A nove dias do primeiro turno da eleição, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo Lula (PT) agiu nos últimos quatro anos com responsabilidade fiscal, apesar dos déficits registrados.
Durigan criticou o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, o orçamento de 2023, herdado da gestão anterior, apresentava déficit declarado de R$ 63 bilhões, mas que, somando despesas não financiadas e calotes a governadores, o déficit real chegava a R$ 189 bilhões.
"Com a PEC da Transição, nós já fizemos, no primeiro ano, o primeiro esforço, e chegamos no fim do primeiro ano com 230 [bilhões de reais] de déficit primário", disse Durigan.
"A gente foi, ano a ano, instituindo boas práticas fiscais no país, e nós melhoramos o nosso resultado primário em 2% do PIB agora esse ano", afirmou Durigan, a uma plateia de empresários, executivos e advogados que foram ao evento do grupo Esfera com Lula, em São Paulo.
O discurso aconteceu no contexto de uma reta final em que o presidente, que trava uma disputa acirrada com Flávio Bolsonaro (PL).
Nos últimos dias, Lula proibiu as bets (que deve tirar ao menos R$ 12 bilhões do caixa da União por ano), anunciou aumento de 15% para beneficiários do Bolsa Família.
O ministro afirmou que o governo manterá o equilíbrio das contas públicas, citando a melhora que, segundo ele, foi de dois pontos percentuais do PIB no resultado primário e a revisão de benefícios fiscais como parte de um compromisso.
"Não teve nenhuma medida, nenhum projeto aprovado, enviado pelo governo, aprovado pelo Congresso, sem a respectiva fonte de receita ou adequação orçamentária", discursou.
Taxa de juros e crise no Judiciário
O ministro da Fazenda criticou o custo elevado do dinheiro no Brasil e defendeu a redução estrutural da taxa de juros como um "projeto de país", argumentando que ela penaliza o Tesouro Nacional, grandes e pequenas empresas, agricultores e famílias.
Sem mencionar diretamente a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), Durigan disse que o próximo governo vai encaminhar uma reforma.
"A reforma do Judiciário a gente vai ter que tratar com grande generosidade, dizendo que vai ouvir as pessoas experientes, interessadas, que já podem apresentar algo que seja melhor para o futuro do país e para o Judiciário", afirmou.
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