O delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, que já estava preso em Mato Grosso do Sul, foi alvo hoje de um novo mandado de prisão por suspeita de adulterar cocaína apreendida em operações policiais e desviar a droga a um grupo ligado a facções criminosas, como o PCC e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
O que aconteceu
Delegado é um dos 26 alvos de mandados de prisão da Operação Ifrit. A Polícia Federal fez a operação hoje, em conjunto com a Receita Federal, contra uma organização criminosa que atua em sete estados e fora do país. A ação também cumpre 76 mandados de busca e apreensão, segundo a PF.
Nova prisão vem de outra investigação. Sousa está preso desde setembro após uma operação do Ministério Público de MS que mirava agentes que integravam um esquema de desvio de drogas. Agora, a Justiça Federal também mandou prendê-lo, desta vez por suspeita de abastecer o grupo criminoso.
Com isso, há duas ordens de prisão contra o delegado. Segundo a defesa, ele foi levado para a unidade prisional depois do cumprimento do novo mandado.
Grupo investigado pela PF movimentou R$ 500 milhões em dois anos. Uma família comandava a organização criminosa e contava com a participação dos agentes das forças de segurança, conforme apurou o UOL.
Como o delegado atuava no esquema
Sousa é suspeito de desviar cerca de duas toneladas de cocaína. A droga saía do depósito da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), em Campo Grande, que ele chefiou. A venda teria rendido cerca de R$ 15 milhões, como mostrou o UOL.
Hoffman trocava cocaína pura por uma adulterada. O material misturava a droga a amido de milho e fermento, entre outras substâncias. Depois, o próprio delegado enviava o material para destruição, e os desvios passavam despercebidos.
Delegado já estava preso
Delegado se entregou à Corregedoria em setembro. Ele se apresentou no dia 24, quando o Gaeco deflagrou a Operação Infiltrados. Na época, Sousa atuava na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande.
Operação mirou policiais que devolviam droga ao tráfico. Segundo o Ministério Público, os agentes deixavam de registrar parte da droga apreendida ou a tiravam do depósito da delegacia. Depois, repassavam o material a traficantes.
Gaeco prendeu 12 agentes naquele dia. Entre eles, estavam nove policiais civis, dois militares e um policial penal. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas encontradas em outras duas operações do Gaeco, a Traquetos e a Blindspot.
O que diz a defesa
Advogados dizem que ainda não tiveram acesso completo ao processo. Em nota ao UOL, a defesa afirma que não teve acesso à decisão que levou à nova prisão nem as provas da PF. Por isso, diz que ainda não vai comentar as acusações.
Defesa diz que prisão não significa condenação. Segundo os advogados, as medidas cautelares não definem a responsabilidade do delegado, e eles vão tomar as providências cabíveis assim que tiverem acesso aos autos.
O UOL procurou a Polícia Civil e a Sejusp de Mato Grosso do Sul e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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