Após alta dos juros nos Estados Unidos pelo Fed (Federal Reserve), o dólar ronda a estabilidade, valendo R$ 5,14, mantendo comportamento que já era predominante antes da decisão. Na Bolsa, o Ibovespa tem leve variação negativa. Mercado aguarda agora a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central brasileiro, nesta "super quarta-feira". No exterior, os índices acionários sobem em Nova York, assim como os indicadores nas Bolsas europeias e asiáticas.
O que aconteceu
Dólar tem viés negativo após decisão de juros nos Estados Unidos. A moeda americana era cotada no comercial para venda a R$ 5,146 às 15h05, variação de menos 0,19% ante fechamento de ontem, após o Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos, anunciar sua decisão sobre juros. Ao longo do dia, a divisa vem oscilando numa faixa estreita entre R$ 5,14 e R$ 5,16.
Banco Central dos EUA aumenta juros pela primeira vez em três anos. A decisão anunciada pelo Fed leva a taxa de referência da economia norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Uma alta de juros não era anunciada nos Estados Unidos desde julho de 2023, quando a taxa passou para o intervalo entre 5,25% e 5,5% ao ano.
Foi o primeiro aumento promovido pelo Fed (Federal Reserve) sob comando do novo chairman. Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, já vinha alertando que terá trabalho a fazer, caso as projeções de inflação não recuem. Taxa vinha sendo mantida estável nos encontros anteriores, entre janeiro e junho, após três reduções consecutivas entre setembro e dezembro de 2025.
Expectativa de aumento dos juros americanos já influencia rendimentos das aplicações. Os títulos dos Tesouro americano rondam a maior taxa desde 2007. Segundo analistas, as tensões no Oriente Médio ampliam as preocupações com preços de energia e inflação, em um cenário que torna mais provável a alta de 0,25 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve.
Uma elevação dos juros americanos acompanhada de projeções que apontem para novos ajustes tende a elevar os rendimentos dos Treasuries, atrair capital para os Estados Unidos e fortalecer o dólar globalmente, aumentando a pressão de alta sobre a taxa de câmbio da nossa moeda, o real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Foco agora se volta para o Brasil. Aqui, aposta é de um mais um corte mínimo dos juros. É quase unânime a expectativa dos agentes financeiros de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduza a taxa Selic dos atuais de 14% ao ano para 13,75% ao ano. Se confirmada, será a quinta redução seguida, em ciclo que começou em março — para encontros que ocorrem cada 45 dias.
Prévia do PIB reforça cenário de desaceleração da economia brasileira. Após cair 0,64% em junho, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) voltou a encolher, 0,22%, em julho, em uma retração maior que apontavam as expectativas do mercado financeiro, que projetavam variação negativa de 0,1%.
A segunda leitura negativa consecutiva indica que o processo de moderação do crescimento econômico se mantém e, na nossa visão, deve persistir nos próximos meses, com o esgotamento da renda e do crédito limitando a demanda, mesmo com os diversos estímulos fiscais. Essa trajetória de moderação da atividade permite que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje. André Valério, economista sênior do Inter
Mesmo se reduzida, taxa real de juros brasileira segue perto do maior patamar em duas décadas e entre as maiores do mundo. O Banco Central brasileiro foi o primeiro a elevar juros a partir de 2024, quando a inflação aqui já estava muito acima da meta, que é de 3% ao ano.
O Brasil pode ainda cortar juros porque nós partimos de um nível de juros já muito mais elevado que outros países. Além disso, tivemos melhora da inflação e perda de força da atividade econômica. Já os Estados Unidos precisam subir juros porque partem de uma taxa menor, enfrentam inflação ainda acima da meta e sofrem um choque de energia capaz de contaminar expectativas. O mesmo barril de petróleo caro pesa sobre os dois bancos centrais, mas encontra economias em posições diferentes. Matheus Spiess, economista na Empiricus Research
No aguardo das decisões de bancos centrais, Ibovespa oscila com variação negativa. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuava 0,22% às 15h10h, marcando 185.090 pontos, minutois após o anúncio da decisão do Fed. Ontem, o indicador avançou 0,54%, a 186.502 pontos, quando movimentou R$ 15,8 bilhões, ante R$ 17 bilhões na sexta-feira.
Mercado local depende da manutenção do fluxo de capital externo. No atual ciclo de alta do Ibovespa, o saldo das aplicações dos estrangeiros, grupo que responde por cerca de 60% do giro financeiro na Bolsa do Brasil B3, está positivo desde 21 de agosto, somando aportes de R$ 11 bilhões.
OSX enfrenta credor nanico e suspeita de fraude. Em sua segunda recuperação judicial e com dívida estimada em cerca de R$ 8 bilhões, a empresa fundada por Eike Batista enfrenta suspeita de fraude e a oposição de um único credor trabalhista no processo para aprovar o plano de sua segunda recuperação judicial, revela reportagem do UOL publicada hoje. Cotadas perto de R$ 1,00, ações da empresa recuaram 4,8% ontem.
Brookfield confirma compra de oito parques logísticos da Marq. O negócio da ordem de R$ 1,4 bilhão, inclui quatro empreendimentos em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro, que somam aproximadamente 560 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) e potencial construtivo de 128 mil metros quadrados no Rio. Papéis da empresa negociados na B3 subiram 17,5%, a R$ 57,02 ontem.
Ações da Petrobras rondam máximas históricas com petróleo e impulsiona Ibovespa. As ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) da petroleira, que respondem por 12% do Ibovespa, subiram perto de 4% ontem e elevaram a 30% os ganhos desde 7 de julho.
JBS faz joint venture com Grupo Viva. Sociedade cria a maior processadora de couro do mundo. A nova companhia conseguirá processar mais de 20 milhões de couros por ano e terá 31 fábricas espalhadas por seis países. Os BDRs da empresa negociados na B3 recuaram 2,4% ontem na B3, a R$ 63,30.
WEG aprova pagamento de R$ 450 milhões em juros sobre capital próprio. O valor líquido será de R$ 0,0884 por papel, já deduzido o Imposto de Renda de 17,5%. Ontem, as ações da empresa fecharam cotadas a R$ 50,88, alta de 0,3%.
Braskem teve a recomendação de investimento cortada pelo UBS BB. O banco revisou de neutra para venda a recomendação para o papel e rebaixou o preço-alvo dos papéis de R$ 10,50 para R$ 3,75. Por volta das 14h, os papéis tinham variação negativa de 12,92%, valendo R$ 4,65. Na mínina do dia, foram negociadas a R$ 4,56, baixa de 14,61%.
Cielo vai captar R$ 2,5 bilhões com emissão de debêntures. Serão distribuídas até 2,5 milhões de debêntures, com valor nominal unitário de R$ 1.000 na data de emissão, prevista para amanhã, destinadas exclusivamente a investidores profissionais, dispensando a elaboração de prospecto e lâmina da oferta.
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