O Partido Democrata conquistou grande avanço nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos e, segundo projeções da CNN e da CBS, conseguiu maioria na Câmara dos Representantes. Com a contagem dos votos em andamento, a oposição já angariou 107 das 435 cadeiras da Casa, contra 63 dos republicanos.
Projeções do jornal The New York Times também indicam mais de 95% de chance para que a legenda de oposição conquiste maioria em ambas as Casas do Congresso americano.
Milhões de eleitores votaram nestas midterms, as eleições de meio de mandato, que devem mudar o balanço de forças legislativas pelo resto do governo de Donald Trump. Candidatos democratas eram favoritos nas pesquisas de intenção de voto para conquistar a Câmara, enquanto uma série de disputas acirradas pelo Senado deve determinar qual partido terá o controle da Casa.
Entre os primeiros resultados da noite, os democratas conquistaram uma vitória importante na Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper derrotou o republicano Michael Whatley, apoiado por Trump, e garantiu ao partido uma cadeira no Senado até então ocupada pelos republicanos.
A virada representa um ganho para os democratas na disputa pelo controle da Casa, em um estado vencido por Trump nas eleições presidenciais de 2024.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John Sununu e manteve com os democratas a cadeira deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar. Pappas será o primeiro homem abertamente gay a integrar o Senado americano.
Na Geórgia, outro estado vencido pelo presidente americano em 2024, o democrata Jon Ossoff conseguiu se reeleger para o Senado. Já no comando estadual, o partido conquistou uma virada com Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, que derrotou o republicano Rick Jackson e se tornará a primeira mulher a governar o estado.
Nova York, por sua vez, reelegeu Kathy Hochul, também sua primeira mulher governadora, e segue, assim, como um bastião democrata.
Também a Flórida terá sua primeira vez. O democrata Felipe Sousa Lazaballet, 40, tornou-se o primeiro brasileiro eleito deputado estadual da região, ao conseguiu cerca de 63% dos votos contra seu opositor republicano na região metropolitana de Orlando.
O histórico das midterms joga contra os republicanos de Trump: o partido do presidente em exercício perdeu espaço no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas ocasiões. A aprovação de Trump está próxima de seus piores índices, em meio à insatisfação dos eleitores com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida.
As pesquisas realizadas nas últimas semanas não deixaram dúvida de que a eleição gira em torno da popularidade (ou não) de Trump. Em declarações nesta terça, aparentemente destinadas a conquistar eleitores insatisfeitos com o apoio americano a Israel, o presidente afirmou que pretende interromper o repasse anual de US$ 3,8 bilhões ao país. Não ficou claro como faria isso, já que uma lei de 2020 estabelece os valores do financiamento.
A estreita aliança entre os países é um dos principais temas da disputa em Michigan. O democrata Abdul El-Sayed, 42, que, se eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos EUA, faz duras críticas a Israel.
Liderados por Trump, republicanos têm retratado El-Sayed e outros candidatos democratas como radicais, antiamericanos e comunistas. Os candidatos rejeitam as acusações, que classificam de exageros típicos do presidente.
Trump tentou mobilizar sua base com mais de 20 de comícios desde o início de outubro, a maioria em estados que venceu com facilidade em 2024.
Pesquisas de opinião mostram que a principal preocupação dos eleitores é o custo de vida, tema em que a avaliação do presidente é negativa. As tarifas impostas por Trump sobre produtos importados, muitas posteriormente derrubadas pela Justiça, e a decisão de atacar o Irã, em fevereiro, contribuíram para elevar os preços.
Problemas em máquinas de leitura de cédulas de papel foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo condados da Geórgia, Iowa, Mississippi e Nova York. As falhas atrasaram a votação e a apuração.
Falhas isoladas em equipamentos de votação não são incomuns, e especialistas eleitorais afirmam que sistemas de reserva e outras medidas de segurança fazem com que essas ocorrências raramente afetem os resultados.
Trump, que há anos afirma falsamente que as eleições americanas são fraudadas, já indicou que pode contestar os resultados se os republicanos forem derrotados.
O Departamento de Justiça do país informou ter mobilizado 1.000 fiscais e observadores eleitorais nos 50 estados, no que classificou como a maior operação de monitoramento de um dia de votação da história do país.
Democratas criticaram a iniciativa, afirmando que ela pode intimidar votantes. Uma análise da agência Reuters identificou que, em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores haviam votado na democrata Kamala Harris contra Trump na eleição presidencial de 2024.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa, assim como 35 das 100 vagas do Senado, embora a maioria das corridas não seja considerada competitiva —isto é, só há um candidato com condições de vitória. Os democratas precisam conquistar pelo menos três cadeiras na Câmara e quatro no Senado para obter maioria nas duas Casas.
Já no Senado a margem de erro dos democratas é pequena. O partido precisa defender todas as cadeiras que ocupa e conquistar pelo menos dois estados que votaram massivamente em Trump em 2024: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, Carolina do Sul e Texas devem ser decisivos.
No Texas, o democrata James Talarico, 37, voltou a alimentar as esperanças de seu partido de conquistar um estado tradicionalmente republicano, após décadas de derrotas. Seu adversário, o procurador-geral republicano Ken Paxton, 63, recebeu centenas de milhões de dólares em doações do empresário Elon Musk. Os primeiros resultados mostram uma provável vitória de Talarico.
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