A aflição durou até o minuto final, mas a vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG no Maracanã não só manteve o time na liderança, mas deu uma resposta comportamental à torcida depois da eliminação na Libertadores.
Um pênalti, agora, foi o responsável pela festa e não pelo sabor amargo, a exemplo do que aconteceu contra o Estudiantes, semana passada.
O ponto é que ao mesmo tempo em que o time mostrou apetite para buscar, a fórceps, uma jogada que resultasse em vitória, esse Flamengo não passa imune aos problemas apresentados em campo.
A dinâmica dos jogos recentes traz esperança na luta pelo último título que resta no ano, mas sublinha a dor de cabeça para Leonardo Jardim.
Sim, o Flamengo dominou as ações e pressionou o Galo durante a maior parte do tempo.
Mas teve que remar bastante para virar o jogo ainda no primeiro tempo, depois de uma falha de marcação que deu campo para o contra-ataque que resultou no gol atleticano.
Quando levou o empate, já no segundo tempo, o Flamengo mostrou que não está ileso defensivamente e vê jogos saírem do controle em instantes capitais.
Com a bola no pé, a dificuldade de achar o caminho do gol persiste. E olha que estamos falando de uma partida em que o time voltou a balançar as redes três vezes, como fez contra o Bahia.
No meio disso, contar com a recuperação relâmpago de Arrascaeta é ingrediente importantíssimo — vide o segundo gol do Fla ontem.
Mas qual a dificuldade, então? Primeiro, achar os espaços diante de um adversário muito fechado — contra o Estudiantes, o gol não veio.
Depois disso, aproveitar o volume, resolver a parada cedo e evitar o perrengue que se viu no Maracanã de novo.
Não fosse o pênalti de Renan Lodi em Léo Pereira, já na "bacia das almas", estaríamos falando da inversão de posição com o Palmeiras.
A fase de Pedro é o retrato desse momento complicado no ataque do Flamengo. O camisa 9 mais uma vez passou em branco — e teve chances claras de marcar.
Mas, assim como a obra geral do time, disputou muitas bolas, mostrou entrega e foi elogiado pelo técnico Leonardo Jardim.
"Não é bem ansiedade, mas sim tranquilidade. Não se refere só ao coletivo, mas ao individual também. Aqueles atletas que têm muito sucesso individual, quando param de ter, às vezes isso pode acontecer. Mas, em termos de trabalho e dedicação, ele tem sido exemplar. Ainda hoje recuperou algumas bolas e ganhou alguns duelos que foram importantes", disse o treinador do Fla.
As próprias alterações de Jardim, em contrapartida com as mudanças que Eduardo Domínguez fez no outro lado, também geraram um cenário em que a vitória pareceu improvável.
"Tivemos um problema quando saíram alguns jogadores e entraram outros, não conseguimos encaixar e, depois, na parte final, voltamos a encaixar e conseguimos voltar a ter esse controle", avaliou o português, que valorizou o fim do "luto" após a queda na Libertadores.
Faltam seis rodadas, um confronto direto com o Palmeiras se avizinha, mas o próximo passo é um clássico contra o Vasco, quinta-feira, no gramado sintético do Nilton Santos.
"O adversário acha que pode ser mais forte naquele estádio contra nós e, do nosso lado, é recuperar de hoje, de forma a fazer um bom jogo e tentar continuar com os resultados positivos, com os três pontos, para continuarmos no primeiro lugar", disse Leonardo Jardim.
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