O dólar interrompe a trajetória de três altas consecutivas e cai ante o real com as atenções direcionadas para a definição do novo patamar da taxa básica de juros da economia nacional e os desdobramentos da eleição para o Congresso dos Estados Unidos. Às 11h32, a moeda norte-americana recuava 0,12% e era negociada por R$ 5,481.
O que está acontecendo
Dólar comercial abre o dia em queda ante o real. A variação desde os primeiros negócios do dia interrompe a trajetória de altas consecutivas da moeda norte-americana e acompanha o desempenho do DXY, indicador que acompanha a força do dólar ante a cesta das seis principais moedas globais, e recuava 0,58% às 11h35. Na mínima do dia, a cotação da divisa chegou a R$ 5,452.
Ontem (4), a moeda norte-americana subiu 0,79%. O resultado do primeiro pregão de novembro marcou a terceira alta consecutiva da divisa em relação ao real, período no qual a cotação subiu 2,75% e encostou em R$ 5,50. Com a trajetória, o dólar acumula queda de apenas 0,03% neste ano. A oscilação negativa superava 9% no dia 23 de outubro, véspera do segundo turno eleitoral.
Mercado aguarda definição da taxa básica de juros. As atenções do dia estão direcionadas para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC. Ao final do encontro, os diretores da autoridade monetária vão definir o novo patamar da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
Reeleição de Lula ameaça ciclo de queda da Selic. Os analistas do mercado financeiro estão divididos entre uma nova redução dos juros ou a estabilidade da taxa básica. As incertezas envolvem as preocupações com a política fiscal e o empenho do novo governo com as contas públicas e o cumprimento da meta de superávit fiscal.
Indefinição considera as expectativas inflacionárias. O cenário envolve as projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que evoluíram significativamente após a reeleição de Lula. Na versão mais recente do Relatório Focus, os analistas elevaram as estimativas para este ano de 5,19% para 5,22%. As atualizações mais expressivas, no entanto, vieram para 2027 (de 4,34% para 4,76%), 2028 (de 3,75% para 4%) e 2029 (de 3,50% para 3,98%).
Taxa Selic é utilizada como alternativa contra a inflação. Com as expectativas de avanços mais expressivos do IPCA, a manutenção dos juros em patamar elevado surge como o principal instrumento de política monetária para encarecer o crédito. Com o dinheiro mais caro, a demanda por bens e serviços tende a diminuir e, consequentemente, segurar o avanço da inflação ao consumidor.
Eleição nos Estados Unidos também entra no radar. Os democratas conquistaram a maioria das cadeiras na Câmara e no Senado no pleito de ontem. O resultado representa uma derrota para o presidente norte-americano, Donald Trump, que é do Partido Republicano, e terá que lidar com os opositores para eventuais aprovações nas casas legislativas.
Derrota de Trump movimenta os mercados globais. A definição do pleito norte-americano fez o índice de Xangai, referência do mercado acionário chinês, saltar 2,16% no melhor desempenho diário desde o começo de abril. Na Europa, os mercados abriram o dia em alta generalizada, com destaque para as bolsas de Milão e Madri, que avançam mais de 2%.
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