O vendaval que provocou estragos em São Paulo e no Rio de Janeiro perdeu força, e as condições atmosféricas já estão voltando ao normal. Segundo a meteorologista Ana Maria Ávila, do Cepagri/Unicamp, ouvida pelo UOL, o período de maior risco ficou para trás, embora ainda possam ocorrer rajadas isoladas hoje.
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O que aconteceu
Pior do vendaval ficou para trás. A fase mais intensa ocorreu durante a aproximação e a passagem da frente fria que atingiu o Sudeste na quarta-feira (29), afirma a meteorologista.
Condições já estão voltando ao normal. Os ventos perderam força após o avanço do sistema e a tendência é de normalização gradual do tempo.
Rajadas isoladas ainda podem ocorrer. A especialista ressalta que ainda são possíveis episódios pontuais, mas "nada que se compare ao que houve ontem".
O pior já passou. Foi quando tivemos a aproximação e a passagem da frente fria. Agora já estamos numa condição de possibilidade de alguns eventos pontuais. Ana Maria Ávila, meteorologista
Defesa Civil mantém recomendações. Mesmo com a melhora, a orientação é acompanhar os avisos oficiais e evitar áreas que ainda apresentem risco por causa dos estragos.
Por que a ventania perdeu força?
De acordo com Ana Maria Ávila, a evolução da frente fria explica a redução dos ventos. O sistema avançou rapidamente sobre o Sudeste na quarta-feira, provocando um forte contraste entre massas de ar e diferenças de pressão, que aceleraram o vento.
Segundo ela, a massa de ar frio tende a se estabilizar à medida que avança. Ela reduz as diferenças de pressão que alimentaram as rajadas mais fortes e devolve ao tempo as características típicas desta época do ano, mais seca.
A atmosfera funciona como ondas. Tivemos uma mudança muito rápida com a chegada da frente fria, que gerou aqueles ventos intensos. Agora voltamos naturalmente a uma condição de normalidade.Ana Maria Ávila
Vendaval no Sudeste
A ventania que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro na quarta-feira (29) deixou ao menos cinco mortos e dez feridos. As rajadas passaram de 120 km/h em cidades paulistas e superaram 105 km/h na capital fluminense.
Em São Paulo, três pessoas morreram. Um homem foi atingido por uma árvore em Santos; outro morreu após uma árvore cair sobre um veículo em Cesário Lange; e um pescador morreu no naufrágio de uma embarcação no canal entre São Sebastião e Ilhabela. Dez pessoas ficaram feridas no estado, a maioria em acidentes com embarcações e quedas de árvores.
As maiores rajadas registradas no estado chegaram a 124,9 km/h em Itaporanga e Itaí, 117 km/h em Taquarituba e 111 km/h em Santos e Itanhaém. Oito cidades relataram danos mais severos, e os bombeiros receberam 42 chamados para quedas de árvores somente na capital e na região metropolitana.
No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram após a queda de um muro em Santa Teresa. A maior rajada na capital foi de 105,5 km/h, registrada no Aeroporto do Galeão. O estado contabilizou 291 ocorrências relacionadas ao vento, incluindo cortes de árvores, salvamentos e desabamentos.
A ventania também provocou apagões, afetou trens e metrô, fechou vias e alterou a operação de aeroportos. Na manhã desta quinta-feira (30), mais de 438 mil clientes ainda estavam sem energia no estado do Rio, e alguns trechos ferroviários seguiam suspensos. Em São Paulo, 54 voos foram cancelados no Aeroporto de Congonhas na quarta-feira.
O fenômeno foi provocado pelo avanço rápido de uma frente fria sobre uma região que estava sob influência de ar quente e seco. O contraste de temperatura e pressão entre as massas de ar favoreceu a formação de uma linha de instabilidade e acelerou as rajadas. Antes da mudança do tempo, o Rio chegou a registrar 35,8°C, enquanto Santos teve 35,2°C e o Guarujá, 34°C.
*Com informações de reportagens publicadas em 29/07/2026, 29/07/2026 e 30/07/2026.
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