Após iniciar a sessão estável, o dólar subiu ante o real com a divulgação de indicadores de emprego nos Estados Unidos. A abertura de vagas veio acima do esperado, sinalizando mercado de trabalho resiliente e, por tabela, menor espaço para o Fed (Federal Reserve), Banco Central do país, cortar juros. Na Bolsa, o Ibovespa, índice das ações mais negociadas, abriu em queda, ensaiou reação, mas terminou a semana em baixa.
O que aconteceu
Dólar subiu com dados de emprego nos Estados Unidos. Logo após a abertura, a moeda americana rondava a estabilidade, a R$ 5,108, mas passou a subir depois que o governo americano divulgou indicadores de abertura de vagas e a taxa de desemprego no país. O dólar fechou cotado no comercial para venda a R$ 5,13, alta de 0,5% ante fechamento de ontem, quando a divisa caiu 0,1%.
Mercado reagiu aos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Relatório mostrou criação líquida de 162 mil vagas nos Estados Unidos, enquanto a mediana das estimativas apontava para apenas 55 mil. Os números dos meses anteriores também foram revisados para cima. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, mas houve uma recuperação importante da taxa de participação da força de trabalho, acompanhada principalmente por uma expansão do emprego. A renda do trabalho também apresentou crescimento de 0,3% no mês.
Ao mostrar um mercado de trabalho ainda vigoroso, reduzir a percepção de riscos de uma desaceleração da atividade e, ao mesmo tempo, apontar para possíveis pressões inflacionárias decorrentes de uma demanda mais aquecida, o relatório de emprego aumenta as apostas em uma postura mais restritiva do Fed, o Banco Central do país, na decisão de setembro. Esse movimento favorece os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, aumenta a atratividade dos ativos denominados em dólar e contribui para o fortalecimento da moeda americana globalmente, pressionando o real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Cenário de juros mais elevados nos EUA impacta mercados globais. Para economistas e agentes do mercado financeiro, a postura mais rígida do Federal Reserve na decisão de juros deste mês ganha espaço e tende a fortalecer o dólar ante outras moedas. No último encontro, o Banco Central americano manteve a taxa de juros de referência na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas os diretores do órgão têm alertado que as pressões inflacionárias e a resiliência da atividade econômica podem levar a um aumento dos juros neste ano.
Caso o mercado siga precificando uma nova alta de juros do Federal Reserve, o impacto tende a ser global, já que o juro americano funciona como âncora para os juros do mundo todo, puxando um dólar mais forte frente a outras moedas. Os títulos do Tesouro americano tiveram alta nesta manhã, repercutindo também no Brasil, com abertura na curva de juros. Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos
No exterior, mercado reage ainda ao comportamento do petróleo. O preço do petróleo recuou de manhã e passou a subir na parte final da sessão, após ter passado a maior parte do dia em baixa. O contrato futuro do barril do tipo Brent fechou em alta de 0,8%, a US$ 96,28, seguindo ao redor das máximas em três meses.
Dúvidas sobre fornecimento de petróleo impactam negócios. Sobre o Estreito de Hormuz, o Irã afirma que a reabertura da rota depende do aval de Teerã, enquanto os Estados Unidos dizem que o fluxo de petróleo já voltou a níveis próximos aos observados antes da guerra.
Ibovespa chegou a operar no positivo, mas perdeu força à tarde. O índice abriu em queda, virou para alta antes do meio-dia e voltou ao campo negativo na reta final, com variação negativa de 0,16%, aos 184.890 pontos. Ontem, havia fechado praticamente estável, aos 185.188 pontos, depois de uma sequência de 11 pregões sem variação negativa.
O Ibovespa abriu em queda com investidores digerindo os dados do Payroll, que reforçaram a margem para alta de juros nos Estados Unidos pelo Fed, em um cenário que é negativo para as Bolsas de maneira geral. O Brasil, como mercado emergente, acaba sentindo um pouco mais. Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital
No ambiente doméstico, investidores seguem buscando oportunidades após a forte sequência positiva do Ibovespa. Ontem, o Ibovespa fechou estável, nos 185.188 pontos, maior patamar em quatro meses, após emendar 11 pregões sem variações negativas, avançando 11,3% nessa sequência.
O avanço recente da Bolsa é sustentado principalmente por grandes empresas e pelos setores de maior peso no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, a presença de saúde, saneamento, seguros e serviços financeiros entre os destaques indica que o movimento também alcançou atividades ligadas à economia doméstica. Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta
Desempenho tem sido alimentado por retorno de investidores estrangeiros. Após fortes saídas na primeira quinzena de agosto, os aplicadores que representam 60% do giro diário de negócios na B3 passaram a registrar mais aportes que resgates na Bolsa brasileira. Segundo profissionais de mercado, papéis com preços convidativos — após quedas fortes desde julho, menos pessimismo com relação à política econômica ano que vem e demanda por ações de empresas do setor de commodities, como Petrobras e Vale, sustentaram a onda de ordens de compra.
As pesquisas eleitorais continuarão influenciando os ativos, mas nesta semana mostra que parcela relevante do cenário já foi incorporada aos preços. Para o Ibovespa seguir avançando será necessário que a queda dos juros futuros continue e que o fluxo estrangeiro se mantenha. No mercado de câmbio, o comportamento do dólar vai seguir influenciado pelo diferencial de juros brasileiro, pela perspectiva de política monetária mais dura nos Estados Unidos e pelo petróleo. Gustavo Assis, CEO da Asset.
Petrobras caiu após uma forte valorização nas últimas sessões. Com peso da ordem de 12% no principal índice da Bolsa do Brasil B3, as ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) chegaram a acumular ganhos de até 16% desde 25 de agosto, favorecidas pela alta do petróleo e por notícias da operação da companhia. Hoje, porém, os papéis terminaram em baixa mesmo com o Brent fechando em alta de 0,8%, a US$ 96,28 o barril.
Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais três poços na Foz do Amazonas. A medida apontada em documento ao qual a Reuters teve acesso representa um avanço nos esforços da empresa para produzir petróleo nessa área ambientalmente sensível na costa amazônica do Brasil, já que os novos poços são fundamentais para determinar se a recente descoberta de petróleo da Petrobras na região é comercialmente viável.
A expectativa é que em setembro tenha alguma novidade em relação à Petrobras, com a incorporação dos 20% restantes do Campo de Peregrino, e a produção podendo superar recordes nos próximos meses. Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos
Vale avançou e ajudou a conter a queda do índice. As ações da mineradora —com peso relevante de 11% no Ibovespa— fecharam em alta de 0,1%, aos R$ 78,46. Hoje, os contratos futuros de minério de ferro subiram, impulsionados por aumento nos custos de frete e redução dos estoques nos principais portos da China, com os preços registrando o segundo ganho semanal consecutivo. O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China fechou a sessão com alta de 1,04%, a 727 iuanes (US$ 108,25) por tonelada. Na semana, o contrato registrou ganho de 0,62%.
Embraer anuncia venda de aeronaves para a japonesa ANA Holdings. A fabricante brasileira assinou um acordo para a entrega de mais oito aeronaves E190-E2, ampliando de 15 para 23 o total de pedidos firmes da companhia aérea para o modelo. A encomenda confirma decisão anunciada pela ANA em julho e faz parte dos planos da empresa de expandir sua rede regional de aviação no Japão. A primeira entrega do E190-E2 está prevista para 2028, e a ANA ainda mantém opções de compra para outras cinco aeronaves do mesmo modelo. Hoje, as ações da Embraer subiram 0,81%, a R$ 94,74.
IRB ficou entre as maiores altas do dia, com avanço de 4,27%. O papel repercutiu a aprovação, pelo Senado, de um projeto que reduz a tributação de resseguradoras nacionais. O texto segue para sanção presidencial.
CVC liderou as altas entre os papéis acompanhados, com ganho de 5,03%. Minerva avançou 4,49%. Na outra ponta, Natura caiu 3,59%, Mélius recuou 3,56% após dizer que quer cortar R$ 160 milhões da própria conta e Brava perdeu 3,27%.
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