O ministro do STF Alexandre de Moraes utiliza uma tática "macartista" da cartilha de Donald Trump ao partir ao ataque quando deveria se defender, avaliou o jurista e colunista Wálter Maierovitch no UOL News, do Canal UOL.
Em guerra exposta contra o ministro André Mendonça, Moraes pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, abertura de investigação contra o relator do caso Master por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, após a divulgação das mensagens capturadas no celular de Daniel Vorcaro.
O Moraes adotou uma tática que o próprio Trump usa com base no direito americano, na posição de um advogado macartista antiga. E o que é essa posição? É atacar quando deveria se defender. Então ele ataca ao invés de se defender. E o Fachin não percebe isso, aí é o ponto. E o Fachin começa a colocar diga aqui, diga ali, quando se trata de uma questão institucional, sobre a atuação de um magistrado, Judiciário, então o que competia a ele, sem pusilanimidade, é levar imediatamente isso a plenário e se decidir se abre ou não um processo administrativo. E no processo administrativo é que ocorre a apuração.Wálter Maierovitch
Na avaliação de Maierovitch, Fachin erra ao adotar postura conciliadora e cobrar explicações de Mendonça, Moraes e do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, sobre as relações com Daniel Vorcaro. O colunista defendeu que o caso seja levado ao plenário do STF.
Não pode-se ficar como o Fachin tá fazendo, ouve aqui, ouve ali, empurra aqui, empurra ali. Dessa maneira, é a pior das maneiras, é uma forma de não se decidir, ou seja, partir para o uso do esparadrapo quando a fratura é exposta. Não está correto isso.Wálter Maierovitch
Deve-se frisar ainda que a única coisa certa e correta foi desentranhar. Desentranhar significa tirar do processo e jogar em outro lugar, em outro procedimento, em algum lugar, porque ali está errado. E está, evidentemente, errado. O que o Moraes fez foi se aproveitar de um instrumento, ele precisava de alguma coisa para se apoiar. O que ele fez? Ele juntou documentos, inclusive um específico sem validade, e a partir daí ele fez uma representação [contra Mendonça]. Então ele usa o inquérito da fake news em interesse próprio e pra fazer o chamado fogo de encontro.Wálter Maierovitch
Mendonça é relator dos dois casos no centro da guerra aberta no STF, do Banco Master e do INSS, e entrou em conflito declarado com Moraes e com o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chegando a tomar depoimento sigiloso de Daniel Vorcaro — com quem teve um encontro em março de 2025 — sem presença da PF.
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