Candidato a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro corrompeu "com dinheiro ou com orgia" e prometeu uma reforma no Judiciário.
"Eu sinceramente nunca imaginei estar vivo pra ver uma podridão como essa que está acontecendo. Esse Vorcaro devia ser um malandro mesmo, que esse cara conseguiu corromper todo mundo. O que ele não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia", disse o presidente a uma plateia de empresários em um encontro do grupo Esfera, em São Paulo.
E cravou: "Essa é a verdade. Essa é a verdade, a gente vai ficar com frescura de falar essas coisas, se é que tu tiver coragem de falar, que tu conserta."
Vorcaro está preso desde 4 de março, quando foi deflagrada uma das etapas da Operação Compliance Zero, pela Polícia Federal.
Desde a apreensão do celular do ex-banqueiro, surgiram revelações de que Vorcaro usava contratos milionários com escritórios de advocacia para se aproximar de ministros do STF.
Também com base na análise de dados das comunicações dele, a PF apurou que o ex-banqueiro bancava festas de luxo, com dezenas ou centenas de mulheres, para se aproximar de autoridades. As festas incluíam mulheres estrangeiras e pagamentos milionários em eventos.
A nove dias do primeiro turno, Lula defendeu uma nova reforma no Judiciário. Ele lembrou que seu primeiro governo patrocinou uma reforma do Judiciário, com a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O projeto foi liderado pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (1935-2014).
"Nós vamos ter que fazer essa reforma política, nós vamos ter que fazer uma reforma no Judiciário. Naquela [reforma], nós criamos o Conselho do Ministério Público, o Conselho de Justiça. Nós temos que fazer outra", disse.
"Como é que a gente vai escolher o ministro da Suprema Corte? Como é que vai escolher? Ele vai ser um mandato perpétuo ou vai ter um mandato? Eu não vou saber como e não vou decidir sozinho. Mas eu acho que a sociedade vai ter que se manifestar, porque o que está acontecendo não é bom para o país", afirmou.
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