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UOL Economia há 57 d • Sex, 04 Set 2026 15:51:33 -0300

Brasil tem superávit de US$ 7,4 bilhões; vendas aos EUA caem 9,7% no ano

Brasil tem superávit de US$ 7,4 bilhões; vendas aos EUA caem 9,7% no ano

O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) apresentou hoje o resultado da balança comercial brasileira de agosto, com exportações de US$ 33,16 bilhões e superávit de US$ 7,39 bilhões no mês. O desempenho inclui alta de 12,1% nas vendas aos Estados Unidos em agosto, mas o país acumula queda de 9,7% nas exportações para o mercado americano nos oito primeiros meses do ano. Os dados são os primeiros a refletir um mês inteiro de comércio sob as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O que aconteceu

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações chegaram a US$ 250,86 bilhões, alta de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025. As importações somaram US$ 195,54 bilhões, crescimento de 6,1%. O saldo comercial no ano é de US$ 55,32 bilhões.

Resultado das exportações foi puxado principalmente pela indústria extrativa. O setor teve alta de 19,6%. Na sequência, aparecem a agropecuária, que avançou 9,5%, e a indústria de transformação, com crescimento de 6,6%.

Entre os produtos que mais contribuíram estão petróleo bruto, com alta de 23,8% nas exportações. Soja aparece com 15,2%; minérios de cobre, com 80,6%; ouro não monetário, com 58,7%; carne bovina, com 22,3%; e carne de frango, com 22,4%.

Vendas aos EUA caem no ano

Exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,7% entre janeiro e agosto, para US$ 24,1 bilhões. A redução foi de US$ 2,6 bilhões em relação ao mesmo período de 2025.

Em agosto, porém, houve alta de 12,1% nas vendas aos americanos, para US$ 3,19 bilhões. Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, a oscilação não pode ser atribuída a um único fator. "Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo", disse.

Agosto já foi um mês inteiro sob efeito das novas tarifas, segundo o Mdic. Mas, o diretor destacou que tanto produtos atingidos quanto itens que ficaram de fora das medidas registraram crescimento. Aeronaves, por exemplo, estão entre os produtos excepcionados e tiveram aumento das vendas.

Duas novas medidas tarifárias dos EUA foram publicadas em julho. Elas estabeleceram sobretaxas de 25% e 12,5%, que podem ser acumuladas e chegar a 37,5% sobre determinados produtos. Segundo estimativa do Mdic baseada nas exportações de 2024, 23,1% das vendas brasileiras aos EUA estão sujeitas às novas sobretaxas, enquanto 52,7% ficaram fora delas e de outras tarifas adicionais setoriais.

Herlon disse que ainda é cedo para medir com precisão o efeito das tarifas. "É bastante difícil isolar um efeito num prazo, num período relativamente curto de tempo", afirmou. Segundo ele, pouco mais de 20% das exportações brasileiras aos EUA foram alcançadas pelas novas tarifas.

No acumulado do ano, as exportações para a América do Norte recuaram 4,15%. Entre os produtos com maiores quedas estão petróleo bruto (-31,5%), sucos de frutas e vegetais (-43,9%), café não torrado (-24,6%), alumina (-29,6%) e açúcares e melaços (-44,9%).

Brasil e Estados Unidos retomaram as negociações comerciais no fim de agosto. Representantes dos dois governos discutiram as novas tarifas em reunião no último dia 31.

China e Índia ampliam compras

Enquanto as vendas aos EUA recuaram no acumulado do ano, outros mercados registraram crescimento. As exportações para a China aumentaram 15%, de US$ 67,04 bilhões para US$ 77,07 bilhões. Para a Índia, a alta foi de 98,4%, de US$ 3,7 bilhões para US$ 7,35 bilhões.

Ministério, no entanto, ainda não identifica nos dados um redirecionamento claro das vendas que perderam espaço nos EUA. Brandão afirmou que conflitos internacionais, preços de combustíveis e fertilizantes e mudanças na oferta e na demanda também interferem no comércio exterior. "Não é que não ocorreu, mas é difícil observar nos dados e fazer essa avaliação nesse período de tempo", disse. Segundo o diretor, a busca por outros destinos é um movimento esperado diante das barreiras, mas é necessário um período maior para identificar esse efeito com segurança.

No conjunto, as exportações para a Ásia cresceram 16,2% nos oito primeiros meses do ano, enquanto as vendas para a Europa avançaram 16,17%. Na Ásia, o crescimento foi puxado principalmente por petróleo bruto e soja. Na Europa, destacaram-se soja, cobre, ouro e carne bovina.

Vendas para a União Europeia tiveram alta de 46,4% somente em agosto, para US$ 5,82 bilhões. No acumulado do ano, o crescimento é de 15%, para US$ 37,29 bilhões.

Aumento ocorre após o início, em 1º de maio, da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que reduziu tarifas para uma série de produtos. O diretor de Estatísticas do Mdic disse que o governo já recebeu relatos de exportadores beneficiados pelo acordo, mas ponderou que não é possível atribuir toda a alta ao tratado. "Provavelmente tivemos um efeito do acordo nesse período", afirmou. Segundo ele, condições de mercado também contribuíram para o crescimento.

Entre os produtos que mais ampliaram as vendas à União Europeia em agosto estão minério de cobre, petróleo, soja, óleos combustíveis, café não torrado, tabaco e carne bovina. O bloco ganhou espaço entre os destinos das exportações brasileiras no mês.

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