A Polícia Civil de São Paulo montou uma operação especial de segurança e de combate ao racismo para os jogos de São Paulo e Corinthians contra equipes argentinas pelas copas Sul-Americana e Libertadores. O esquema envolve forças de segurança brasileiras, policiais argentinos e o Consulado da Argentina, com ações planejadas desde a chegada das torcidas ao estado até a saída dos estádios após as partidas.
Uma reunião preparatória foi realizada nos últimos dias para definir os deslocamentos das torcidas, a segurança nos arredores dos estádios e o acompanhamento dos torcedores depois dos jogos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também participa da operação e acompanha a caravana da torcida do Boca Juniors, incluindo integrantes da organizada La 12, durante o deslocamento até São Paulo.
O planejamento conta também com a participação de policiais argentinos, que viajaram ao Brasil para auxiliar as autoridades. Integrantes do Consulado da Argentina também estarão presentes na operação e deverão auxiliar no diálogo entre as forças policiais e os torcedores argentinos, especialmente em eventuais ocorrências de racismo que envolvam cidadãos do país.
Antes de a bola rolar, estão previstas campanhas contra a discriminação no ambiente esportivo. A estratégia policial busca não apenas conscientizar os torcedores, mas também facilitar a identificação de eventuais autores de atos racistas durante as partidas, permitindo que as ocorrências sejam registradas e que os responsáveis sejam punidos de acordo com a legislação.
César Saad, delegado brasileiro responsável pela DRADE (Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva da Polícia Civil do Estado de São Paulo), explicou ao UOL a estratégia adotada pelas autoridades.
"Existe um trabalho de cooperação muito importante entre a Polícia de São Paulo e as autoridades argentinas. Antes do jogo, realizamos uma reunião de planejamento para tratar de toda a operação de segurança, desde a chegada das torcidas até a saída após a partida. Temos também a participação de policiais argentinos e do Consulado da Argentina, auxiliando no diálogo com os torcedores, além de ações de conscientização e combate ao racismo e à intolerância. O objetivo é antecipar qualquer situação de risco e garantir que todos possam acompanhar o jogo com segurança", afirmou.
Preocupação começou nos jogos de ida
A preocupação com a segurança das torcidas já havia sido tratada pelas autoridades nos jogos de ida, disputados na Argentina.
O São Paulo entrou em campo na noite de terça-feira (8) contra o Boca Juniors, em Buenos Aires, enquanto o Corinthians enfrentou o Estudiantes na noite de quarta-feira (8), em La Plata, cidade localizada em uma região próxima à capital argentina.
Antes das partidas, autoridades brasileiras e argentinas realizaram uma reunião para definir a logística de deslocamento das torcidas. Uma das principais preocupações era evitar o encontro das caravanas das torcidas organizadas rivais nas estradas. Também foi apontada a relação de proximidade da La 12, organizada do Boca Juniors, com a Gaviões da Fiel, organizada do Corinthians.
Foram estabelecidas rotas diferentes para os deslocamentos das caravanas de São Paulo e Corinthians. Policiais brasileiros também estiveram presencialmente na Argentina para auxiliar as autoridades locais na organização da logística.
A operação foi considerada bem-sucedida, apesar de um episódio de tensão na chegada do São Paulo ao hotel em Buenos Aires.
Torcedores são-paulinos haviam organizado um bandeiraço para recepcionar a delegação, mas a polícia argentina vetou a manifestação. Alguns torcedores chegaram a comparecer ao hotel, provocando um princípio de confusão.
Diante do episódio, os torcedores do Boca Juniors também não foram autorizados a realizar uma recepção para a chegada da equipe argentina ao hotel em São Paulo.
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