Tem cara de chocolate, textura de chocolate, doçura de chocolate. Mas não é chocolate. Ou é?
A Baianí Chocolates lançou uma barra que, em vez de massa de cacau, leva grãos de café.
A chamada barra de café é feita com grãos de café torrados, manteiga de cacau e açúcar. Com isso, fica com sabor de café intenso e doçura elevada.
A invenção é fruto de uma ideia de Edu Rodrigues. Fotógrafo apaixonado por café especial e por chocolate bean-to-bar, ele criou na pandemia a Bruta, uma máquina de café espresso manual.
Ao pensar em unir as duas paixões, Rodrigues propôs a Tuta Aquino, dono da Baianí, que colocassem café na melanger –moinho usado para triturar os nibs de cacau no processo de fabricação de chocolate.
Para corrigir a diferença de gordura entre o cacau e o café, acrescentaram manteiga de cacau.
A barra da Baianí lembra a proximidade entre os universos do café especial e do chocolate bean-to-bar. Ambos enfatizam a origem do produto para dar mais transparência à cadeia, valorizando pequenos produtores.
Isto porque tanto a cadeia produtiva do café quanto a do cacau têm um longo histórico de abusos socioeconômicos, seja em países africanos, seja no Brasil.
Muitas vezes cultivados em regime de agricultura familiar, esses camponeses recebiam valores irrisórios pela produção, como escreveu Eduardo Galeano há mais de meio século, em sua obra "As Veias Abertas da América Latina".
"O café beneficia muito mais quem consome do que quem o produz. Nos Estados Unidos e na Europa gera rendas, empregos, e mobiliza grandes capitais; na América Latina, paga salários de fome e acentua a deformação econômica dos países postos a seu serviço", disse Galeano.
Ainda sobre café
Do pó fino demais à água da torneira: os 11 erros que sabotam o seu café
Por que chamamos a 1ª refeição de café da manhã (mesmo sem tomar a bebida)?
Até o Pilão gourmetizou: o que isso revela sobre o café no Brasil
A busca pela valorização do trabalho no campo está na raiz dos movimentos do café especial e do chocolate bean-to-bar.
De certa forma, a barra da Baianí simboliza essa união. Os grãos utilizados, de torra média feita pela Garagem do Café, pertencem à variedade Paraíso e foram colhidos na fazenda Guarirobra, nos Campos das Vertentes (MG).
Ao comer a barra, o consumidor ingere o café em si. É diferente de quando tomamos uma xícara de café –que, na verdade, é apenas uma infusão.
Por isso, a barra de 40g tem, ao todo, 177 mg de cafeína –ou seja, 7,4 mg por quadradinho.
A colaboração Baianí-Bruta (R$ 40, a barra com 40g) está disponível no site da marca de chocolates.
O Festival Grão & Torra realiza sua 2ª edição em São Paulo em 31 de outubro e 1º de novembro, das 10h às 19h, na rua Maranhão, 617, Higienópolis. O evento reúne cafés especiais, gastronomia, marcas, workshops e experiências; a entrada é gratuita, com cursos pagos. Entre as atividades está a oficina de harmonização de café e chocolate realizada pela Aya Chocolates.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Recurso exclusivo para assinantes
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.