As ações da C&A (CEAB3) subiam 5,73%, a R$ 7,20, às 10h38 desta quinta-feira (5), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Apesar da queda do lucro, os resultados superaram parte das expectativas dos analistas. XP e Itaú BBA mantêm recomendação de compra para a varejista, mas alertam para estoques elevados e um cenário ainda difícil para o consumo.
A C&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões, queda de 23,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 2,3%, para R$ 1,88 bilhão. Nas lojas de vestuário abertas há pelo menos um ano, as vendas avançaram apenas 1%, ante crescimento de 8,1% um ano antes.
O que aconteceu
XP avaliou que o trimestre foi fraco, mas melhor que o esperado. Em relatório de Pedro Caravina e Laryssa Sumer, a corretora destacou que a melhora da margem de vestuário e o crescimento das receitas do C&A Pay ajudaram a compensar despesas mais elevadas. O resultado operacional ficou 11% acima da projeção da casa.
A C&A reportou um 3T fraco, embora melhor do que esperávamos. Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP
Margem de vestuário melhorou, mas despesas maiores limitaram os ganhos. A margem bruta, parcela da receita que sobra após o custo das mercadorias, chegou a 56%, avanço de 0,6 ponto percentual. O benefício foi compensado por gastos com campanhas do aniversário de 50 anos da companhia e do Rock in Rio, além da dificuldade de distribuir os custos fixos sobre um volume maior de vendas.
Itaú BBA considerou o resultado operacional próximo das expectativas. Em análise de Rodrigo Gastim, Vinicius Pretto e Victor Rogatis, o banco destacou que as reformas em 18 lojas prejudicaram o crescimento das vendas de vestuário. Segundo os analistas, as obras retiraram aproximadamente um ponto percentual da expansão nas mesmas unidades, que teria chegado a 2% sem esse efeito.
Reabertura de lojas pode favorecer as vendas no quarto trimestre. Oito unidades reformadas voltaram a funcionar no encerramento do terceiro trimestre, enquanto outras dez tinham reabertura prevista para o início do período seguinte. A expectativa é que a conclusão das obras reduza os impactos negativos sobre as vendas.
Consumo de vestuário ainda enfrenta dificuldades. O Itaú BBA apontou desempenho fraco em outubro em seu indicador de consumo do setor e avaliou que a desaceleração da economia pode tornar o fim do ano mais desafiador para a varejista.
Estoques elevados também preocupam os analistas. O prazo médio de permanência das mercadorias estava 16 dias acima do registrado um ano antes. Isso significa que a empresa mantém mais recursos comprometidos em produtos ainda não vendidos, o que pode pressionar a necessidade de capital de giro.
Geração de caixa caiu quase 25% no trimestre. O fluxo de caixa livre ajustado recuou 24,6%, para R$ 184 milhões, também afetado pelo aumento dos investimentos. O indicador mede os recursos disponíveis após as operações e os desembolsos necessários ao negócio.
Bancos mantêm recomendação de compra
Itaú BBA considera as ações baratas em relação aos lucros projetados. Apesar das dificuldades operacionais, o banco vê espaço para valorização e avalia que uma eventual distribuição de dividendos ou recompra de ações poderia favorecer o desempenho dos papéis.
Dividendos e recompras seriam muito bem-vindos. Rodrigo Gastim, Vinicius Pretto e Victor Rogatis, analistas do Itaú BBA
Itaú BBA mantém preço-alvo de R$ 17 para o fim de 2027. O valor representa potencial de valorização de aproximadamente 136% sobre a cotação de R$ 7,20 registrada nesta manhã.
XP também mantém recomendação de compra para C&A. A corretora considera que a recuperação das margens e o desempenho do C&A Pay ajudam a sustentar a avaliação positiva, apesar do crescimento mais fraco das vendas e da pressão sobre os estoques. A análise pública do balanço não informa preço-alvo para as ações.
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