A forte queda dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode abrir oportunidades de compra, segundo a Gavekal Research. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), a casa avalia que a reação negativa do mercado não elimina os atrativos do país, como os juros elevados, a produção de commodities e a importância crescente do Brasil no fornecimento de minerais críticos.
A análise, assinada por Rohan Daswani e intitulada "Compre a queda no Brasil", foi elaborada antes da abertura da Bolsa brasileira. O relatório reconhece os riscos para as contas públicas, mas considera que um Congresso mais conservador e a própria pressão dos investidores podem limitar a expansão dos gastos no próximo mandato.
Depois que as vendas forçadas diminuírem e essas operações forem desfeitas, os argumentos estruturais para investir no Brasil permanecerão. Rohan Daswani, analista da Gavekal Research
O que você precisa saber
Investidores haviam apostado em vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo a Gavekal, a expectativa de mudança na política econômica e de maior controle dos gastos públicos ajudou a impulsionar os ativos brasileiros após o primeiro turno. Nesse período, as ações brasileiras avançaram mais de 12%, enquanto os papéis da Petrobras subiram mais de 11%, de acordo com o relatório.
Resultado eleitoral provocou revisão das apostas. Com a vitória de Lula, investidores que haviam montado posições esperando outro resultado precisaram reavaliar suas estratégias. A Gavekal considera, porém, que a intensidade da reação inicial pode ser maior do que as mudanças efetivas na política econômica.
Congresso mais conservador pode limitar aumento de gastos. A casa avalia que a predominância de parlamentares à direita dificultará a aprovação de medidas que representem uma mudança acentuada na condução da economia. Na leitura do analista, a vitória de Lula também não significa necessariamente apoio integral à sua agenda econômica.
Contas públicas continuam sendo o principal risco. A Gavekal alerta que uma expansão das despesas pode manter a inflação e os juros elevados. Isso encarece o financiamento do governo e aumenta a desconfiança dos investidores, criando um ciclo de pressão sobre a dívida pública e o câmbio.
Quanto mais Lula gastar para aliviar o impacto dos juros altos, maior será a compensação que os investidores exigirão para manter a dívida brasileira. Rohan Daswani, analista da Gavekal Research
Disputa entre Estados Unidos e China pode favorecer o Brasil. Segundo a Gavekal, as duas potências têm interesse em ampliar relações econômicas com o país. A China é uma importante compradora de produtos agrícolas e matérias-primas brasileiras, enquanto os Estados Unidos buscam fornecedores de minerais críticos e oportunidades em defesa, energia e centros de dados.
Terras raras ampliam importância estratégica do país. O relatório destaca minerais utilizados na fabricação de ímãs permanentes, componentes empregados em tecnologias como veículos elétricos e equipamentos industriais. Os projetos Serra Verde e Carina são citados como exemplos do interesse americano em desenvolver fornecedores fora da China.
Casa recomenda esperar a pressão de venda diminuir. A Gavekal considera que os investidores poderão encontrar oportunidades quando as operações montadas antes da eleição forem desfeitas e os preços se estabilizarem. A análise também destaca a importância de acompanhar as escolhas para a equipe econômica e a elaboração do Orçamento de 2027.
Relatório não indica ações específicas. A recomendação da Gavekal é uma avaliação geral sobre o mercado brasileiro, sem preços-alvo ou indicações individuais de compra. A casa considera que a combinação de preços mais baixos, juros elevados e limites políticos à expansão dos gastos pode voltar a tornar os ativos do país atraentes.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.