O contrato futuro do barril de petróleo Brent superou a marca de US$ 100 nesta quarta-feira, impulsionado pela escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã e pelo aumento dos temores de interrupções no fornecimento global da commodity. Os principais índices acionários recuam nas Bolsas americanas e europeias, após a cotação da commodity romper o patamar pela primeira vez desde maio, refletindo a deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio.
O que aconteceu
Petróleo volta a superar US$ 100 em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Por volta das 13h45 (horário de Brasília), o petróleo Brent era negociado em alta de 2,8%, a US$ 100,65 por barril. Última vez que o contrato mais negociado fechou a sessão acima de US$ 100 foi em 21 de maio último.
Disparada do petróleo ocorre em meio à intensificação do conflito entre Washington e Teerã. Nos últimos dias, forças americanas destruíram petroleiros ligados ao Irã, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ataques contra uma base militar dos EUA na Jordânia e embarcações no Golfo. O mercado também monitora riscos ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de exportação de petróleo, além dos ataques de houthis apoiados pelo Irã a instalações de energia da Arábia Saudita.
Wall Street cai com avanço do petróleo. Nesta quarta-feira, os índices futuros de Wall Street operam em queda desde a abertura, diante das preocupações de que preços mais elevados de energia possam reacender pressões inflacionárias e reduzir as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve. No começo da tarde, o Índice Dow Jones Industrial Average caía 0,67%, para 52.431 pontos; o S&P 500 recuava 0,58%, a 7.673 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdia 0,32%, para 26.421 pontos.
Valorização do petróleo também eleva de forma generalizada as expectativas de inflação. Os investidores conhecerão ainda nesta semana os dados da inflação dos Estados Unidos referentes a agosto. Os números "poderiam determinar as próximas decisões de política monetária" do Federal Reserve (Fed, banco central americano), segundo Jay Woods, analista da Freedom Capital Markets.
Alta dos preços da energia aumenta os custos de produção das empresas. As pequenas empresas são as mais afetadas, "porque geralmente dispõem de menos ferramentas para compensar as pressões macroeconômicas", explicou Torres.
Fed (Federal Reserve), Banco Central americano, realizará sua próxima reunião de política monetária neste mês. "Em algum momento, a alta das taxas de juros começa a pesar" sobre as ações, avaliou Natalia Lojevsky, da CIFC Asset Management. O mercado nova-iorquino também acompanha a disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá, no primeiro dia de vigência da resposta canadense às novas tarifas americanas.
Tesouro dos Estados Unidos aumentou para US$ 6 bilhões o volume de sua operação planejada de recompra de Treasuries com vencimento entre dez e 20 anos. Volume é o triplo do montante habitual. No mês passado, o Departamento do Tesouro havia informado que pelo menos dobraria as recompras de títulos de prazo mais longo, elevando-as para US$ 4 bilhões.
Após o anúncio, rendimento do título do Tesouro dos EUA de dez anos subiu de 4,81% para 4,83%. O rendimento do título de 30 anos subiu de 5,26% para 5,29%. O rendimento do título de dois anos manteve-se praticamente estável em 4,41%.
Europa e Ásia
Bolsas europeias também registraram perdas no fechamento. Os principais índices europeus recuam nesta quarta-feira, após o Brent superar US$ 100 o barril diante da escalada do conflito com trocas de ataques entre os americanos e iranianos. Gás natural sobe mais de 3% e ajuda a turvar as perspectivas inflacionárias na região na véspera da decisão do Banco Central Europeu. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,31%, a 10.670,06 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,74%, a 25.554,28 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,94%, a 8.156,67 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,58%, a 51.875,24 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,53%, a 19.691,33 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,38%, a 9.445,17 pontos..
Novos ataques afastam uma retomada das negociações entre Washington e Teerã, elevando temores inflacionários, aponta o ING. Já o Deutsche Bank alertou que o choque de energia, somado à seca e às ondas de calor, tende a pressionar a inflação de alimentos nos próximos trimestres. Com isso, o mercado praticamente precifica alta de 25 pontos-base pelo BCE (Banco Central Europeu) amanhã, para 2,5% ao ano na taxa de depósito.
Na Ásia, as Bolsas fecharam mistas nesta quarta-feira. O Nikkei, do Japão, caiu 0,2%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,2%. Em contrapartida, o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,4% e voltou a superar os 7.000 pontos, impulsionado pelo otimismo com investimentos ligados à inteligência artificial. Na China continental, o índice de Xangai subiu 0,28%, enquanto o mercado australiano encerrou em queda de 0,11%.
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