Um áudio enviado pelo presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, vazou na noite da última terça-feira (1º) e expôs a pressão da atual diretoria pela aprovação do contrato com a Ticketmaster.
Na mensagem de voz, Massis pede que conselheiros e integrantes da imprensa ajudem a garantir que o acordo seja colocado em votação pelo Conselho Deliberativo e afirma que a paralisação do processo causaria consequências financeiras: "Não vai ter dinheiro pra pagar nada".
A mensagem foi inicialmente enviada em um grupo interno da diretoria. O UOL apurou que Massis acabou encaminhando por engano o áudio para outras pessoas pelo WhatsApp, o que provocou o vazamento.
A Ticketmaster assumiria a venda de ingressos e a gestão do programa de sócio-torcedor do São Paulo pelos próximos cinco anos. O contrato já foi aprovado pelo Conselho de Administração, mas ainda precisa passar pelo Conselho Deliberativo.
No áudio, Massis relata uma situação envolvendo o conselheiro Adilson Alves Martins, nome relevante da chapa de Situação, e Henrique Gomes, conhecido como Baby, líder da torcida organizada Independente.
Segundo o presidente são-paulino, Adilson teria prometido a Baby que os direitos de imagem atrasados dos jogadores seriam quitados até o fim de setembro. Massis afirma que não autorizou a promessa.
"Adilson parece que foi com o Baby, da Independente, que outro dia ligou pra ele, e ele falou isso. Prometeu que até o dia 30 de setembro estaria tudo pago. Eu nunca falei isso com ninguém", afirma Massis no áudio.
Na sequência, o presidente diz ter questionado Adilson sobre a promessa.
"Acho que ele percebeu a bobagem que ele fez e me ligou em seguida. 'Ah, desculpa, eu não tive jeito'. Falei: 'pô, mas você pode fazer isso, não tem autorização', mas o estrago já tinha sido feito. O Baby colocou na rede social da Independente, todo mundo que acompanha viu e 'tão' direto agora falando isso", relata.
Massis então pede ao assessor que inicie uma mobilização para que o contrato com a Ticketmaster seja colocado em votação no Conselho Deliberativo.
"Agora eu preciso que vocês, todos vocês da mídia, ajudem a fazer o presidente do CD colocar na pauta para ser votado. Se segurar e não for votado nós não vamos cumprir nada, não vai ter dinheiro pra pagar nada, entendeu? Tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar, aí recai sobre a minha pessoa", completou o presidente.
Guerra política
O vazamento ocorre em meio a uma disputa política nos bastidores do São Paulo em torno do contrato com a Ticketmaster.
O acordo passou a ser questionado por conselheiros e também pela NewC, empresa dinamarquesa que participou da concorrência e acabou perdendo a disputa para a Ticketmaster.
Diante dos questionamentos, Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo, criou uma comissão para analisar o contrato. O grupo é formado por quatro conselheiros e passou a avaliar os termos do acordo antes que o tema seja submetido ao plenário do Conselho.
A criação da comissão atrasa a votação do contrato. Enquanto isso, a diretoria de Harry Massis defende que a aprovação ocorra o quanto antes, principalmente pelo impacto financeiro que o acordo pode representar para o clube.
Um dos principais pontos do contrato é a previsão de R$ 140 milhões em receita antecipada para o São Paulo.
É justamente esse valor que, segundo Harry Massis, seria fundamental para colocar em dia os pagamentos atrasados de direitos de imagem do elenco.
O contrato, porém, ainda depende da análise e da votação do Conselho Deliberativo. Até que o processo seja concluído, a diretoria não poderá contar com a antecipação prevista no acordo.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.