Em 1982, ainda em plena ditadura militar, o time da Democracia Corinthiana colocou na parte de trás de sua camisa a frase: "Dia 15, vote!"
Eram as primeiras eleições diretas depois do golpe militar de 1964, que criou um temor compreensível em muitas pessoas mais velhas, traumatizadas pelo terror criado pelos militares por tantos anos.
O grande temor era achar que seria uma armadilha que seriam fotografados e fichados no momento de votar. E, posteriormente, presos.
Também havia uma parcela da esquerda que achava que votar seria conceder a ditadura uma eleição controlada por ela. Uma permissão dela. Uma armadilha. Que os democratas perderiam e chancelariam a ditadura.
Muitos adolescentes tinham esse medo por influência dos pais, tios, tias e avós. O risco de ter uma grande abstenção de votar era real.
E foi um marco porque um candidato de oposição venceu as eleições para o governo: Franco Montoro (PMDB).
O candidato do regime era Reynaldo de Barros (PDS), respaldado pelo grupo de Paulo Maluf que era apoiado pelos militares.
Me lembro bem daquele domingo de sol e céu azul, e a minha ansiedade com 19 anos tendo essa responsabilidade.
Magrão (Sócrates), Wladimir, Adilson Monteiro Alves e eu participamos diretamente das manifestações pela eleição do Estado.
Subimos em palanques falando sobre a importância do voto daquele momento. Tratando como uma evolução na luta pela redemocratização do Brasil.
Isso foi há 44 anos. Agora, é a semana que nos levará novamente às urnas no próximo domingo, dia 4 de outubro. Mas esta eleição é maior e, agora, o foco está na escolha do candidato em quem iremos votar; o sentido também mudou.
Em 1982, o objetivo era incentivar a votar para o governador, mas esta serve para incentivar o voto para presidente.
Naquela época, o importante era a oposição ganhar, porque os candidatos defendiam a redemocratização; hoje, a oposição se comporta como inimiga da democracia.
Naquela época queríamos derrubar uma ditadura militar. Hoje, precisamos evitar uma ditadura de uma família atrelada com tudo que existe de nocivo contra a sociedade brasileira.
Numa democracia, todas as opiniões devem ser respeitadas, principalmente os votos e a vitória do candidato vencedor nas urnas.
Os debates e as campanhas há 44 anos eram de um nível melhor, e os candidatos falavam sobre o que iriam fazer e sobre a liberdade que a democracia oferece.
Hoje em dia, porém, há um festival de ofensas pessoais, mentiras, narrativas falsas e fake news, em uma proporção e com um alcance infinitos devido à existência de redes sociais, internet e IA (inteligência artificial). Assim, as mentiras muitas vezes se tornam verdades.
Ir votar no próximo domingo, 4 de outubro, continua sendo de extrema importância, assim como foi em 15 de novembro de 1982. Afinal, uma das táticas dos antidemocráticos é evitar que os eleitores contrários a eles cheguem às urnas. Não estou inventando nada: nas eleições de 2022, essa foi uma das estratégias usadas por essa "irmandade" familiar nociva.
Enfim, é importante votar no próximo domingo. Escolha seu candidato sabendo muito bem quem é quem nesta história. E, sobretudo, quem está do lado certo e quem está do lado errado. Conseguir votar foi uma conquista democrática que não se pode abrir mão.
Então, repito o que fizemos em 1982: "DIA 4 DE OUTUBRO, VOTE!"
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.