Mercados tentam se acomodar após forte reação à reeleição de Lula, que provocou queda histórica do Ibovespa e disparada do dólar na véspera
O dólar e os juros futuros fecharam em queda nesta terça-feira (27), devolvendo parte dos ganhos da véspera, enquanto o Ibovespa recuou após a forte reprecificação dos ativos brasileiros em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A moeda norte-americana caiu 1,07%, cotada a R$ 5,3488. Já o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o dia em baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.
Após dispararem mais de 250 pontos-base na véspera, as taxas dos DIs também fecharam com baixas firmes, com os investidores ajustando posições. No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,41%, em baixa de 41 pontos-base ante o ajuste de 14,822% da véspera, logo após o segundo turno da eleição.
Já a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 14,935%, com recuo de 34 pontos-base ante 15,277%.
Na segunda-feira (26), o dólar disparou 8,36% frente ao real, fechando a R$ 5,4066, após superar R$ 5,60 durante a manhã. A alta foi a maior desde 5 de março de 2003, quando a moeda avançou 10,4%.
O Ibovespa caiu 13,88% na véspera, na maior queda desde 2020, e acionou o circuit breaker. O resultado eleitoral contrariou as expectativas de investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em uma possível agenda econômica mais favorável ao ajuste fiscal.
Nesta terça-feira, o Ibovespa chegou a subir 1% durante a manhã, mas perdeu força ao longo do pregão. Às 14h40, o índice avançava 0,33%, aos 176.027,84 pontos, enquanto o contrato futuro com vencimento em 16 de dezembro subia 0,70%.
O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 16 de dezembro, subia 0,70%.
O movimento desta sessão reflete uma acomodação dos mercados após a reação negativa ao resultado eleitoral, com investidores reavaliando os impactos políticos e econômicos do novo mandato presidencial.
Agenda pós-eleição
Os mercados financeiros operam ainda sob o impacto da onda de venda de ativos brasileiros na véspera, após a reeleição do presidente Lula, mas aguarda outros indicadores, como falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Galípolo concedeu coletiva de imprensa às 11h sobre o relatório de estabilidade financeira do BC, nos primeiros comentários públicos do chefe da autoridade monetária após a vitória de Lula.
Nesta manhã, o Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros após a vitória eleitoral do atual presidente, argumentando que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.
Os agentes do mercado devem ainda ficar atentos a possíveis pistas sobre a composição da equipe econômica do quarto mandato de Lula na Presidência.
No front externo, um balanço frustrante do HSBC pesava sobre as ações de bancos, enquanto a expectativa de balanços de gigantes de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet nesta semana devem trazer pistas sobre se os fortes gastos com inteligência artificial darão retorno.
Também nesta semana, o Federal Reserve, o BCE (Banco Central Europeu) e o Banco do Japão tomarão decisões sobre política monetária, com expectativa de manutenção dos juros nos três casos, o que deve levar os investidores a estarem atentos aos comentários das autoridades.
*Com informações da Reuters