A confiança do empresário industrial brasileiro caiu em setembro e atingiu o 21º mês consecutivo em perspectiva negativa. A evolução coloca o setor no maior período de pessimismo desde 2016, segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O que aconteceu
ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) recuou 1,4 ponto em setembro. O indicador passou de 46,3 pontos para 44,9 pontos. O resultado mantém o índice abaixo da linha de 50 pontos, o que sinaliza pessimismo no setor, pelo 21º mês seguido, a pior sequência registrada desde o período entre 2015 e 2016.
Queda atingiu todos os componentes avaliados na pesquisa. Os empresários demonstraram piora tanto na avaliação das condições atuais da economia quanto nas expectativas para os próximos meses.
Percepção sobre a economia do país pesou bastante no resultado negativo. "Chama a atenção a questão da avaliação da economia brasileira. O índice mostrou uma forte queda, apesar de já estar bem abaixo da linha divisória de 50 pontos", diz Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.
Impacto na produção e investimentos
Falta de confiança prolongada pode travar novos investimentos e contratações. Azevedo explica que esse cenário de pessimismo de longo prazo faz com que os industriais tomem posições mais firmes e conservadoras sobre produção e contratação de funcionários.
Melhorias pontuais ao longo do ano não mudaram o quadro de desconfiança. O economista afirma que o desânimo segue espalhado de forma geral entre os empresários e não dá sinais de reversão consistente.
Índice de Condições Atuais caiu 2,5 pontos e fechou o mês em 40,2 pontos. A maior baixa ocorreu na visão sobre o momento atual da economia brasileira, que despencou 3,6 pontos, atingindo a marca de 33 pontos.
As expectativas para o futuro também encolheram e foram para 47,2 pontos. A projeção dos empresários sobre o futuro de suas próprias empresas recuou de 52,3 para 51,3 pontos em setembro.
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