Maior banco brasileiro em valor, o Itaú decidiu criar um setor para cuidar de negócios relacionados a esporte, mídia e entretenimento.
Anunciada nesta segunda-feira, a iniciativa se justifica pelo crescimento destes segmentos, principalmente o futebol, dentro da economia brasileira. E acompanha uma tendência mundial do mercado financeiro de se voltar para a área do capitalismo de atenção (que ganha por atrair o tempo do público).
O mercado de esportes movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023, segundo estudo do PWC Global. Já o segmento de entretenimento e mídia atingiu R$ 290 bilhões em 2024. Juntas, as duas áreas representam cerca de 8% do PIB do Brasil.
A atuação de outros bancos, principalmente de investimento, já tem sido forte no esporte, como mostram as participações da XP e BTG em SAFs e na FFU (Futebol Forte União) e em estádios. Além disso, há bancos menores atuando no crédito a clubes.
"Vamos pegar o paralelo mercado americano. Bancos boutiques fazem bastante crédito para empresas. Isso existe há muito tempo. Grandes bancos, JP Morgan, Citi, é super recente a atuação (no esporte), é de dois anos para cá", contou Guilherme Ávila, Head de Sports, Media e Entertainment no Itaú.
O Itaú, diga-se, já tinha atuação em vários nichos do mercado esportivo, seja atendendo clientes de alto poder aquisitivo do setor, seja com crédito. Mas agora consolida tudo dentro de um segmento específico dentro do banco.
"(O Itaú) Atendia de forma difusa. Tem capacidade de fazer uma oferta completa. Conhecendo ele (o setor) melhor. Está sendo protagonista. Outros players não têm esse mesmo potencial", completou Eduardo Líbano, superintendente do nicho Tech do Itaú.
Em relação à onda de SAFs no futebol, o Itaú não pretende ser um investidor, e, sim, um consultor e assessor para negócios. Mas essa é apenas uma fração do negócio dentro do futebol. E a intenção é atuar em ligas e eventos esportivos consolidados para expandir sua capacidade de gerar dinheiro.
"No nosso trabalho a SAF é uma fração. Assessoria para SAF existente com modelo de governança. Há assessoria de grupo de mídia, ligas estabelecidas. O Itaú não quer entrar em embate de ligas que tenham conflito. Tem ainda ativação em eventos esportivos. Isso exige especialização na assessoria", explicou Guilherme Ávila.
No caso do Brasileiro, por exemplo, o Itaú só admitiria entrar em um negócio de liga se houver um acordo coletivo mais estruturado. Até porque entende que a CBF tem liderado esse processo - a confederação aliás é parceira no patrocínio da seleção.
Pela atuação mundial do Itaú, o entendimento é de que pode acessar capitais globais e organizar o fluxo deles para negócios no Brasil. Isso vale, sim, para a obtenção de participações acionárias - chamados Equity -, mas também para a fundamentação de novos negócios. Além disso, pode ser uma fonte de crédito para o setor.
"É abarcar esse tipo e economia da atenção como todo. Especialização e conhecimento não é flexibilizar (as condições). Dar uma estrutura risco, olhar a cadeia que tem bons pagadores", analisou Eduardo Líbano, do Nicho Tech do Itaú.
E o foco é também a mídia esportiva. É perceptível o crescimento e fragmentação do setor, com novos players como a Cazé TV junto do Youtube, Amazon, Paramount, etc.
"Mercado é dinâmico. Se você perceber o crescimento da Caze TV, no tempo que está no mercado, existem formas de outros players terem relevância. Depende muito de direitos o crescimento. Se existir um novo entrante no mercado e comprar direitos, esse novo entrante ele ganhe relevância desproporcional. Evolução vai continuar acontecendo", contou Ávila.
"Se um determinado player fizer oferta hostil da Copa de 2030, Vai embaralhar bem a dinâmica."
Outro foco do Itaú será atender pessoas de alto poder aquisitivo do setor esportivo, como jogadores.
"O Itaú tem presença regional e e global. Já tem atletas que são clientes, assim como artistas. O Itaú consegue fazer conexão da vida inteira. Consegue ser o primeiro banco do atleta, da assinatura do primeiro contrato. Consegue atender atleta na América do Sul, com estrutura na Suíça depois que vai para o exterior. Tem essa conexão de poder atender a carreira inteira e para falar a língua do nicho", detalhou Felipe Merêncio, superintendente do Itaú Private Bank.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.