Mayara Ranni Sekertzis, sócia de uma consultoria de investimentos
Publicado em 30 de julho de 2026 às 15h14.
Há 12 anos, quando começou no mercado financeiro, Mayara Ranni Sekertzis ia a eventos do setor e via a mesma cena se repetir: "você tinha 500 homens para cada ‘macho’. Você não tinha mulher ali de forma alguma", diz. Hoje, sócia de uma consultoria de investimentos e dona de um canal de investimentos e política, ela descreve um ambiente diferente, mas ainda não resolvido.
Formada em Relações Internacionais pela PUC-SP, Mayara construiu a carreira dentro do universo de crédito privado. Foi sócia da Sparta, uma das gestoras de crédito mais relevantes do país, onde ficou por pouco mais de cinco anos. Depois, decidiu ampliar o foco.
"Eu entendi que era um momento de eu expandir os horizontes, sair um pouco do universo de renda fixa apenas e estimular mais o aprendizado para outras áreas", diz.
Esse movimento a levou para uma gestora recém-criada voltada a crédito inadimplente, o NPL. Entrou como diretora de RI com uma missão definida: estruturar a operação e, na sequência, seguir para um novo desafio que já estava em conversa, a Manchester, escritório de assessoria ligado à plataforma da XP Investimentos. "Entrei na Manchester, me tornei sócia também em menos de um ano", diz.
Na Manchester, chegou a responder por 6 bilhões de reais em ativos, somando clientes pessoa física e pessoa jurídica. Implementou um modelo de produtos que reduziu em cerca de 33% as alocações fora da recomendação da casa, segundo informações da própria executiva.
Enquanto ocupava cargos de liderança no mercado, Mayara cursou o MBA Executivo em Finanças da Saint Paul Escola de Negócios. Foi durante a formação, diz, que consolidou uma visão que hoje orienta seu trabalho: compreender as necessidades e os riscos de cada empresa antes de oferecer um produto financeiro.
Para ela, o mercado financeiro brasileiro ainda funciona ao contrário do que deveria. "A empresa precisa se adequar ao que o mercado tem para oferecer", diz. Segundo Mayara, muitas corporações não conseguem acessar esse mercado porque diretorias e áreas de caixa não estão preparadas para lidar com risco.
Hoje Mayara é uma das sócias de uma consultoria de investimentos que ela mesma ajudou a estruturar. A divisão de responsabilidades é direta: o marido cuida da parte comercial e de novos negócios, ela responde por produtos e alocação.
Cabe a ela a leitura de cenário macroeconômico e a decisão sobre quais produtos entram na mesa, sempre alinhados à estratégia, ao caixa e ao apetite de risco de cada cliente.
Entre as empresas atendidas pela consultoria, há companhias com caixa acima de 500 milhões de reais e outras na casa do bilhão, incluindo empresas de capital aberto. "Atendemos empresas de capital aberto, que são clientes desde o D0 da construção da consultoria", diz.
Questionada sobre o que diria a outras mulheres em posição de liderança que avaliam cursar um MBA executivo, Mayara não hesita.
"Estuda. Eu acho que a melhor dica que eu posso dar realmente é primeiro estudar", diz.
Ela reconhece que já passou por ambientes em que ser mulher era um fator de desvantagem constante. "Isso era um problema porque fazia com que você tivesse que provar muito mais o seu valor, entregar muito mais do que quem estava do seu lado, que às vezes nem tinha se dedicado tanto quanto você se dedicou", diz.
A virada, segundo ela, veio ao ignorar esse fator e buscar espaços onde ele deixasse de pesar. Mayara também credita à Saint Paul parte da rede de contatos que sustenta sua atuação hoje, além da construção de credibilidade dentro do setor.
Ela fecha o raciocínio com uma frase que resume sua visão sobre carreira: "a única forma de você construir isso, independente de você ser mulher, homem, sei lá, alien, é estudando e botando em prática aquilo que você aprendeu em algum momento."
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