O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta segunda-feira (27) que o Banco de Brasília (BRB) pagou R$ 12 bilhões ao Master em troca de "guardanapos". "O tema do BRB começa com crime. O BRB tem boas operações, tem boas carteiras, mas ele basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu o guardanapo de volta, recebeu um papel que não valia nada", disse, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Ele voltou a dizer que o governo federal não tem nada a ver com o BRB, cujo principal acionista é o governo do Distrito Federal. O ministro da Fazenda disse ter levado ao STF (Supremo Tribunal Federal) a posição do Banco Central de que o BRB não causa risco sistêmico ao país caso seja liquidado.
O BRB tenta convencer os bancos privados de que sua situação é viável com uma operação de crédito garantida com os fundos constitucionais do Distrito Federal. "O que agora está acontecendo é que o BRB está mostrando para o sistema financeiro privado, para o FGC, para os bancos, qual é o caminho de saída. E os bancos estão se convencendo, ou não, de que o BRB tem um plano consistente para receber essa ajuda e se transformar em uma instituição que siga com seriedade", completou.
Política fiscal
Durigan classificou como próximos passos na agenda econômica do país a pauta da redução dos gastos obrigatórios, o endurecimento do arcabouço fiscal e a modernização do Estado. Ele também argumentou que, em um cenário de queda da taxa básica de juros, haverá um "boom" de investimentos no país.
"Qual é o próximo passo? Diminuir o gasto obrigatório, manter a nossa regra de gasto do arcabouço, ou mesmo endurecê-la um pouco mais para dar esse sinal de credibilidade. E modernizar o Estado. Nós temos que acabar com a declaração do Imposto de Renda, as notas fiscais têm que ser unificadas na nova reforma tributária, sem trabalho para as pessoas, sem o Estado ser um estorvo. O Estado tem que ser solução, tem que ser útil para as pessoas", declarou.
Durigan fez ainda uma avaliação de causa e efeito sobre as medidas para o controle das contas públicas. Para ele, o governo precisa "seguir transformando regras internas" para reduzir o gasto obrigatório. Caso contrário, o presidente só "apertará o botão", disse, em referência ao aumento das despesas não discricionárias.
Na entrevista, o ministro da Fazenda classificou o presidente da Argentina, Javier Milei, como "palhaço" ao comentar as falas do chefe de Estado do país vizinho com ataques ao governo brasileiro. Milei chegou a dizer que confia em Flávio Bolsonaro (PL) para "conseguir parar a escória socialista".
"Não dá para entrar na onda de que o Brasil vai virar o apocalipse e vai ter problema", avaliou Durigan ao comentar os indicadores econômicos positivos da economia brasileira, incluindo o nível mínimo da taxa de desemprego. Ele ponderou ainda que os desafios da economia brasileira ainda não estão resolvidos, como taxas de juros elevadas e endividamento.
Com custo de crédito alto, a economia tende a desacelerar. Ainda assim, não há recessão projetada. Logo, na avaliação do ministro, falar em recessão é um exagero. "Me parece que eleições são usadas para forçar a barra", disse.
Pautas-bomba
O ministro afirmou que há um desafio importante para o cenário fiscal do país, que é de trajetória, e prometeu buscar soluções para uma dinâmica mais sustentável para os gastos públicos. Durigan garantiu que a situação fiscal do país para o próximo governo será melhor que a encontrada por ele e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Nós temos um importante desafio nas contas públicas de trajetória. Não é um desafio urgente, iminente, que vá quebrar o país no ano que vem, porque não se trata disso. Trata-se de, prontamente, de maneira urgente, apresentar soluções que mostrem uma trajetória do gasto público brasileiro que seja mais sustentável diante da realidade do país", afirmou, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Segundo Durigan, o Congresso tinha uma lista de pautas-bomba para serem votadas este ano, as quais foram travadas graças ao seu trabalho na Fazenda. Ele disse ainda que a taxa de juros alta é um problema e se resolve com ajuste fiscal, buscando eficiência.
"Veja que o Congresso Nacional tinha uma lista de projetos para votar até o primeiro semestre. Não votou, graças ao meu trabalho aqui em Brasília", disse.
Ele repetiu que mandará o Orçamento de 2027 sem surpresas e que os gastos públicos, como o da Secretaria de Comunicação Social (Secom), são previstos e seguem os limites fiscais, sujeitos, inclusive, a bloqueios orçamentários.
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