleo. Os índices futuros de Wall Street registram queda hoje. Agentes econômicos temem que o encarecimento dos combustíveis alimente inflação e leve o Fed (Federal Reserve), Banco Central americano, a elevar mais uma vez a taxa básica de juros no país.
No ambiente doméstico, mercado ajusta projeções após aceleração da inflação. O IPCA-15, que antecede o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), usado pelo Banco Central como principal referência para a política monetária, subiu 0,7% em setembro, elevando o acumulado em 12 meses para além do teto perseguido pelo Banco Central. Isso impactou o Boletim Focus, pesquisa semanal com uma centena de profissionais do setor financeiro: projeções para inflação ao fim deste ano subiram para 4,99%.
A corrida presidencial também continua influenciando o mercado. Nova pesquisa de intenção de voto divulgada hoje pela Quaest mostra o candidato à reeleição, presidente Lula (PT), subindo de 37% a 39% das intenções de voto no primeiro turno, à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 34%, de 33% na pesquisa anterior. Ambos atingiram 42% das intenções de voto para simulação de segundo turno.
Déficit nas contas externas cresceu 34,2% e vai a R$ 5,1 bilhões em agosto. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, a melhora do saldo comercial não foi suficiente para compensar piora das saídas de serviços, redução do investimento direto e saques de carteiras, que atingiram R$ 5,2 bilhões.
Aqui dependemos do fluxo de investidores estrangeiros, mas a proximidade das eleições certamente inibe maior agressividade operacional apesar de preços atraentes de muitas ações. As negociações entre o Irã e os Estados Unidos sobre guerra e a expectativa de novas altas de taxa de juros pelo Fed mexem globalmente com as taxas no mundo.Coordenador de Economia da Apimec Brasil
Petrobras tem sessão de recuperação na alta do petróleo. As ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) subiam 2% e 2,38%, respectivamente, no fim da tarde.
WEG investirá US$ 160 milhões para ampliar produção de geradores nos EUA. Conclusão do projeto está prevista para 2030, quando a empresa estima elevar sua capacidade global de produção para cerca de 50 geradores por dia em suas fábricas no México, Estados Unidos, Brasil e China, ante 10 gerados atualmente. Ações da empresa recuavam 1,82% no fim da tarde, cotadas a R$ 50,14.
CVC anuncia conclusão da renegociação de R$ 370 milhões. Renegociação vai reduzir a saída de caixa da CVC Corp em cerca de R$ 110 milhões nos próximos 12 meses. Desse total poupado, R$ 30 milhões seriam pagos em outubro de 2026 e outros R$ 80 milhões venceriam em abril de 2027. Ações da empresa subiam 1,38% no fim da tarde, para R$ 1,47.
Analistas dizem até onde grupo JHSF pode crescer. Companhia diz que empreendimentos em desenvolvimento podem elevar dentro de um prazo de três anos o Ebitda anual dos atuais R$ 730 milhões a R$ 2 bilhões, aponta reportagem do UOL. A XP estima que a renda recorrente poderá representar 71% da receita até 2030, ante os cerca de 50% atuais. Citi tem preço-alvo para os papéis em R$ 12. As ações da JHSF negociadas na B3 recuavam 3,16% no fim da tarde, a R$ 11,35.
Vibra Energia conclui emissão de debêntures de R$ 1,4 bilhões. A demanda superou em mais de um terço a quantidade de títulos inicialmente ofertada. Ações da empresa subiam 1,77 no fim da tarde, a R$ 37,87.
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