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UOL Economia há 88 d • Sex, 07 Ago 2026 05:30:00 -0300

Agências montam grupos de viagem só de mulheres; pacote chega a R$ 26 mil

Agências montam grupos de viagem só de mulheres; pacote chega a R$ 26 mil

Essa é para as mulheres que querem viajar, mas não gostam de se aventurar sozinhas. Existem agências e plataformas de viagens focadas exclusivamente no público feminino. O UOL ouviu duas empresas deste setor. Mas se preparem: os pacotes podem chegar a R$ 25,9 mil.

3 países mais procurados em 2026

A Fuga foi criada em 2018, em São Paulo. É uma plataforma de viagens em grupo para mulheres. Amanda Noventa, 43, escrevia em blogs e no Instagram sobre suas viagens sozinha pelo mundo e lugares mais complicados para uma mulher viver e viajar. Aos poucos, reuniu uma comunidade de mulheres interessadas em fazer as mesmas viagens que ela. Ela viu ali um nicho de mercado e convidou Micheli Rogalski, 40, para abrirem juntas a Fuga. Micheli já atuava no mercado de turismo.

Recorrência de 75%. De lá para cá, mais de 3.000 mulheres já viajaram com a empresa —a maioria delas, mais de uma vez. Segundo Amanda, a recorrência gira em torno de 75% da base de clientes.

Empresa organiza roteiros nacionais e internacionais. Entre os destinos já operados e oferecidos estão Tunísia, China, Butão, Antártida, Jordânia, Tanzânia, Nepal, Islândia e Vietnã. Neste ano, os mais procurados têm sido Egito, Tailândia e Peru.

Pacote mais barato é para Alter do Chão, no Pará. São cinco dias, e custa R$ 5.980. A viagem mais cara é para a Islândia: oito dias por R$ 25,9 mil. Todas as viagens podem ser parceladas em até 12 vezes sem juros no cartão. Geralmente, passagens aéreas não estão inclusas.

Alguns destinos podem ser suspensos por fatores externos. Foi o que aconteceu com os roteiros para o Oriente Médio, temporariamente suspensos por conta da guerra na região. Apenas o pacote para o Egito foi mantido. Outra suspensão foi o roteiro para Cuba, diante da crise energética naquele país. "Prezamos pela transparência total com as nossas clientes. Quando uma viagem é cancelada, devolvemos o dinheiro imediatamente", afirma.

Empresa não abre números de investimento, faturamento e lucro.

Muito além do roteiro

Embora a operação turística seja parte fundamental do negócio, a proposta vai além da organização de roteiros: a empresa atua na curadoria de destinos, na construção de comunidades e no desenvolvimento de experiências que combinam autonomia, conexão e descoberta. A viagem é o ponto de partida para uma experiência coletiva construída a partir de interesses e vivências compartilhadas.Amanda Noventa, sócia-fundadora da Fuga

Mulheres entre 35 e 50 anos são maioria. "Em comum, elas compartilham curiosidade pelo mundo, interesse por novas culturas e o desejo de viver experiências significativas. Muitas já possuem histórico de viagens, inclusive sozinhas, e enxergam a viagem como uma forma de ampliar repertórios, criar conexões e investir em si mesmas", declara.

O que buscam nessas viagens? Para Amanda, não existe um único fator. "Elas costumam buscar uma combinação de elementos que inclui a experiência do destino, segurança, a possibilidade de compartilhar a jornada com outras mulheres e a tranquilidade de contar com uma estrutura já planejada", afirma.

Em muitos casos, o que atrai essas mulheres é a oportunidade de conhecer lugares que talvez não escolhessem visitar sozinhas, fazer novas amizades e viver experiências transformadoras ao lado de pessoas com interesses semelhantes. A viagem acaba funcionando como um catalisador para conexões, descobertas e novas perspectivas.Amanda Noventa

Redes sociais têm um papel central na construção da comunidade da Fuga. Amanda diz que, mais do que canais de divulgação de viagens, elas funcionam como espaços de inspiração, troca de experiências e compartilhamento de histórias de mulheres que exploram o mundo de diferentes formas. No Instagram, a marca tem cerca de 108 mil seguidores.

Rumo à China, após duas vezes na África

Em outubro, Carol Veras, 34, vai embarcar na sua terceira viagem com a Fuga. Ela vai para a China, junto com sua mãe, Patrícia, a amiga Enale e outras companheiras de viagens anteriores que fizeram. A viagem vai durar 17 dias. Cada uma pagou R$ 20 mil no pacote.

Primeira viagem foi para a Tanzânia. "Já seguia a Amanda no Instagram antes de ela abrir a Fuga. Quando ela lançou a empresa, fiquei naquela paquera virtual vendo os destinos que os grupos faziam para destinos diferentes. Somente em 2024 decidi fazer com a Fuga minha primeira viagem: para a Tanzânia", conta. Temendo não se enturmar com o grupo, ela convidou a amiga Enale para ir junto. Pacote custou R$ 17 mil.

Em 2025, foi a vez de levar a mãe para a África do Sul. O pacote de 12 dias custou cerca de R$ 20 mil para cada uma.

GirlsGo têm pacotes mais baratos

A GirlsGo existe desde 2017, em São Paulo. "A história da empresa se confunde com a minha história de viajante. Já estive sozinha em mais de 100 países, e as dificuldades que vivi na prática como viajante solo me fizeram querer facilitar essas experiências para outras mulheres", afirma Gilsimara Caresia, 46.

Largou emprego no BB para viajar. Gilsimara trabalhou por 17 anos no Banco do Brasil. "Era concursada, tinha um cargo alto, mas decidi deixar para viajar o mundo em um sabático. Foram dois anos viajando. Durante esse tempo, criei um grupo de Facebook e já também identifiquei a demanda, pois muitas mulheres me pediam para levá-las junto nas viagens", diz.

Índia é um dos destinos mais procurados. A GirlsGo trabalha com destinos nacionais e internacionais. "Como o objetivo é levar mulheres para destinos mais complexos de viajar sozinha, opto na maioria das vezes por roteiros de culturas mais diferentes das nossas, como Egito, Marrocos, Turquia e Índia. Eu morei na Índia, e foi o primeiro destino internacional que trabalhei. A Índia se tornou um dos mais procurados, uma vez que as viajantes sabem do meu conhecimento e amor pelo país", declara.

Qual o valor dos pacotes? O pacote nacional mais barato é para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e custa R$ 3.000 (4 dias). Já destinos internacionais custam a partir de R$ 5.000 (América do Sul) e de R$ 14 mil (para outros continentes). Os pacotes variam de 10 a 15 dias. "No momento, o pacote para Índia e Nepal com aéreo internacional custa R$ 23 mil", diz. A empresa não abre números de faturamento.

Em média, eram feitas de 10 a 15 viagens por ano. Só em 2026 já foram 20 e, segundo Gilsimara, a perspectiva é aumentar cerca de 30% até 2027. "O plano de negócios da empresa não possui escala grande, pois opto por qualidade e proximidade com as clientes. Um volume muito grande de viagens tiraria da empresa esse aspecto intimista e seguro", afirma. Os grupos são de 12 a 16 mulheres. Cerca de 3.000 mulheres já viajaram com a GirlsGo. A recompra está em 30% da clientela.

A empresa representa tudo o que acredito: viagem é mais do que turismo, é uma ferramenta de empatia, empoderamento e auto transformação. O aumento no número de mulheres viajando está ligado diretamente ao aumento da nossa independência financeira e emocional. Não é só um negócio, é liberdade.Gilsimara Caresia, fundadora da GirlsGo

Desafio é manter padrão de qualidade

Empresas estão na tendência do mercado. Jaqueline Nestlehner, consultora de negócios do Sebrae-SP, diz que as empresas identificaram uma necessidade do mercado e a transformaram em negócio focado em um nicho bem específico. "No turismo, a segmentação vem crescendo. Agências de turismo oferecem hoje roteiros exclusivos para idosos, para o público do cicloturismo, para famílias. Mas as duas empresas têm o foco único em mulheres", afirma.

Busca por experiências, mas com segurança. Para a consultora, as pessoas têm mais interesse em viver experiências. "A personalização de um roteiro de viagem traz isso para essas mulheres. Elas buscam experiências, mas com segurança, conexão, acolhimento e pertencimento. Elas querem se sentir pertencentes àquele grupo. Isso agrega valor ao negócio", declara.

Transparência da empresa é um ponto forte. A consultora diz que as empresas não têm governança sobre fatores externos que possam inviabilizar as viagens. "A Fuga, por exemplo, mantém uma política de transparência junto às suas clientes, em caso de cancelamentos ou adiamentos de um roteiro, por exemplo. Isso demonstra preocupação e cuidado com o público. É crucial para a reputação da empresa", declara.

Desafio é manter o alto padrão de qualidade. Jaqueline diz que o grande desafio das duas agências é manter a qualidade dos serviços que oferecem e fazer um bom planejamento para expandir a empresa, analisando se os novos roteiros são viáveis ou não. "É fundamental manter a experiência personalizada. Este é o diferencial do negócio. É isso que vai fidelizar a clientela", afirma.

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Fonte da Notícia: UOL Economia
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