A eliminação contra o Boca Juniors pode ter várias razões especificamente no São Paulo.
Seja o gol anulado de Ryan Francisco, por impedimento milimétrico de Luciano.
A falha da defesa que expôs Domingos Duarte, sem velocidade, contra o lateral Lozano, do Boca Juniors.
Seja a inanição de seu ataque, incapaz de fazer um gol em La Bombonera, durante bom primeiro tempo, e de só cabecear uma bola na trave na primeira etapa do Morumbi, obra do menino Gustavo Santana.
O diagnóstico pode passar pela escolha errada de Dorival Júnior, que perdeu dois jogos seguidos sem marcar nem sequer um gol contra Boca e Palmeiras e chegou à rede com cabeceio de Domingos Duarte quando faltavam apenas dois minutos para o apito final.
A dor são-paulina não é cair contra o Boca Juniors. Nem é de ter um time anêmico, incapaz de trocar quatro passes em profundidade.
O dolorido no fundo da alma são-paulina é por quinze anos em que só se cava o aumento do poço, que parece estar no fundo e consegue se abrir ainda mais a cada ano.
É de uma diretoria que escolhe quem vai receber salários atrasados e quem não vai, do áudio vazado do presidente Harry Massis questionando por que alguém afirma que ele teria prometido pagar atrasados: "Não prometi pagar." Ora, então foi o contrato assinado que prometeu?
O velho ensinamento de como entrar num vestiário e comprometer jogadores. Se você prometeu Coca-Cola, não dê Guaraná. O São Paulo não dá um mísero copo d'água, erra nas relações pessoais, profissionais e, por isso, entrega às seguidas comissões técnicas a função de juntar grupos de jogadores que não se unem, porque a direção faz questão de mostrá-los separados.
De tratar como diferentes os que deveriam ser iguais e obrigar os distintos, como Calleri, Rafael e Luciano a pagarem os compromissos que a direção não consegue cumprir.
Perder para o Boca não deveria ser mais doído do que cair contra Penapolense, Juventude, Bragantino, Mirassol, Novorizontino... Houve até valentia, gol no fim, luta nos acréscimos.
O problema do São Paulo não é a falta de talento de seus jogadores nem de talento de seus treinadores.
É a falta de preparo de seus dirigentes;
O São Paulo precisa usar as eleições do final do ano para uma transição para a dignidade. Não que seja tão diferente do que se passa no Brasil ou em Brasília.
O São Paulo merece muito mais do que festejar a dignidade dos acréscimos contra o Boca ou lamentar um ombro de impedimento num gol anulado. O São Paulo sempre foi muito maior do que isso.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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