A apuração parcial das eleições em Israel indica vantagem do bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, enquanto a oposição articula uma aliança com partidos árabes para tentar formar governo.
O que aconteceu
Os resultados parciais mostram o bloco de Benjamin Netanyahu na liderança da contagem de votos. Com mais de 85% das urnas apuradas, a coalizão do atual primeiro-ministro atinge 53 cadeiras no parlamento.
O bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot aparece na segunda posição. O grupo do partido Yashar soma entre 48 assentos com o prosseguimento da apuração.
Partidos de liderança árabe garantem 19 cadeiras na contagem atual. A bancada reúne parlamentares da Lista Conjunta e do Ra'am, que foram apontados como Netanyahu e seus apoiadores como uma "ameaça ao estado judeu" durante a campanha.
Legendas menores permanecem abaixo do limite mínimo de 3,25% dos votos. Estão nessa situação os partidos Reservistas, com 2,7%, Povo de Israel, com 1,6%, e Público Haredi, com 0,2%.
A maioria dos votos comuns (93%) já foram contabilizados, o correspondente a 85,6% do total. Não há previsão para que o restante dos votos seja contabilizado hoje, já que eles exigem uma "supervisão adicional", segundo a Comissão Eleitoral Central.
Os em envelopes duplos ainda passam por contabilização. O grupo inclui as urnas dos soldados e pode alterar os números finais.
Esses votos demoram mais para serem apurados porque têm um duplo processo de contabilização. O primeiro deles é anônimo, garantindo que os eleitores não sejam identificados, e esse envelope anônimo é colocado dentro de outro, com a identificação do eleitor, que é checado antecipadamente para garantir que ele não tenha votado em outro lugar antes.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, fez um comunicado pedindo que os partidos políticos fizessem "tudo o que estiver ao alcance" para evitar novas eleições. "Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, certamente depois do que aconteceu ontem, para evitar outra rodada de eleições. Portanto, espero que todos que vierem aqui estejam de mente aberta", disse.
Proposta de aliança da oposição
O líder democrata Yair Golan defendeu a união com os partidos árabes para formar governo. O político ressalta que a soma das legendas garante 65 das 120 cadeiras do parlamento israelense.
Golan afirmou nas redes sociais que a oposição possui a maioria matemática necessária. "Netanyahu perdeu. Eu sei contar até 120. 65 é mais que 55. É assim que a democracia israelense funciona. Ponto final", escreveu no X.
O ex-vice-chefe militar defendeu o fim da divisão no país para viabilizar a nova coalizão. "Não temos futuro aqui se não pararmos de ter medo. E se não acabarmos com o racismo. Não podemos mais aceitar a divisão racista de Netanyahu entre votos judeus e votos árabes", declarou Golan.
A presença de legendas Haredi no grupo de Netanyahu também recebeu críticas do parlamentar. Golan apontou que o bloco governista conta com 16 deputados ultraortodoxos não sionistas que promovem a isenção do serviço militar obrigatório.
O parlamentar convocou os demais líderes a agir com coragem para concretizar a mudança. "Temos maioria. Temos responsabilidade. E temos a oportunidade de formar um governo de mudança em parceria com os cidadãos árabes de Israel", completou.
Eleições em Israel
Os cerca de 7,3 milhões de eleitores israelenses votam em listas apresentadas pelos partidos políticos, e não diretamente em candidatos a primeiro-ministro, quando vão às urnas. O presidente do país, então, divide as cadeiras do parlamento de acordo com a proporção de votos que cada partido ganhou.
O Knesset tem 120 cadeiras e é eleito por sistema proporcional, ou seja, para formar um governo, a coalizão precisa reunir ao menos 61 assentos. Um acordo para formar maioria costuma exigir ligações entre partidos, algo atípico em um cenário político fragmentado.
Mesmo se conseguir a maioria dos votos, o Likud, partido de Netanyahu, só vai poder governar se formar coalizões com outros partidos - o que pode não acontecer. Quando ganhou as eleições mais recentes, em 2022, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 64 cadeiras.
Enquanto no último pleito 29 chapas concorreram, neste ano, 38 se inscreveram. Duas delas desistiram antes das eleições. Para entrar no Knesset, as listas de candidatos apresentadas pelos partidos precisam de ao menos 3,25% dos votos.
Esta foi a primeira eleição realizada desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Ela ocorre após três anos de guerra regional, com a segurança no centro da campanha e um desgaste na imagem internacional do país, acusado de genocídio contra a população na Faixa de Gaza.
Disputa é tratada como um teste para Netanyahu, que tenta manter no poder a coalizão mais à direita da história do país. A campanha também tem sido marcada por temas como colonização da Cisjordânia e o futuro da relação com os Estados Unidos.
Netanyahu é o político com mais tempo no cargo de primeiro-ministro de Israel. Ele assumiu pela primeira vez, aos 46 anos, em 1996. Desde então, já foram 19 anos no poder divididos em seis mandatos, nem sempre consecutivos.
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