O uso de anabolizantes para buscar hipertrofia muscular extrema aumenta riscos e contraria a prática médica, diz o médico Paulo Gusmão no Alt Tabet, do Canal UOL.
Ao comentar mortes súbitas que chamam atenção no universo da musculação, ele afirma que não trabalha com fisiculturismo e vê a exposição a múltiplos fármacos como incompatível com manter a saúde.
Anabolizante e esteroide é um hormônio que faz parte da ferramenta, do ferramental médico. Atualmente, as minhas clientes que mais usam anabolizante e esteroide são as minhas clientes idosas. Porque o anabolizante esteroide melhora a massa muscular, melhora a massa óssea, faz uma diferença absurda nas mulheres acima de 65, 70, 75 anos com sarcopenia. Agora, o anabolizante esteroide para criar uma hipertrofia muscular a ponto de gerar consequências físicas, isso contraria meu juramento médico.Paulo Gusmão
Gusmão diz que o fisiculturismo tem raízes ligadas à disciplina e ao cuidado com o corpo, mas avalia que a modalidade se "perdeu" quando passou a conviver com polifarmácia, como diuréticos, hormônios tireoidianos, insulina e outros compostos.
Eu nunca trabalhei com fisiculturismo. (...) A gente começa a ver um nível de risco muito maior e uma mortalidade aumentando comparativamente com outros esportes, especialmente ali perto da época das competições. Então eu não costumo atender esse tipo de perfil, porque eu acho incompatível.Paulo Gusmão
O médico também alerta para o avanço do uso de esteroides entre adolescentes e jovens e diz que, nessa faixa, há risco até de infertilidade. Segundo ele, o problema começa quando o corpo reduz a produção natural de testosterona após receber hormônios externos.
Há riscos reais. Para um jovem, especificamente, tem riscos até de infertilidade. (...) O jovem tem uma plena produção de testosterona. Na hora que ele começa a usar esteroide anabolizante, eles são derivados da testosterona e o corpo para de fabricar.Paulo Gusmão
Para pais e responsáveis, Gusmão recomenda atenção a mudanças de comportamento e a transformações físicas muito rápidas. Ele também defende recuperar a comunicação dentro de casa para reduzir a chance de o adolescente buscar "atalhos" para mudar o corpo.
A questão é olhar com quem está andando, alterações de comportamento, aumento muito grande do físico de uma hora para outra. (...) Os pais precisam restabelecer, se não tiverem uma boa comunicação, restabelecer essa comunicação com seus filhos, porque essa comunicação também está se perdendo.Paulo Gusmão
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