A empresa americana de alimentos Tyson Foods registrou lucro líquido ajustado de US$ 352 milhões no terceiro trimestre do exercício fiscal de 2026 (iniciado em setembro de 2025), alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta segunda-feira (3) em seu balanço trimestral. Este valor exclui eventos extraordinários do trimestre. Se esses eventos forem levados em consideração, o lucro foi de US$ 182 milhões, quase o triplo dos US$ 61 milhões de um ano antes. A Tyson Foods projetou prejuízos de até US$ 650 milhões em sua operação de carne bovina.
Destaques do trimestre
A receita ficou praticamente estável em US$ 13,87 bilhões. A companhia atribui a estabilidade a um acréscimo de contingência legal de US$ 98 milhões que reduziu as vendas no trimestre. Sem esse efeito pontual, a receita teria crescido 0,6%, segundo o balanço.
O resultado foi puxado pelos segmentos de Frango e Alimentos Preparados. O lucro operacional ajustado de Frango subiu de US$ 448 milhões para US$ 488 milhões, com alta de preço médio de 2,2% e volume 1% maior. Já o de Alimentos Preparados recuou de US$ 334 milhões para US$ 321 milhões. O segmento de Boi seguiu no vermelho: o prejuízo operacional ajustado passou de US$ 116 milhões para US$ 138 milhões, em um trimestre no qual o volume vendido caiu 15,9% e o preço médio subiu 12,1%.
O lucro por ação diluído, na métrica contábil, saltou de US$ 0,17 para US$ 0,52. A variação foi impulsionada pela ausência, neste ano, do impairment (baixa contábil do valor de um ativo que perdeu valor de mercado) de ágio de US$ 343 milhões registrado no mesmo trimestre de 2025. Na métrica ajustada, o lucro por ação foi de US$ 0,99, alta de 8,8% em um ano.
No acumulado dos nove meses do exercício fiscal, a receita somou US$ 41,83 bilhões, alta de 3,1% em um ano. O lucro por ação diluído, na métrica contábil, foi de US$ 1,49, alta de 24,2%; na métrica ajustada, de US$ 2,83, queda de 4,7%. O investimento (capex, gasto em máquinas, obras e tecnologia) somou US$ 556 milhões, 19,5% menor que no mesmo período de 2025.
A dívida líquida da companhia era de US$ 7,27 bilhões ao fim do trimestre. O valor é 4,4% menor que os US$ 7,60 bilhões do fechamento do exercício fiscal anterior, em setembro de 2025.
A companhia reduziu a dívida bruta total em US$ 824 milhões nos últimos nove meses. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado (indicador que mede a geração de caixa) ficou em 2,1 vezes, estável no período.
A companhia projetou um prejuízo entre US$ 500 milhões e US$ 650 milhões para o seu segmento de carne bovina. Ao detalhar as perspectivas da operação de carne de boi para o ano fiscal de 2026, a empresa escreveu que prevê um "prejuízo operacional do segmento, conforme ajustado, de US$ 500 milhões a US$ 650 milhões no ano fiscal de 2026".
A Tyson Foods limitou as comparações de seu balanço financeiro às variações anuais e ao acumulado de nove meses. O relatório oficial do terceiro trimestre fiscal de 2026 não apresenta tabelas ou dados que cruzem o desempenho atual com o período encerrado em março de 2026.
O que diz a Tyson Foods
A companhia diz ter emendado sete trimestres seguidos de crescimento no segmento de Frango. "Com sete trimestres consecutivos de crescimento em Frango e contínuos ganhos de participação de mercado por nossas marcas icônicas", diz Donnie King, presidente e CEO da Tyson Foods.
Para o exercício fiscal de 2026 como um todo, a companhia projeta lucro operacional ajustado total entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,3 bilhões. A projeção (guidance, a estimativa que a empresa divulga ao mercado) prevê receita entre 2,5% e 3,5% maior que em 2025 e fluxo de caixa livre entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,7 bilhão. A companhia cita dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontando produção doméstica de proteína cerca de 1% maior no exercício, com queda de 3% na produção de boi e alta de 2% na de suíno e 3% na de frango.
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