A perícia judicial no processo do zagueiro Ruan Tressoldi contra o São Paulo concluiu que a carga de jogos no clube contribuiu para agravar a lesão no joelho direito do jogador. Tressoldi acusa o clube de negligência médica durante sua passagem entre janeiro e junho de 2025, e cobra R$ 14 milhões entre atrasados e indenizações.
No processo, Tressoldi alega que o São Paulo deixou de fazer um seguro obrigatório, o colocou em campo com dores e exames que apontavam lesão no joelho direito, o submeteu a um tratamento que, na época, era classificado pelo Conselho Federal de Medicina como experimental, adiou uma cirurgia que era necessária, enquanto atrasava pagamentos de direito de imagem..
Para o perito Adalberto Soares, que assina o laudo, há nexo causal "concomitante moderado" entre a carga ao qual Tressoldi, hoje no Atlético-MG, foi submetido no São Paulo e uma ruptura do menisco lateral, diagnosticada em maio de 2025.
O documento aponta que o esforço exigido pelo São Paulo agiu sobre um tecido que já estava fragilizado. A degeneração teria evoluído para uma lesão, o que, nas palavras do perito, configura "agravamento da condição preexistente".
O ponto principal é sobre uma sequência de quatro partidas completas em 12 dias, entre 29 de abril e 11 de maio de 2025. O perito usou os dados de GPS do próprio clube e diz que o atleta jogou o tempo todo nas quatro partidas, sem rodízio nem redução de minutos. Para ele, essas exigências "atuaram decisivamente na aceleração e agravamento lesivo".
Questionado se alguma conduta do clube contribuiu para a lesão, ele respondeu que sim e apontou a falta de gestão da carga de jogos.
O laudo também diz que o clube não tinha Avaliação Ergonômica Preliminar nem Programa de Gerenciamento de Riscos, documentos previstos nas normas de segurança do trabalho. O perito tratou essa ausência como contexto, e não como causa isolada da lesão.
Por outro lado, o perito conclui que a capacidade de trabalho do zagueiro está totalmente preservada, sem sequela funcional nem dano estético. Ruan passou por artroscopia em 8 de julho de 2025 e voltou a jogar em 8 de outubro pelo Atlético-MG, onde se tornou uma peça importante.
O São Paulo contesta o laudo e pede que o juiz o desconsidere - o perito é fisioterapeuta, e o clube solicita que seja feita perícia por um médico.
O clube também afirma que o atleta teve volumes de carga maiores em outros períodos, como os cerca de 66 km entre 9 e 19 de janeiro de 2025, sem nenhuma lesão. Diz ainda que reduziu a intensidade dos treinos entre as partidas da sequência e que a rotura é a evolução natural de uma degeneração já existente.
Mesmo com os argumentos, o perito manteve a conclusão. Segundo ele, janeiro foi pré-temporada, um período com exigências diferentes das de partidas oficiais seguidas.
A defesa do jogador também questiona o laudo, mas na direção oposta, sobre a ausência de sequelas e de dano estético.
O caso deve ser julgado na primeira instância na próxima semana.
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