A trégua entre Ucrânia e Rússia destinada a permitir a entrada de ajuda humanitária em Oleshky, cidade ucraniana sob ocupação russa, entrou em vigor na madrugada desta terça-feira (27), após ter sido anunciada na última sexta-feira pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
Mas fora da trégua localizada, aceita pelas duas partes, os bombardeios não cessaram em outras regiões e mísseis balísticos atingiram a capital, Kiev, durante a noite.
A suspensão dos combates busca facilitar a assistência à cidade, situada no sul da Ucrânia e isolada por drones explosivos e estradas minadas. Os moradores estão há várias semanas sem acesso a alimentos e medicamentos.
"Começou um 'regime de silêncio', e a parte ucraniana respeita seus compromissos", escreveu, na mesma plataforma, o comissário de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets.
A AFP não pôde verificar de forma independente a interrupção das hostilidades.
Melania Trump anunciou a medida na sexta-feira para facilitar o envio de ajuda humanitária a Oleshky.
- Aproximação Trump-Putin -
Posteriormente, os Exércitos russo e ucraniano afirmaram que respeitariam um cessar-fogo a partir das 1h00 GMT.
A operação ocorre em um contexto de aproximação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Rússia, em detrimento da Ucrânia e de seus aliados europeus.
Na segunda-feira, o Kremlin já havia se mostrado aberto a outras tréguas humanitárias desse tipo, ao reiterar que a Rússia valoriza "muito" os esforços dos negociadores americanos, em especial os da primeira-dama.
A duração da trégua em Oleshky ainda não está claramente estabelecida. O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, declarou na sexta-feira que a saída dos habitantes pode levar pelo menos "alguns dias".
O alcance geográfico também é impreciso: Moscou afirmou que o cessar-fogo seria aplicado ao "setor de Kherson", enquanto Kiev citou uma "zona delimitada" ao redor de Oleshky.
Localizada às margens do rio Dnipro, Oleshky está sob ocupação russa desde as primeiras semanas da invasão em larga escala das tropas de Moscou, em fevereiro de 2022.
A cidade fica a menos de 10 quilômetros em linha reta de Kherson, a capital regional, reconquistada pela Ucrânia durante uma contraofensiva de Kiev em novembro de 2022.
Os últimos habitantes de Oleshky estão muito isolados, diante da ameaça constante de drones explosivos, russos e ucranianos, que atacam veículos. Além disso, as estradas que levam à cidade estão repletas de minas.
- Negociações em novembro -
Segundo moradores entrevistados pela AFP no início de outubro, a situação provocou uma grave escassez de alimentos e medicamentos nas últimas semanas.
Ucrânia e Rússia reconhecem a crise humanitária na localidade, mas negam a responsabilidade pela situação e se acusam de dificultar a entrega de alimentos e as saídas de moradores.
A população de Oleshky, afetada por graves inundações em 2023 após a destruição de uma represa que, segundo Kiev, foi provocada pela Rússia, caiu de quase 24.000 habitantes para apenas 2.000 atualmente.
Kiev permanece em estado de alerta quase permanente devido aos bombardeios russos, que na noite de segunda-feira mataram uma pessoa perto de um supermercado e provocaram danos em centros médicos.
Durante a madrugada de terça-feira, vários mísseis balísticos foram lançados contra a capital ucraniana.
A Ponte Sul foi atingida por um bombardeio que danificou a estrutura do metrô local, disse o prefeito da capital, Vitali Klitschko.
Em território ucraniano ocupado, um ônibus que viajava entre Moscou e a Crimeia anexada foi atingido por um drone ucraniano, que deixou um morto e 31 feridos, segundo o governador designado pela Rússia, Yevgueni Balitski.
Na Rússia, um ataque com drones matou uma pessoa na região fronteiriça de Briansk, informaram as autoridades.
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