Após recuar ontem ante o real pela primeira vez em seis sessões, o dólar voltou a subir hoje, a R$ 5,22, perto do maior patamar desde março. Na Bolsa, o índice das ações mais negociadas abriu o pregão de hoje em alta, após dez sessões seguidas de baixa, mas perdeu força, pressionado pela saída de recursos estrangeiros, que supera os R$ 15 bilhões em agosto. Investidores ajustam posições no segmento de varejo, após pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.
O que aconteceu
Dólar fechou com viés de alta. A moeda dos Estados Unidos fechou o dia negociada no comercial para a venda a R$ 5,222, alta de 0,40% em relação ao fechamento de ontem, quando teve a primeira queda após cinco sessões seguidas de alta.
Petróleo em alta influencia queda das Bolsa no exterior. O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Hormuz, rota marítima por onde passavam 20% do fornecimento global da principal fonte de energia antes da guerra, mantém a aversão ao risco entre investidores. O contrato futuro com entrega para outubro do barril do tipo Brent é negociado hoje acima de US$ 90, tendo batido US$ 92 na máxima do dia. Os índices acionários recuaram na Ásia e têm viés negativo na Europa e Wall Street.
No exterior, as tensões entre Washington e Teerã seguem no radar, com Trump ameaçando o Omã caso o país atrapalhe os planos americanos para o Estreito de Hormuz. O petróleo se mantém perto de US$ 90 e o mercado segue sem apetite para grandes apostas. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad
Ibovespa patina após abertura positiva. O principal índice de ações da B3, a Bolsa brasileira, fechou o pregou em baixa de 0,27%, marcando 166.334 pontos, depois de ter atingido máxima de 168.372 pontos (+0,95%) às 11h. Foi o 11º pregão consecutivo de baixa, acumulando perda de 7% na sequência. No ano, o Ibovespa acumula alta de apenas 3,5%. Na máxima do ano, em 15 de abril, quando atingiu 198.657 pontos, tinha um ganho em 2026 de 23%.
Estrangeiros seguem tirando recursos da Bolsa brasileira. O saldo líquido dos investidores estrangeiros na B3 acumula saída de R$ 15,63 bilhões em agosto até o dia 13, segundo levantamento da Elos Ayta.
O resultado já representa a maior saída mensal registrada pela série histórica acompanhada pela consultoria desde janeiro de 2022, superando inclusive o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões observado em maio deste ano. Com isso, 2026 passa a concentrar as duas maiores saídas mensais da amostra. Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta
Investidores ajustam posições após pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. O tombo de 33% das ações da empresa ontem refletiu a saída de aplicadores que alocaram parte dos recursos em outras companhias do mesmo setor, caso do Magazine Luiza.
Ações da Casas Bahia seguem pressionadas. Ontem, as ações da empresa recuaram 33,3%, para R$ 0,44. Bancos e fabricantes de eletrônicos estão entre os maiores credores listados pela empresa cujas dívidas entraram no pedido de recuperação judicial. Hoje, os papéis recuavam 4,6%, a R$ 0,42 às 15h.
No varejo, Magazine Luiza teve sessão de alta ontem. Nos ajustes dos aplicadores, a ação da Magalu foi beneficiada, fechando o dia anterior em alta de 8,2%, a R$ 4,23. Hoje, as ações rondam a estabilidade.
Papéis da Americanas também subiram. Os papéis da rede — que ainda aguarda julgamento do pedido de encerramento de sua recuperação judicial — subiram 1,6%, a R$ 3,80. Na Bolsa, perto das 12h hoje, as ações seguiam em alta, variando 3,16%, para R$ 3,92.
Petrobras 'extremamente otimista' com nova descoberta. A presidente da companhia, Magda Chambriard, reiterou ontem que a estatal está "extremamente otimista" com os resultados da descoberta de petróleo no poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Segundo ela, a perfuração deve ser concluída em cerca de 15 dias. A presidente da estatal explicou que, após a conclusão da perfuração, o próximo passo é delimitar a descoberta, ou seja, medir a extensão e o volume recuperável do reservatório. Hoje, as ações PN da companhia subiam 0,7% às 15h, cotadas a R$ 42,82.
XP reportou crescimento do lucro e falou sobre ter banco nos Estados Unidos. A instituição financeira reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão para o segundo trimestre. A receita bruta atingiu R$ 5,056 bilhões, um aumento de 8% na comparação anual e de 3% quando comparada ao primeiro trimestre. Em entrevista, o CEO da XP Inc, Thiago Maffra, disse que seria uma evolução natural o grupo ter um banco no mercado norte-americano. As ações da XP negociadas na Bolsa eletrônica americana Nasdaq subiam 0,06% às 12h (horário de Brasília), cotadas a US$ 15,71.
Agência rebaixa Braskem, em inadimplência restrita após atrasar juros. A Fitch Ratings rebaixou a Braskem para RD, classificação de inadimplência restrita, após a empresa não pagar juros de obrigações financeiras no fim do período de carência. A companhia também anunciou que a Braskem Idesa, joint venture que tem no México com a mexicana Idesa, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos. Na Bolsa, as ações da petroquímica brasileira recuavam 0,2%, a R$ 4,32 por volta das 11h50.
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