Publicidade
Espaço para Google AdSense (Top Leaderboard)
UOL há 61 d • Sáb, 29 Ago 2026 23:00:00 -0300

Esclerose múltipla também afeta crianças; diagnóstico e tratamento precoces levam a maior controle da doença

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune, inflamatória e crônica. É caracterizada pela presença de cicatrizes —as escleroses— ao longo do sistema nervoso. Por isso, o impulso elétrico dos neurônios não é corretamente transmitido, o que provoca sintomas como falta de equilíbrio, tontura, visão embaçada, dificuldade de raciocínio, entre outros.

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, neste domingo (30), especialistas destacam que a doença não condiz mais com a imagem incapacitante que a marcou no passado. E também não deve ser associada a idade ou envelhecimento.

Com os protocolos mais eficazes e tratamentos menos agressivos, os pacientes conseguem ter uma evolução controlada do quadro, evitando sequelas graves a partir de um diagnóstico precoce.

"Popularmente, a palavra ‘esclerose’ é bastante associada ao envelhecimento para se referir a pessoas idosas com perda de memória ou declínio cognitivo. Essa associação faz com que muitas pessoas imaginem que a EM seja uma doença de pessoas mais velhas", diz Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da SBNI (Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil).

Fragomeni, que também é responsável pelo Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, diz que a EM ocorre principalmente em mulheres jovens, com idade entre 20 e 30 anos.

"Como no adulto não é uma doença tão rara, a gente precisa reforçar que existe esclerose múltipla na faixa etária pediátrica, pois 3% a 5% dos casos têm os primeiros sintomas antes dos 18 anos", alerta a neurologista.

A médica Renata Paolilo, responsável pelo serviço de neuroimunologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), reforça que critérios diagnósticos da EM foram atualizados recentemente, podendo ser aplicados em jovens também.

"Infelizmente, o diagnóstico de EM ainda traz bastante estigma negativo, mas isso decorre de dados do passado, de uma fase em que nós não tínhamos acesso a diagnóstico e tratamento precoces", diz a neurologista infantil do HC.

Fellipe Mello Negrisoli, 12, tem esclerose múltipla pediátrica e busca ser discreto sobre o quadro. "Muitas pessoas me perguntam como isso funciona. Costumo dar apenas uma breve explicação, sem entrar em muitos detalhes, porque nem sempre é fácil falar sobre algo tão delicado", conta o menino.

Ele faz tratamento no HC há cerca de um ano e está com uma medicação nova que deve lhe assegurar estabilidade, porém ainda fica preocupado. "O mais difícil é conviver com a incerteza de um novo surto. Mas mesmo depois do diagnóstico, sigo na mesma: brinco, relaxo, vou para a escola e levo tudo numa boa."

A mãe dele, Sandra Mello, 53, é administradora de empresas e conta que o problema começou com um formigamento nos dedos dos pés e um quadro gripal. Não havia histórico de EM na família. O otorrino sugeriu que os sintomas poderiam estar relacionados a outras condições e recomendou avaliação com um ortopedista.

O exame clínico ortopédico levou a quatro ressonâncias —três da coluna e uma do crânio. Mesmo depois de passar pelo neurologista e de surgirem outros sintomas, o quadro ainda era inconclusivo. "Dois dias depois, foi fazer uma prova e não conseguiu escrever devido a um tremor nas mãos. O neurologista recomendou levá-lo imediatamente ao pronto-socorro para internação", diz a mãe.

Havia uma inflamação na medula e o tratamento foi iniciado para conter o surto. A alta veio em cinco dias, mas o resultado definitivo da punção só chegou um mês depois, com a indicação de "presença de bandas oligoclonais", um marcador laboratorial encontrado no líquor (líquido cefalorraquidiano) comum na EM.

Esclerose múltipla: estudo pioneiro usa genética para entender a resposta de pacientes aos medicamentos

Exame em estudo pode antecipar diagnóstico da esclerose múltipla em 7 anos

Pacientes com esclerose múltipla enfrentam falta de medicação pelo SUS

Como o convênio se recusou a fornecer a medicação, Fellipe foi tratado com corticoides até que a família conseguiu o remédio via liminar na Justiça.

"Ficamos sem chão, sem entender o que viria pela frente, tomados pelo medo. Em abril, conseguimos aplicar as duas primeiras doses do remédio Ocrevus, mas foi um processo longo e doloroso para alcançar essa fase de estabilidade, com muita dificuldade de aceitação, principalmente por se tratar de uma criança tão saudável até então", conta Sandra.

A previsão é de que, com o medicamento, não ocorram mais surtos e a doença fique controlada.

Entenda a esclerose múltipla

A Federação Internacional de Esclerose Múltipla estima que 2,9 milhões de pessoas no mundo têm a doença. No Brasil, segundo a Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), são aproximadamente 40 mil.

No cenário brasileiro, uma análise de exames de ressonância magnética feita pela Fidi (Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde) apontou que, entre janeiro e junho de 2026, 75% dos diagnósticos foram feitos na fase adulta (19 a 59 anos) e 77% em mulheres.

O perfil prevalente é atribuído a fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais típicos da doença.

O termo esclerose, em si, só quer dizer que houve um enrijecimento ou cicatrização de um tecido do corpo —é possível esclerosar, por exemplo, estômago, artérias e até ossos, entre outras partes do corpo.

No caso da esclerose múltipla, ocorre uma falha no sistema imunológico que faz o próprio organismo atacar e levar à esclerose fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. A EM afeta, assim, equilíbrio, sensibilidade física e visão.

"Hoje temos medicações mais eficazes com formas de administração menos agressivas para criança, que garantem uma maior estabilidade da doença", afirma Paolillo.

Essa realidade, diz a neurologista, representa "uma menor evolução para incapacidade, assim como para níveis de dependência e sequelas cognitivas ou motoras".

Como diagnosticar e tratar a esclerose múltipla

As ressonâncias magnéticas (RM) são os exames mais comuns para detectar a EM, mas precisam de boa avaliação clínica. "Na esclerose múltipla, não basta apenas identificar se existe uma alteração, mas entender onde ela está localizada, suas características e como esse quadro se comporta ao longo do tempo", diz Harley De Nicola, radiologista e superintendente médico da Fidi.

Os sintomas são comuns a pacientes adultos e pediátricos, mas podem variar entre indivíduos, podendo incluir alterações visuais, perda de força, formigamento, fadiga, dificuldades de equilíbrio e de coordenação e alterações cognitivas.

Ainda não há cura, mas a Fidi reforça que "os tratamentos disponíveis podem ajudar a controlar a atividade da doença, reduzir surtos e retardar sua progressão".

"Quanto mais rápido o diagnóstico é feito após o início dos sintomas, melhor vai ser o futuro desse paciente", afirma Fragomeni.

Entre os pacientes mais jovens, a comunidade escolar pode ajudar com apoio psicológico, estímulo a exercícios e boa nutrição.

"O objetivo é que a criança tenha uma vida normal, com bastante qualidade de vida. É muito recomendado atividade física, rotina de sono e alimentação regulares, e que não tenha limitações para outras atividades", diz Paolilo.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Recurso exclusivo para assinantes

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Publicidade Recomendada
Espaço para Google AdSense (In-Article Responsive)
Fonte da Notícia: UOL
0 leituras Voltar ao Feed
Publicidade
Espaço para Google AdSense (Article Bottom)

Leia a Seguir

Matérias selecionadas sobre o mesmo assunto para continuar sua leitura
SOROCABA - SP
CARREGANDO...
--°C
TEMPERATURA
Sensação --°C
Umidade --%
Vento --
PREVISÃO — 5 DIAS
Toque para detalhes
Carregando previsão...
DETALHES --
Mínima--
Máxima--
Chuva--
Volume--
Nascer--
Pôr Sol--
Índice UV--
Vento Máx.--
Previsão por Hora
Fonte: Open-Meteo ECMWF / NOAA

Rodízio de Veículos SP

Centro Expandido • CET-SP
Liberado no Momento
Sexta-feira • 30/10
9 & 0
Veículos com finais 9 e 0 não circulam nos picos

Encerrado por hoje. Retoma amanhã às 07h00.

SEG 1/2
TER 3/4
QUA 5/6
QUI 7/8
SEX 9/0
07h-10h & 17h-20h Multa R$ 130,16

Trânsito & Rodovias

São Paulo & Principais Vias
Tempo Real
Marginal Tietê
Livre
Ayrton Senna ↔ Castello Pistas livres em ambos os sentidos
Marginal Pinheiros
Livre
Interlagos ↔ Castello Pistas expressa e local livres
Rod. Castello Branco (SP-280)
Livre
São Paulo ↔ Barueri ↔ Sorocaba Pista expressa e marginal com tráfego livre
Rod. Raposo Tavares (SP-270)
Normal
São Paulo ↔ Cotia ↔ Sorocaba Trecho de serra e pista dupla com boas condições
Rodoanel Mário Covas (SP-021)
Livre
Trecho Oeste e Sul Tráfego livre sem retenções nos acessos às rodovias
Rod. dos Bandeirantes (SP-348)
Livre
São Paulo ↔ Campinas / Interior Excelente fluidez em ambas as pistas e pedágios normais
Atualizado às 23:56

Widgets para o seu Site

Notícias e Clima em tempo real

Incorpore notícias de mais de 20 portais e previsão do tempo em seu blog ou portal com 1 linha de código.

Criar Widget Grátis
Publicidade
Google AdSense Sidebar 300x250
A Seguir • CNN Brasil
Governo de SP cria diagnóstico sobre perdas para apoiar produtor rural