O estrategista e assessor-estrela do presidente argentino Javier Milei, o jovem Santiago Caputo —sem um cargo oficial na Casa Rosada, mas com enorme poder— não é apenas o autor do que ele mesmo definiu como "o grande truque" em um tuíte enigmático na manhã de ontem, em referência ao filme de 2006 estrelado, entre outros, por Michael Caine. Ele, que já foi chamado por alguns na Argentina de mágico, executou o truque pessoalmente.
Segundo a coluna apurou com fontes argentinas, Caputo viajou até Puerto Iguazú, onde se hospedou em um hotel, deslocou-se até Foz do Iguaçu —onde o senador Flávio Bolsonaro esteve com sua família— e acompanhou toda a operação para levá-los, a partir do aeroporto de Puerto Iguazú, aos Estados Unidos, com escala no Equador.
Não há certeza sobre a presença de Caputo na van da empresa Dallas Tour que transportou a família Bolsonaro de Foz do Iguaçu até Puerto Iguazú, mas é o mais provável. Em território argentino, a van passou a ser acompanhada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA), o que é mais um forte indício do envolvimento do governo argentino em toda a fuga.
Caputo é uma das três pessoas mais importantes do governo Milei, junto com o presidente e sua irmã, Karina Milei, que comanda a Secretaria-Geral da Presidência.
No dia em que Flávio Bolsonaro e sua família fugiram usando um aeroporto argentino e recebendo ajuda do Estado argentino, Caputo esteve praticamente em silêncio. Expressou-se nas redes apenas para reclamar da imprensa global e das informações que haviam sido divulgadas sobre a situação de Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, o estrategista, artífice da vitória de Milei nas eleições de 2023, estava orquestrando o plano, longe de Buenos Aires. Caputo é uma espécie de eminência parda no governo argentino, e a operação com Flávio Bolsonaro foi, talvez, sua mais importante performance desde que Milei chegou ao poder.
Caputo, também conhecido como chefe do grupo dos "Peaky Blinders" —em referência à série de TV, pela semelhança entre seu protagonista e o estrategista—, mantém uma relação de tensão e disputa de poder com Karina Milei. Seu protagonismo na operação com Flávio Bolsonaro confirma que, no atual momento, o estrategista está em uma posição dominante dentro da Casa Rosada.
Seus aliados mais próximos não sabiam da operação, segundo a coluna confirmou. Foi uma jogada silenciosa, conhecida por poucos.
Após a vitória eleitoral de 2023, Caputo desembarcou com seus colaboradores em organismos do Estado, como a Agência Federal de Inteligência (AFI), a ARCA (Receita Federal local) e a companhia estatal de petróleo YPF, entre outras áreas do governo. Sempre com o aval do presidente, o estrategista conseguiu a nomeação de funcionários aliados e, assim, acesso aos recursos econômicos administrados por cada um dos organismos que passou a controlar, indiretamente.
Também está sob seu controle, segundo fontes argentinas, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que teve um papel importante na operação com Flávio Bolsonaro.
O caso da AFI é um dos mais importantes. Caputo convenceu Milei a ampliar o montante de recursos "reservados" — ou seja, que podem ser gastos sem qualquer controle —da agência de inteligência argentina.
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