Papéis do Santander Brasil negociados na Bolsa do Brasil B3 subiram mais de 13%, para maior cotação desde 6 de maio após a matriz do banco propor uma troca de ações aos acionistas brasileiros. Analistas apontam que negócio faz sentido para grupo espanhol e questionam prêmio oferecido na transação.
O que aconteceu
Units do Santander Brasil lideram lista de alta na Bolsa brasileira. Esses papéis negociados com o código SANB11, que juntam uma ação ordinária e uma ação preferencial do banco, subiram 13,35 na sexta-feira, para R$ 28,62. É o maior valor desde 6 de maio, considerando cotação de fechamento.
Santander da Espanha fez uma proposta para comprar a parte das ações de sua filial no Brasil que ainda pertence a outros investidores. Em vez de dinheiro, o banco oferece uma troca por papéis (BDRs ou ADSs) da própria matriz europeia, em uma operação que pode chegar a R$ 11,1 bilhões. Plano é comprar os 10% de ações do Santander Brasil que ainda estão em circulação no mercado e não pertencem ao grupo controlador espanhol.
Valorização de hoje, então, ajusta valor das units ao preço sugerido pela matriz aos acionistas brasileiros. Para contextualizar, até ontem, os papéis do Santander Brasil acumulam baixa de 35% neste ano. Portanto, o desempenho positivo nesta sexta-feira, ainda que forte, não corrige as perdas apuradas em 2026.
Analistas do BTG apontam que proposta do Santander faz sentido do ponto de vista estratégico para a matriz espanhola. O grupo faz a operação em um momento favorável de valorização de suas ações para aumentar sua fatia em uma subsidiária considerada relevante.
Para os acionistas do banco brasileiro, porém, BTG destaca que o prêmio de 15% oferecido é relativamente modesto. Em relatório, os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale ponderam que o Santander Brasil enfrenta um cenário de rentabilidade pressionada, além de preocupações crescentes com uma possível deterioração do ciclo de crédito em 2027.
Embora o prêmio de 15% possa ser considerado baixo por alguns investidores, a oferta surge em um momento desafiador para o Santander Brasil, marcado por rentabilidade pressionada e preocupações crescentes com a qualidade do crédito. Analistas do BTG Pactual, em relatório
Avaliação da oferta é mais crítica para acionistas minoritários do Santander Brasil, dizem analistas do Citi. No relatório, Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi consideram positiva a possibilidade de os investidores passarem a ter exposição a uma instituição financeira global mais diversificada. Porém, alertam que o prêmio de 15% perde atratividade quando comparado ao preço das ações antes da divulgação do fraco resultado do segundo trimestre, equivalente a cerca de 5%.
Investidor deve ficar atento à menor liquidez, dizem analistas. No relatório, os analistas do Citi apontam que a redução adicional do free float pode diminuir o interesse de investidores institucionais e aumentar o risco de futuras operações societárias em condições menos favoráveis para os minoritários.
A proposta parece criar mais valor para Madri do que para São Paulo, já que os minoritários estão sendo convidados a trocar um ativo relevante do grupo por ações da controladora, a um múltiplo significativamente inferior ao negociado pela própria matriz. Analistas do Citi, em relatório
Apesar de prêmio baixo para acionista brasileiro, gestor vê oportunidade. O investidor brasileiro pode vender as ADSs do Santander Espanha e comprar uma coisa muito mais barata no Brasil, aponta o profissional da Rio Bravo.
A Bolsa brasileira está com valuation [preços dos ativos/ muito deprimido. Além disso, não fazer implica em você correr o risco de ficar numa classe de ações ou num ativo que vai ter uma liquidez diminuta daqui para frente. Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo
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