O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que a maior parcela da carne importada pelo país virá do Brasil e da Argentina. A declaração ocorreu após o republicano assinar dois decretos visando a redução dos preços da carne bovina.
O que aconteceu
Em fala no Salão Oval, Trump confirmou que a carne "virá da Argentina, virá do Brasil", assim como de "alguns outros lugares". O republicano defendeu a qualidade do alimento vindo dos dois países da América Latina, afirmando que a carne de ambos é "muito limpa" e "muito boa". Antes, segundo a Forbes, pecuaristas e especialistas demonstraram preocupação com a entrada massiva de carnes estrangeiras, temendo que postos de inspeção ficariam lotados e que haveria a entrada de alimentos de qualidade inferior no abastecimento americano.
Segundo o republicano, a medida também visa fornecer "um pouco de ajuda" aos pecuaristas americanos diante da espera pela recuperação do rebanho local. Ele destacou que a ação é limitada porque os pecuaristas conseguem atender ao mercado, porém, eles "realmente precisavam de um pouco de ajuda e querem ver os preços caírem".
O governo busca aumentar as importações de carne bovina para lidar com a escassez de oferta doméstica. O presidente argumentou que são necessárias mais importações para proporcionar alívio imediato aos consumidores, enquanto seu governo trabalha para refazer o rebanho bovino dos EUA. Os pecuaristas, por sua vez, alertaram que importações adicionais poderiam minar os incentivos para expandir a produção nacional.
Trump anunciou a isenção de tarifas para a importação de carne bovina após se encontrar com o brasileiro Joesley Batista. O brasileiro comanda a J&F, holding com investimento em várias empresas, principalmente na JBS, uma das gigantes mundiais do setor de carne e proteína animal. Segundo o Wall Street Journal, os dois se encontraram em 20 de agosto na Casa Branca.
Na quinta-feira, entraram em vigor as restrições da União Europeia à entrada de produtos de origem animal do Brasil em países do bloco econômico. A medida atinge bovinos, aves, peixes, ovos, mel e tripas. A UE afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento das regras do bloco para o uso de antimicrobianos na produção animal. Já o Brasil contestou e criticou o veto.
Decretos de Trump
Trump assinou ontem dois decretos com o objetivo de ajudar os pecuaristas locais. Os decretos incluem permissões aos pecuaristas para protegerem seus rebanhos contra lobos cinzentos e facilitam que agricultores e pecuaristas processem e vendam alimentos produzidos em suas próprias propriedades, disse Trump durante a cerimônia de assinatura.
O movimento surge no momento em que Trump busca lidar com os preços recordes da carne bovina. Ao mesmo tempo, o governo enfrenta pressão dos pecuaristas devido à iniciativa de seu governo de aumentar as importações de carne bovina.
Os preços da carne bovina no varejo atingiram níveis recordes este ano, à medida que o rebanho bovino dos EUA caiu para seu nível mais baixo em 75 anos. A seca e os incêndios florestais contribuíram para a redução da oferta de gado, criando um problema político complexo para o governo, que tenta reduzir os custos dos alimentos sem prejudicar ainda mais os pecuaristas nacionais.
Na semana passada, o governo ampliou temporariamente o acesso a importações com tarifas mais baixas de carne bovina magra em 300 mil toneladas ao longo de três meses. A gestão Trump argumentou que são necessários suprimentos adicionais para reduzir os preços para os consumidores. A medida gerou oposição dos criadores de gado, que afirmam que o aumento das importações poderia pressionar os preços do gado nos EUA e tornar mais difícil a recuperação do rebanho nacional.
A rotulagem do país de origem tem sido uma demanda de longa data entre alguns criadores de gado dos EUA, que argumentam que os consumidores devem poder distinguir a carne bovina nacional dos produtos importados. O Congresso revogou as exigências de rotulagem obrigatória do país de origem para carne bovina e suína em 2015, após uma série de decisões da Organização Mundial do Comércio envolvendo contestações do Canadá e do México. De acordo com as regras atuais, as empresas podem usar voluntariamente o rótulo "Produto dos EUA", sujeito aos requisitos federais.
O governo também anunciou medidas para apoiar os pequenos processadores de carne. Entre as medidas estão esforços para facilitar que os pecuaristas processem seu próprio gado, desafiando o domínio das maiores empresas de abate do país.
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