Duas empresas de acessórios femininos —a brasileira Morana Acessórios e o grupo argentino Blue Star (dono da TodoModa) —firmaram uma sociedade para expandir o número de lojas. Até 2030, a meta da Morana é abrir cem unidades em países da América Latina, onde a TodoModa já atua. Já a marca argentina, que já tinha lojas no Brasil, quer contar com a expertise da Morana para crescer via franquias.
Expansão via franquias no Brasil
A TodoModa foi criada em 1995 pelo Blue Star Group (BSG). Trata-se de uma marca de acessórios femininos com foco no público jovem. A rede tem 800 unidades no México, Chile, Argentina, Peru, Brasil, Paraguai, Uruguai e países do Caribe. Depois da Argentina, o México, onde a marca entrou em 2001, é o principal mercado (30% do faturamento global do BSG).
Até 2025, a marca tinha dez lojas no Brasil. Por conta da sociedade com a Morana, já chegou a 28. A TodoModa iniciou a operação por aqui em 2019, e a meta é ter 300 lojas em cinco anos.
Grupo visa expandir outras marcas. Adriano Magalhães, CEO da operação da TodoModa no Brasil, diz que a sociedade entre os dois grupos tem o objetivo de alavancar a expansão internacional da Morana e expandir as marcas do BSG no Brasil (sendo TodoModa em primeiro lugar e, posteriormente, Isadora, Atelier e TodoModa Beauty), usando a experiência da marca brasileira em franquias.
Marca argentina faz adaptação do portfólio ao público local. "A TodoModa faz parte de um grupo que traz tendências globais para os mercados da América Latina, mas sempre nos ajustamos ao gosto local, como no Peru, onde os consumidores gostam de um tom amarelo ouro intenso. Trabalharemos com a Morana para fazer o mesmo: se adaptar ao público de cada país, mas sem perder a sua identidade."
TodoModa tem coleções exclusivas nos países. Segundo ele, o Brasil, por exemplo, foi o único país a ter uma coleção com tema Carnaval. Para a última Copa do Mundo, a marca lançou coleções temáticas com as seleções de cada país onde atua.
Franqueados da Morana têm preferência. Jae Ho Lee, fundador da Morana, diz que as franquias da TodoModa têm sido oferecidas, preferencialmente, a bons franqueados da Morana. "Mas a expansão da TodoModa não se restringe a esse grupo. O objetivo é ampliar para todo o país."
Uma franquia da TodoModa exige investimento inicial de R$ 510 mil, já com dois meses de estoque. O faturamento médio mensal varia de R$ 130 mil a R$ 150 mil, e o lucro, de 10% a 12%. A expectativa de retorno é entre 24 e 36 meses.
Magalhães diz que a empresa usa inteligência artificial no controle do estoque. "A IA lê o que foi vendido e recomenda ao franqueado quais produtos e quantidades comprar para fazer a reposição semanal. Para o franqueado, a vantagem é não correr o risco de ter estoques encalhados nem precisar mobilizar um capital maior na compra dos acessórios. Todo o ajuste é feito em tempo real."
Entrada da Morana em países latinos
Com a sociedade, a Morana dá início ao seu plano de internacionalização. Com o know-how da TodoModa, a marca brasileira tem como meta abrir cem unidades em outros países da América Latina até 2030. A primeira, em Buenos Aires, deve ser inaugurada este mês.
Os modelos de negócio são quiosque, loja de rua e loja de shopping. Uma franquia da Morana no Brasil requer investimento inicial a partir de R$ 143 mil (quiosque), R$ 265 mil (loja de rua) ou R$ 325 mil (loja de shopping). O faturamento médio mensal é de R$ 90 mil, e o lucro fica entre 10% e 20%.
A marca brasileira foi criada em 2002, em São Paulo. Hoje, tem mais de 330 lojas e faturou R$ 402 milhões em 2025.
Expansão rápida pode trazer riscos
Expertise de cada empresa é ponto alto. Aline Casalecchi, consultora de negócios do Sebrae-SP, diz que a grande vantagem da sociedade entre Morana e TodoModa é a contribuição de cada marca com sua expertise e conhecimento dos mercados. "A sociedade abre caminhos e traz facilidades para as duas empresas: uma tem conhecimento dos países latinos, e a outra, do Brasil. Portanto, a expansão tende a se tornar mais acessível e menos custosa para as duas partes. Além disso, o tempo necessário para iniciar as operações e ganhar tração no novo mercado é significativamente reduzido, o que é crucial em setores dinâmicos como o varejo de moda."
Conhecimento do mercado agiliza a expansão. Para Aline, as marcas brasileira e argentina conhecem o mercado onde atuam e cada parceiro local possui o conhecimento e a experiência para navegar por nuances culturais, regulatórias e burocráticas, que são grandes obstáculos para empresas estrangeiras. "Isso pode agilizar o início das operações, pois as empresas já conhecem o caminho a ser percorrido."
Expansão rápida pode causar perda da qualidade e padronização. A consultora observa que a sociedade trouxe um plano de expansão ousado para as duas marcas, e faz um alerta: "A velocidade na abertura de novas unidades pode comprometer a supervisão e o treinamento adequados, resultando em uma experiência inconsistente para o cliente e na diluição da identidade da marca. Além disso, a franqueadora pode não ter estrutura interna como equipe, logística e marketing suficiente para dar o suporte necessário a um grande número de novas unidades simultaneamente, gerando insatisfação na rede e comprometendo o desempenho geral. A pressão por crescimento pode levar à seleção inadequada de franqueados ou à abertura de unidades em locais menos estratégicos, impactando a rentabilidade e a sustentabilidade dos novos negócios."
Adaptar produtos para atender à clientela. Um ponto fundamental para o sucesso dessa sociedade é a adaptação do mix de produtos. "Não podemos simplesmente assumir que o que faz sucesso no Brasil terá a mesma aceitação na Argentina, ou vice-versa. O gosto da consumidora muda muito quando cruzamos a fronteira, seja no design, no estilo, no material ou no quanto ela está disposta a pagar. Por isso, antes de levar uma coleção de um país para o outro, é essencial entender as necessidades e desejos do mercado local. O segredo não é apenas exportar produtos, mas estudar o cliente para entender o que ele realmente valoriza e entregar algo que faça sentido para ele."
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