As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) subiam 1,66%, a R$ 39,13, às 11h56 desta quarta-feira (4), após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. BTG Pactual, XP Investimentos e Bradesco BBI avaliaram positivamente o balanço, apesar das preocupações com o crescimento do crédito e o desempenho das receitas de serviços.
O Itaú registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões, alta de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 1,7% sobre o segundo trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a rentabilidade do banco em relação ao capital dos acionistas, ficou em 23,6%.
O que aconteceu
BTG Pactual considera que o Itaú está preparado para enfrentar um cenário mais difícil. O lucro veio em linha com as expectativas do mercado, embora tenha ficado 3% abaixo da projeção do próprio banco. Para os analistas, 2026 representa um ano de transição, marcado por uma base de comparação mais elevada, menor disposição para assumir riscos e um ambiente econômico e eleitoral mais desafiador.
Solidez financeira foi um dos principais destaques positivos. O patrimônio líquido do Itaú chegou a R$ 219,9 bilhões, crescimento de 5,5% sobre o trimestre anterior e de 6,1% em um ano. O índice de capital principal (CET1), que mede a capacidade do banco de absorver perdas, avançou 0,4 ponto percentual, para 12,7%.
BTG destaca avanços tecnológicos e na estrutura do banco. Segundo os analistas, o Itaú nunca esteve tão forte do ponto de vista digital, cultural e financeiro para enfrentar os desafios do setor. A avaliação considera a transformação dos bancos brasileiros, com maior concorrência, digitalização e necessidade de gerar capital.
Acreditamos que o investimento no Itaú vai muito além do resultado do terceiro trimestre de 2026. BTG Pactual, em relatório.
Receitas com tarifas continuam sendo um ponto de atenção. O BTG espera que essa linha permaneça como o componente mais fraco dos resultados, especialmente diante da perspectiva de menor contribuição dos serviços ligados a investimentos.
XP também avaliou o trimestre como sólido, mas destacou fraqueza em serviços e seguros. A corretora apontou que essas receitas continuaram abaixo do desempenho das demais operações, enquanto o controle de despesas ajudou a sustentar o lucro.
Itaú reduziu a projeção para a alíquota efetiva de imposto em 2026. O banco passou a trabalhar com uma faixa entre 28% e 29%, ante previsão anterior de 29,5% a 32,5%. Segundo a XP, a mudança deve ajudar a compensar o desempenho mais fraco das receitas de serviços. Foi a única alteração nas projeções anuais da administração.
Concessão mais seletiva de crédito deve continuar. A XP considera que o Itaú está bem posicionado para enfrentar uma eventual piora da inadimplência, apoiado na qualidade da carteira de empréstimos, na disciplina de concessão e nos níveis de capital.
Bradesco BBI destacou a melhora das operações de tesouraria. Segundo os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, o resultado superou as expectativas, principalmente pelos ganhos nas operações financeiras realizadas pelo banco no mercado.
Crescimento do crédito ficou concentrado em operações com garantias. O BBI destacou que essa estratégia pressionou a margem financeira com clientes, diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e o custo de captar recursos. Em contrapartida, a concessão mais conservadora ajuda a limitar o risco de perdas.
Receitas de seguros e mercado de capitais também tiveram desempenho mais fraco. Segundo o BBI, essas atividades contribuíram para um resultado misto na prestação de serviços, apesar da melhora em outras linhas do balanço.
BBI espera continuidade da cautela na concessão de empréstimos. Para os analistas, os indicadores de qualidade dos ativos oferecem segurança para o Itaú enfrentar um ambiente econômico mais desafiador, mesmo com crescimento moderado da carteira.
Recomendações dos bancos
BTG, XP e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra para ITUB4. O BTG tem preço-alvo de R$ 53, equivalente a potencial de valorização de 37,7% sobre o fechamento anterior. O Itaú permanece como o único dos quatro grandes bancos tradicionais acompanhados pelo BTG com recomendação de compra.
XP mantém Itaú como sua principal escolha no setor bancário. A corretora estabelece preço-alvo de R$ 50, com potencial de alta de 26,6% em relação ao fechamento anterior.
Bradesco BBI também recomenda compra. O banco tem preço-alvo de R$ 45, equivalente a potencial de valorização de aproximadamente 17%.
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