O governo do Paraguai convocou para consulta o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, após declarações de Lula (PT) sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870). Trata-se de um gesto diplomático que manifesta repúdio do governo de Santiago Peña às falas do presidente.
O que aconteceu
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. Segundo ele, o embaixador foi convocado para uma reunião amanhã, ao meio-dia, com o vice-presidente Pedro Alliana, na qual receberá uma nota diplomática oficial do governo paraguaio. O chanceler também informou que Lula e Peña conversaram sobre o assunto por telefone.
A medida é uma reação a um discurso feito por Lula no dia 24, em Jacareí (SP). "Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos", disse o presidente ao defender mais investimentos para que as Forças Armadas fossem "bem preparadas e treinadas".
Lezcano afirmou que "a dignidade do Paraguai não se negocia". "Sempre defenderemos os mais altos interesses do Paraguai em todos os âmbitos", acrescentou.
Deputados e senadores paraguaios repudiaram a fala do presidente brasileiro. "Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre.
Presidente do Congresso, Basilio Nuñez afirmou que as falas provocaram reação por tratarem de um episódio que faz parte da memória e da identidade nacional dos paraguaios. Ele disse, no entanto, que as relações entre Paraguai e Brasil "devem continuar se fortalecendo sobre a base do respeito mútuo, o diálogo franco".
O deputado da oposição Rubén Rubín acusou Lula de tentar "distorcer a história". "Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convêm. E é exatamente isso que Lula tenta fazer", afirmou. A senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, de esquerda, declarou que as falas do petista são "resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira".
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