O dólar voltou a recuar ante o real na volta do fim de semana prolongado pelo feriado de 7 de setembro, cotado a R$ 5,086. Na Bolsa, o índice das ações mais negociadas Ibovespa teve pregão de alta firme, chegando a subir 2% na máxima do dia. Mercado foi influenciado pela alta do preço do petróleo para perto de US$ 100, no exterior, e por novas pesquisas eleitorais, no ambiente doméstico.
O que aconteceu
Dólar fechou em baixa. Recuando desde a abertura, a moeda americana terminou o dia cotada no comercial para a venda a R$ 5,086, menos 0,86% ante fechamento da sexta-feira (4).
A moeda americana já havia caído de R$ 5,19 a R$ 5,13 na semana passada. A queda ante o real foi alimentada por ajustes de posições de agentes econômicos a novas pesquisas de intenção de voto que apontaram uma disputa mais acirrada na corrida presidencial. Para analistas, esse cenário amplia expectativa de política fiscal mais conservadora no ano que vem, independentemente do vencedor nas urnas.
Para esta semana, o câmbio deverá equilibrar dois vetores: de um lado, a pesquisa de votos, que mantém o fluxo favorável ao real; de outro, petróleo elevado, juros americanos mais altos e maior aversão ao risco global, que podem limitar novas quedas do dólar. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora
O Ibovespa teve pregão de alta firme e se aproximou de 190 mil pontos. Subindo desde a abertura, o principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3, fechou o pregão subindo 1,20%, aos 187.366. Na máxima intradiária, o índice chegou a subir 2,21% às 11h, aos 189.238 pontos.
A reação dos mercados financeiros sugere que parte dos investidores enxerga uma eventual alternância de poder como um cenário mais favorável, diante da expectativa de uma política fiscal mais conservadora. Essa percepção tem reduzido o prêmio de risco dos ativos brasileiros e favorecido o fortalecimento do real, contribuindo para a queda da taxa de câmbio. Leonel Oliveira Mattos, economista e analista na StoneX
Investidores testam o fôlego da Bolsa com a atual sequência positiva. Desde o dia 17 de agosto, o Ibovespa subiu 11,5%, superando os 185 mil pontos pela primeira vez desde 6 de maio.
Para o Ibovespa seguir avançando será necessário que a queda dos juros futuros continue e que o fluxo estrangeiro se mantenha. No mercado de câmbio, o comportamento do dólar vai seguir influenciado pelo diferencial de juros brasileiro, pela perspectiva de política monetária mais dura nos Estados Unidos e pelo petróleo. Gustavo Assis, CEO da Asset
No ambiente doméstico, pesquisa sinalizou disputa acirrada na corrida presidencial. Pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 46% das intenções de voto, contra 45% do presidente Lula (PT) em eventual segundo turno da eleição presidencial. O cenário é de empate na margem de erro, que é de dois pontos percentuais.
No exterior, o preço do petróleo em alta voltou a se aproximar de US$ 100. O contrato futuro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, com entrega para novembro, subiu 0,25%, cotado a US$ 97,92. O Irã prometeu retaliar novos ataques dos Estados Unidos. "Ataquem nossos ativos e vocês serão atacados", afirmou Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, ao prometer que as respostas aos ataques americanos serão "mais rápidas, mais duras e mais dolorosas".
Petróleo mais caro por mais tempo aumenta risco de inflação no mundo. Neste cenário, dizem a economistas, os bancos centrais ficam mais propensos a elevar juros, o que tem potencial para desaquecer a economia e, por tabela, o desempenho das empresas cotadas em Bolsa. Na quinta (10), o BCE (Banco Central Europeu) reúne sua diretoria para votar a manutenção ou aumento da taxa básica de juros na Zona do Euro, atualmente em 2,25% ao ano.
No Brasil, o mercado ajustou projeções para indicadores econômicos. Na edição divulgada hoje do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com uma centena de agentes do setor financeiro, as estimativas para inflação para este ano recuaram de 5,01% a 5%. Para o PIB (Produto Interno Bruto), elas foram atualizadas para cima, a 1,93%.
Petrobras pode ser favorecida pela alta do petróleo. As ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) da petroleira, que respondem por 12% do Ibovespa, sobiam 2,10% no fim da tarde. Antes, os papéis chegaram a subir 16,5% entre 25 de agosto e 2 de setembro. A empresa tem sido beneficiada pela alta do petróleo e por novidades corporativas, como a autorização dada pelo Ibama para perfurar mais três poços na Foz do Amazonas, onde a empresa confirmou reservas.
Vale também tem viés positivo alimentado por preço do minério no exterior. As ações da mineradora — com peso relevante de 11% no Ibovespa — subiam 1,11% no fim da tarde, marcando R$ 79,49. Os papéis também atravessam ciclo de alta, tendo subido 13% entre 14 de agosto e a última quarta-feira (2), também influenciados pelo preço do minério de ferro. Ontem (7), os contratos futuros do minério de ferro em Singapura subiram 1,6%, atingindo US$ 101,10 por tonelada, o maior nível intradiário desde 2 de julho. Os contratos denominados em yuan também avançaram até 1,8%. A alta foi sustentada pela expectativa de recomposição de estoques antes do próximo feriado na China, o Dia Nacional, celebrado em outubro.
Vibra Energia aprova captação de R$ 1,4 bilhão. A empresa anunciou a 11ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em até duas séries. Os papéis terão prazo de sete anos, com vencimento em 24 de setembro de 2033, e serão destinados a investidores profissionais. A remuneração das debêntures será equivalente a 100% do CDI (Taxa DI) mais spread de 0,95% ao ano, com pagamento de juros semestralmente, sempre em março e setembro. Papéis da companhia subiam 0,62% no fim da tarde, a R$ 37,22, maior cotação histórica do ativo.
CVC busca R$ 450 milhões com debêntures em meio à renegociação de dívidas. Emissão integra um processo mais amplo de renegociação da dívida da CVC Corp, que soma cerca de R$ 400 milhões. A estratégia prevê redução dos encargos financeiros, alongamento dos vencimentos e alívio das necessidades de caixa no curto prazo. Ações da empresa recuavam 3,19% no fim da tarde, a R$ 1,82.
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