O dólar é negociado em baixa ante o real nesta quarta-feira, a R$ 5,11, e o índice das ações mais negociadas Ibovespa tem alta firme, em sessão influenciada pelo fluxo positivo de recursos para o Brasil nesta semana, apesar do preço do petróleo, nas máximas em três meses, seguir provocando receio de mais inflação no mundo. No ambiente doméstico, expectativa de uma disputa mais acirrada nas eleições presidenciais também alimenta aplicações na renda variável, com participação de investidores locais e estrangeiros nas ordens de compra.
O que aconteceu
Dólar tem sessão de queda ante o real. No comercial para a venda, a moeda americana estava cotada nesta quarta-feira às 14h50 a R$ 5,108 variação de menos 0,93% ante fechamento de ontem.
No exterior, preço do petróleo continua alimentando aversão a risco. O contrato futuro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, com entrega para dezembro cedia 1,3% às 10h10, cotado a US$ 95,86, ainda ao redor do maior preço desde o começo de junho. O comportamento é determinado por trocas de ataques do Irã e dos Estados Unidos na guerra no Oriente Médio, que dura mais de seis meses, impactando a produção e fornecimento de petróleo no Estreito de Hormuz, a região por onde passam mais de 20% do fornecimento mundial da principal fonte de energia da economia global.
Petróleo caro aumenta pressões de inflação que podem levar os bancos centrais pelo mundo a elevar juros. Esse cenário é negativo para crescimento de vendas e de lucros das empresas que têm ações no mercado. Por isso, Bolsas operam em queda nos principais mercados globais, de Wall Street e Europa à Ásia.
No ambiente doméstico, investidores reagem ainda aos dados da indústria, divulgados pelo IBGE hoje. Em julho de 2026, a produção industrial variou 0,2% frente a junho, interrompendo dois meses consecutivos de taxas negativas. Apesar da variação positiva no mês passado, todas as demais bases de comparação pioraram, nas variação em 12 meses, no acumulado em 2026 e na média móvel, com destaque negativo para bens de capital, com forte retração de 4,9% neste ano.
Política brasileira influencia agentes de mercado. Pesquisa de intenção de votos divulgada hoje mostrou redução da diferença entre o Presidente Lula, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição. Também provocam reações no mercado as revelações sobre relações entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para analistas, disputa mais acirrada favorece um ambiente de política fiscal mais conservadora ano que vem, abrindo espaço para maior queda de juros ano que vem.
A proposta do governo segue modelo desenvolvimentista, com bancos públicos impulsionando o crescimento econômico, com aposta em crédito subsidiado e renegociação de dívidas para aliviar as famílias e estimular o consumo. Já a plataforma da oposição adota abordagem mais voltada para o mercado e fiscalmente conservadora, argumentando que juros mais baixos devem resultar de disciplina fiscal, inflação controlada, redução da dívida pública e maior confiança dos investidores. Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi, analistas do Citi
Bolsa brasileira segue dependendo do fluxo externo. Os estrangeiros respondem por cerca de 60% do giro de negócios na B3. Por isso, a presença desses aplicadores do nosso mercado eleva o potencial de valorização das ações aqui perde força. O saldo do fluxo externo tem sido positivo nas últimas sete sessões.
Ibovespa tem sessão de alta firme. Mantendo o desempenho positivo de ontem, o índice das ações mais negociadas na Bolsa do Brasil B3 chegou a subir 3,10% às 12h50, marcando 184.962 pontos, maior patamar — considerando fechamento — desde 7 de maio último. Por volta das 14h45 subia 2,77%, a 184.705 pontos.
O Ibovespa segue descolado de Wall Street, sustentado principalmente pelo aumento das apostas em uma disputa eleitoral mais competitiva. Petrobras voltou a ser protagonista, beneficiadas simultaneamente pelo petróleo e pelo ambiente eleitoral. Banco do Brasil também tem forte desempenho, assim como a Vale. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora
Indicador já subiu 1,3% ontem, para perto de 180 mil pontos. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuperou ontem o patamar que tinha em 12 de maio, após o indicador registrar nove pregões de alta nas últimas dez sessões. O desempenho tem sido alimentado por ordens de compra de estrangeiros para papéis de peso no Ibovespa, como Petrobras e Vale.
Além do fator político, o motor do índice tem tração exercida pelos papéis de grande peso ligados a commodities, que seguem atraindo o fluxo de capital de investidores estrangeiros. Esse movimento reflete uma postura de seletividade no mercado doméstico, no qual o capital internacional busca alocação em empresas de forte geração de caixa e atraentes pagadoras de dividendos, blindando parte da bolsa brasileira contra oscilações mais bruscas do cenário global. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad
Ações da Petrobras ajudaram a dar alguma sustentação ao Ibovespa. Com peso da ordem de 12% no principal índice da Bolsa do Brasil B3, as ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) subiram 4% ontem, fechando nos maiores preços em quatro meses. A companhia tem sido beneficiada pela alta do preço do petróleo. Hoje, papéis seguem em alta, avançando perto de 1%.
Vale também sobe e ajuda Ibovespa no pregão. As ações da mineradora — com peso relevante de 11% no Ibovespa — sobem 4% às 11h30, valendo 81,38, também influenciadas positivamente pela entrada de recursos de estrangeiros.
Ações da Azzas sobem até 12,5% na Bolsa após anúncio de reestruturação. Os papéis com direito a voto chegaram a valer R$ 16,96 (+12,54%) às 10h50, na máxima do dia. Às 11h20, subiam 11,55%, a R$ 16,81. Reorganização societária vai separar a Azzas nas marcas independentes Arezzo&Co e SOMA. O grupo será dividido em duas empresas independentes de capital aberto e terá ainda a criação de uma estrutura gerenciada em conjunto para a grife Farm Rio.
Citi rebaixa Natura para venda e corta preço-alvo de R$ 10 para R$ 8. O Citi rebaixou a recomendação de investimento nas ações da empresa de cosméticos, de neutra para venda, com preço-alvo recuando das ações da Natura de R$ 10 para R$ 8 por papel citando a recuperação mais lenta dos negócios, desafios operacionais e potencial limitado de valorização das ações. As ações ON (ordinárias, com direito a voto), fecharam ontem a R$ 8,79, 18% acima da mínima no ano, que foi de R$ 7,43, em 18 de junho. A máxima neste ano foi R$ 10,70, em 7 de maio.
Venda de aeroportos rende R$ 5,2 bilhões ao caixa da Motiva. A empresa de logística concluiu ontem a venda da plataforma de 20 aeroportos à mexicana Asur por R$ 12,21 bilhões, informou a companhia. Além dos recursos em caixa, outros R$ 7,024 bilhões correspondem à dívida líquida dos ativos transferidos, com valores atualizados pela inflação e por ajustes de balanço. Ações da empresa subiram 1,5% ontem, a R$ 15,69.
Pagbank quer distribuir total de R$ 2 bilhões em dividendos até 2028. O banco digital anunciou ontem que espera distribuir dividendos de pelo menos R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1 bilhão em 2028 e que aprovou novo programa de recompra de ações, segundo comunicado ao mercado norte-americano. A empresa pretende ainda desembolsar até US$ 150 milhões (R$ 773 milhões, aproximadamente) no quarto programa de recompra de ações lançado ontem, sem prazo definido.
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