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UOL Economia há 83 d • Qua, 12 Ago 2026 05:30:00 -0300

Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas têm teste de caixa nos balanços

Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas têm teste de caixa nos balanços

Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas divulgam hoje seus balanços do segundo trimestre em meio à preocupação dos investidores com a situação financeira das empresas.

O que você precisa saber

Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas divulgam hoje seus resultados após o fechamento do mercado. A análise dos investidores deve se concentrar na geração de caixa, no endividamento e na capacidade de sustentar as operações, mais do que em lucro ou dividendos, segundo relatórios de mercado das corretoras XP e BTG Pactual.

As três companhias estão em momentos diferentes de seus processos de reestruturação. Casas Bahia tenta consolidar uma melhora operacional e financeira; Americanas busca mostrar que consegue operar de forma sustentável após a crise que levou à recuperação judicial; e Oncoclínicas acaba de iniciar uma recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas.

Em comum, o desafio é transformar os planos de reestruturação em geração de caixa suficiente para manter as operações. Por isso, os números do segundo trimestre devem ser avaliados pelo mercado principalmente pela evolução do caixa e da dívida, adiantam analistas.

Casas Bahia precisa mostrar que a operação comercial parou de queimar dinheiro. A varejista vem passando por um processo de reestruturação para reduzir a alavancagem e melhorar a geração de caixa. No primeiro trimestre, a companhia reduziu a dívida líquida, mas parte importante desse movimento veio da conversão de dívida em capital.

A conversão de debêntures em ações ajudou a aliviar o peso dos compromissos financeiros. A operação reduz a pressão sobre a estrutura de capital, mas não resolve sozinha o desafio de fazer a operação gerar caixa de forma recorrente.

Genial Investimentos avalia que a conversão gerará impacto positivo. "A conversão pode ajudar a reprecificar o risco de crédito e aliviar a estrutura de capital, reduzindo a dívida líquida", afirma a corretora, ponderando que juros altos e crédito restrito ainda atrapalham as vendas.

É justamente essa melhora que o mercado deve procurar no balanço. O Itaú BBA avalia que a companhia apresentou uma recuperação operacional relevante, mas ainda há pontos de atenção para a tese de investimento.

Americanas ainda está em recuperação judicial após a descoberta de uma fraude bilionária. A companhia já protocolou pedido para encerrar o processo e afirma ter cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação, mas a situação ainda depende da conclusão do processo judicial.

Principal termômetro do balanço será entender se a varejista consegue sustentar a operação sem comprometer novamente sua liquidez. Depois de uma profunda reestruturação, a companhia precisa mostrar que a melhora dos resultados não depende apenas das medidas previstas no plano de recuperação.

Gestores do mercado financeiro também devem acompanhar a evolução da geração de caixa e da dívida. O objetivo é verificar se a operação consegue financiar suas necessidades e avançar na recuperação sem voltar a depender de medidas extraordinárias para preservar o caixa.

Oncoclínicas

Oncoclínicas enfrenta forte pressão financeira após pedir recuperação extrajudicial. A empresa tenta renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. O processamento do pedido foi deferido pela Justiça no início de agosto, com período de proteção de 180 dias.

Objetivo da reestruturação é preservar a operação enquanto a companhia reorganiza suas obrigações financeiras. A empresa afirma que o processo não deve afetar o atendimento aos pacientes nem os pagamentos a fornecedores, mas a situação de caixa é um dos principais pontos de atenção.

Banco BTG Pactual alerta que a crise de liquidez já atrapalha operações do grupo de saúde. "A pressão de liquidez agora está afetando diretamente as operações, com a escassez de medicamentos refletindo menor disponibilidade de caixa e interrupções nas compras", destaca o banco.

Agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa em março e abril de 2026. Segundo a agência, a "aprovação, pelos credores, da extensão do prazo de pagamento dos juros" de parte das debêntures caracteriza "um evento de inadimplência restrita".

Oi tem balanço adiado

Oi enfrenta uma situação ainda mais complexa para apresentar seus resultados. A companhia vem adiando a divulgação de balanços em meio ao processo de recuperação judicial e aos impactos da reestruturação nas demonstrações financeiras.

Operadora tenta acelerar a venda de ativos para reforçar o caixa. Entre os principais negócios envolvidos na estratégia está a ClientCo, unidade que reúne clientes de fibra óptica. A geração de caixa e a capacidade de concluir as vendas previstas são pontos centrais para a continuidade da reestruturação.

Atraso na divulgação dos resultados também é um sinal da complexidade do processo. Em relatórios a clientes, corretoras apontam que a reestruturação da operadora pode levar anos e exige acompanhamento próximo da geração de caixa. A Oi precisa conciliar a elaboração das demonstrações financeiras com os efeitos da recuperação judicial e das negociações envolvendo seus ativos.

O olho do mercado

Apesar das diferenças, as empresas têm um desafio em comum: provar que a reestruturação financeira consegue preservar a operação. No caso da Casas Bahia, o mercado quer saber se a melhora operacional pode se transformar em geração recorrente de caixa. Na Americanas, a questão é se a empresa consegue sustentar o negócio depois da profunda reestruturação. Na Oncoclínicas, a prioridade é atravessar a renegociação das dívidas sem comprometer as atividades.

Para os investidores, o lucro não será o único indicador. Caixa, dívida, consumo de recursos e capacidade de financiar as operações devem dizer mais sobre a saúde financeira dessas empresas e sobre a capacidade de seus planos de reestruturação.

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Fonte da Notícia: UOL Economia
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