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Canaltech há 97 d • 27/07/2026 20:59

Seu setup pode ser o elo mais fraco da segurança digital da empresa

Por Jairo Rozenblit | 27/07/2026 às 17:59

Quando pensamos em segurança digital, quase sempre imaginamos antivírus, autenticação em dois fatores, firewalls ou treinamentos contra phishing. Tudo isso continua sendo indispensável. Mas existe um elemento que costuma ficar fora dessa conversa e que, paradoxalmente, está presente na mesa de praticamente todos os profissionais: o hardware.

Teclados, mouses, webcams, headsets e receptores USB deixaram há muito tempo de ser apenas acessórios. Eles fazem parte da infraestrutura tecnológica de qualquer empresa e, como qualquer dispositivo conectado, também precisam ser vistos sob a ótica da segurança.

Por que o hardware entrou na estratégia de cibersegurança

Essa mudança de perspectiva se tornou ainda mais importante nos últimos anos. O trabalho híbrido ampliou o número de dispositivos conectados, espalhou colaboradores por diferentes redes domésticas e reduziu o controle físico sobre os equipamentos utilizados diariamente. A superfície de ataque cresceu e ela não termina no notebook.

Durante muito tempo, a discussão sobre segurança concentrou-se quase exclusivamente no software. Atualizar sistemas operacionais, corrigir vulnerabilidades e instalar ferramentas de proteção continua sendo essencial. Mas proteger apenas uma camada da tecnologia é como instalar uma porta blindada em uma casa que continua com as janelas abertas.

É justamente por isso empresas vêm reforçando uma abordagem baseada em múltiplas camadas deproteção. Segurança não depende de um único recurso, mas da combinação entre equipamentos, software, pessoas e processos.

Pouca gente sabe, por exemplo, que dispositivos sem fio podem se tornar alvo de tentativas de interceptação quando utilizam protocolos antigos ou mecanismos de pareamento menos robustos. Dependendo da tecnologia empregada, criminosos podem tentar capturar comunicações, simular dispositivos legítimos ou explorar falhas conhecidas durante o processo de conexão. Não significa que qualquer mouse ou teclado seja vulnerável, mas significa que a segurança da conexão também importa.

Isso é particularmente relevante porque esses equipamentos representam justamente o primeiro ponto de contato entre o usuário e o computador. Cada clique do mouse e cada tecla digitada passam por essa comunicação antes mesmo de chegar ao sistema operacional.

Na prática, proteger esse canal significa reduzir uma camada inteira de risco.

Uma estratégia de segurança de ponta a ponta

É exatamente essa lógica que vem orientando a evolução dos periféricos corporativos. Um bom exemplo é o Logi Bolt, tecnologia desenvolvida pela Logitech para ambientes profissionais que combina criptografia forte, autenticação durante o pareamento e mecanismos projetados para reduzir tentativas de interceptação da comunicação entre periférico e computador. Baseado no Bluetooth Low Energy Security Mode 1, Security Level 4, o protocolo utiliza conexões autenticadas e criptografadas, criando um canal exclusivo entre o dispositivo e seu receptor USB.

Na prática, isso significa que não basta um equipamento "parecido" tentar se comunicar com o computador. A autenticação faz parte da própria arquitetura da conexão, dificultando ataques de spoofing, injeção de comandos e tentativas de interceptação durante o uso. Segundo a documentação técnica da Logitech, as chaves criptográficas permanecem protegidas no receptor e um novo dispositivo só pode ser emparelhado quando o receptor entra explicitamente em modo de pareamento.

Mais do que uma característica técnica, essa evolução representa uma mudança de mentalidade.

Durante muito tempo escolhemos periféricos considerando apenas conforto, ergonomia, bateria ou desempenho. Todos esses fatores continuam importantes, mas hoje existe um novo critério que deveria entrar nessa lista: segurança.

A boa notícia é que o usuário não precisa ser especialista em criptografia para adotar boas práticas. Algumas atitudes simples já fazem diferença.

A primeira delas é manter firmware e softwares de gerenciamento sempre atualizados. Assim como acontece com sistemas operacionais, fabricantes frequentemente disponibilizam correções de segurança para seus dispositivos.

Também vale optar por equipamentos de fabricantes que adotem protocolos modernos de comunicação e invistam continuamente em atualizações de segurança, especialmente em ambientes corporativos, onde uma única vulnerabilidade pode impactar toda a organização.

Outro cuidado importante é evitar receptores desconhecidos, adaptadores de origem duvidosa ou dispositivos cuja procedência não seja confiável. Em segurança digital, conveniência nunca deve ser mais importante que confiança.

Não existe antivírus capaz de compensar completamente um dispositivo inseguro. Da mesma forma, um periférico moderno não substitui políticas de acesso, autenticação multifator ou treinamento de usuários. A proteção mais eficiente acontece quando todas essas camadas trabalham juntas.

Nos próximos anos, veremos a inteligência artificial transformar a maneira como utilizamos computadores. Os ambientes de trabalho serão cada vez mais conectados, inteligentes e automatizados. Isso tornará ainda mais importante garantir que cada ponto dessa cadeia seja confiável.

Talvez a maior evolução da segurança digital não esteja apenas nos softwares que usamos, mas na percepção de que toda tecnologia conectada faz parte da estratégia de proteção.

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Fonte da Notícia: Canaltech
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